Encerrando o ano de 2025 com um faturamento de R$ 77,9 bilhões, o setor pet brasileiro se consolidou como um dos mais resilientes e dinâmicos da economia mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Com perspectivas otimistas para 2026 e projeções indicando uma receita superior a R$ 80 bilhões, de acordo com Gleiner Vinícius Costa, economista e coordenador dos cursos de graduação e pós-graduação da Estácio, a humanização dos pets é apontada como a principal motivadora dessa mobilização.
“No Brasil, onde a presença de animais de estimação já supera a de crianças nos lares, o padrão de gastos com cachorros e gatos mudou totalmente. Hoje, eles são tratados com os mesmos cuidados, direitos e mimos que os membros humanos da família”, diz Gleiner.
Dividido em três frentes de consumo, dia a dia, representando a base do mercado focado em produtos essenciais; premium, área ligada à saúde preventiva e à nutrição funcional; e luxo, com a aquisição de marcas de consumo guiada pelo afeto, o segmento pet tem tido registrado crescimento nos últimos anos.
“Apesar da seção de pet food representar entre 54,9% e 55% do faturamento total do setor, ele enfrenta desafios como margens de lucro mais estreitas e alta carga tributária. Já os produtos de luxo, embora representem uma fatia menor em volume, possuem uma expansão acelerada e margens elevadas, impulsionadas pelas classes A e B”, explica o economista.
Ainda de acordo com ele, o consumo de itens exclusivos, como roupas de grife, acessórios de design, perfumes e serviços de spa, reflete a consolidação do conceito de pet couture, onde marcas como Louis Vuitton, Gucci, Prada, Adidas e Marc Jacobs, identificaram uma oportunidade altamente lucrativa.

Mudanças no comportamento dos consumidores
O coordenador da Estácio conta que a entrada dessas grandes empresas de moda e de lifestyle é motivada pela profunda mudança no comportamento do consumidor, que passou a enxergar o animal de estimação como uma extensão de sua própria identidade.
“Esses consumidores são motivados pelo desejo de elevar o padrão de vida de seus cães e gatos ao mesmo nível do seu. Pensando nisso, as empresas têm criado jaquetas esportivas, bolsas personalizadas, coleiras de grife e perfumes que geram interesse no público mais jovem das gerações Millennial e Z”, conta.
E para quem acha que o ingresso de grandes marcas no setor pet é algo passageiro, está enganado. Especialistas em consumo e analistas de mercado são unânimes em afirmar que isso é uma tendência estrutural e consolidada, não um modismo.
“A consultoria Gordon Brothers destaca que, à medida que a humanização dos animais de estimação avança, não há sinais de desaceleração no aumento da indústria para o futuro previsível. O setor provou ser notavelmente resiliente a crises financeiras, com 77% dos responsáveis afirmando que a economia não afeta seus gastos com os bichos”, diz o economista.
Crescimento do setor de acessórios
Embora o segmento de alimentação tenha maior faturamento em volume, segundo o profissional, a divisão de acessórios e pet care também apresenta taxas de aumento mais aceleradas e margens de lucro significativamente maiores.
Em 2024, enquanto o volume do pet food no Brasil cresceu 5,6%, o segmento de pet care, que inclui coleiras, vestuário, brinquedos, higiene e beleza, registrou um crescimento de 8,3%, de acordo com dados da Abinpet.
“A diferença fundamental reside na rentabilidade. A alimentação é um item de necessidade básica com alta concorrência e margens espremidas, especialmente devido à alta carga tributária. Já roupas e brinquedos são compras discricionárias, muitas vezes impulsionadas por impulso ou apelo emocional, permitindo que os varejistas apliquem margens de lucro muito superiores”, pontua.
Além disso, globalmente, o mercado de acessórios para pets tem uma projeção de crescimento anual composto de 7,1%, demonstrando um dinamismo superior ao da alimentação básica.
Uma pesquisa realizada pelo Opinion Box no Brasil ainda mostrou que os brinquedos lideram a lista de itens não essenciais, sendo adquiridos por 43% dos responsáveis.
Interativos e de enriquecimento ambiental, eles são procurados por cuidadores de animais que vivem em apartamentos, para estimular a cognição e reduzir a ansiedade. Além deles, camas e mobiliários pet também têm ganhado espaço, sendo frequentemente escolhidos para harmonizar com a decoração da casa.
“Embora vistos anteriormente apenas como produtos necessários para passeio, atualmente as coleiras, guias e peitorais passaram a ser considerados como acessórios de moda com foco em design, cores e marcas específicas. Já o vestuário, como roupas e bandanas, também se consolida, especialmente em regiões mais frias ou para raças de pequeno porte, sendo uma das categorias que mais atraem investimentos da indústria da moda”, conclui Gleiner.

FAQ sobre aquecimento do setor pet brasileiro
O que tem impulsionado o crescimento do segmento animal no Brasil?
A principal motivação é a humanização dos cães e gatos. Os pets passaram a ser tratados como membros da família, influenciando o aumento do consumo de produtos, serviços e itens de luxo.
Quais mercadorias estão em alta nesse setor?
Acessórios, brinquedos, roupas, coleiras, itens de higiene, camas e mobiliários pet estão entre os segmentos que mais crescem. Enquanto artigos de luxo ligados ao design e à moda também ganham espaço.
Por que grandes marcas de moda investem no mercado pet?
Porque os consumidores começaram a enxergar os animais de estimação como uma extensão de sua identidade. Isso abriu oportunidades para empresas criarem bens exclusivos, como roupas, bolsas, perfumes e acessórios voltados para eles.
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