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Inovação e Mercado

Aquecimento do setor pet é movimentado pela venda de acessórios e artigos de luxo

Humanização dos animais de estimação impulsiona consumo de itens premium, como roupas e coleiras de marcas luxuosas

Aquecimento do setor pet é movimentado pela venda de acessórios e artigos de luxo
Por Rebecca Vettore
15 de maio de 2026

Encerrando o ano de 2025 com um faturamento de R$ 77,9 bilhões, o setor pet brasileiro se consolidou como um dos mais resilientes e dinâmicos da economia mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Com perspectivas otimistas para 2026 e projeções indicando uma receita superior a R$ 80 bilhões, de acordo com Gleiner Vinícius Costa, economista e coordenador dos cursos de graduação e pós-graduação da Estácio, a humanização dos pets é apontada como a principal motivadora dessa mobilização.

“No Brasil, onde a presença de animais de estimação já supera a de crianças nos lares, o padrão de gastos com cachorros e gatos mudou totalmente. Hoje, eles são tratados com os mesmos cuidados, direitos e mimos que os membros humanos da família”, diz Gleiner.

Dividido em três frentes de consumo, dia a dia, representando a base do mercado focado em produtos essenciais; premium, área ligada à saúde preventiva e à nutrição funcional; e luxo, com a aquisição de marcas de consumo guiada pelo afeto, o segmento pet tem tido registrado crescimento nos últimos anos.

“Apesar da seção de pet food representar entre 54,9% e 55% do faturamento total do setor, ele enfrenta desafios como margens de lucro mais estreitas e alta carga tributária. Já os produtos de luxo, embora representem uma fatia menor em volume, possuem uma expansão acelerada e margens elevadas, impulsionadas pelas classes A e B”, explica o economista.

Ainda de acordo com ele, o consumo de itens exclusivos, como roupas de grife, acessórios de design, perfumes e serviços de spa, reflete a consolidação do conceito de pet couture, onde marcas como Louis Vuitton, Gucci, Prada, Adidas e Marc Jacobs, identificaram uma oportunidade altamente lucrativa.

MULHER BEIJANDO UM BULLDOG
O cuidado com animais tem ganhado outros patamares nos últimos anos (Foto: Reprodução)

Mudanças no comportamento dos consumidores

O coordenador da Estácio conta que a entrada dessas grandes empresas de moda e de lifestyle é motivada pela profunda mudança no comportamento do consumidor, que passou a enxergar o animal de estimação como uma extensão de sua própria identidade.

“Esses consumidores são motivados pelo desejo de elevar o padrão de vida de seus cães e gatos ao mesmo nível do seu. Pensando nisso, as empresas têm criado jaquetas esportivas, bolsas personalizadas, coleiras de grife e perfumes que geram interesse no público mais jovem das gerações Millennial e Z”, conta.

E para quem acha que o ingresso de grandes marcas no setor pet é algo passageiro, está enganado. Especialistas em consumo e analistas de mercado são unânimes em afirmar que isso é uma tendência estrutural e consolidada, não um modismo.

“A consultoria Gordon Brothers destaca que, à medida que a humanização dos animais de estimação avança, não há sinais de desaceleração no aumento da indústria para o futuro previsível. O setor provou ser notavelmente resiliente a crises financeiras, com 77% dos responsáveis afirmando que a economia não afeta seus gastos com os bichos”, diz o economista.

Crescimento do setor de acessórios 

Embora o segmento de alimentação tenha maior faturamento em volume, segundo o profissional, a divisão de acessórios e pet care também apresenta taxas de aumento mais aceleradas e margens de lucro significativamente maiores.

Em 2024, enquanto o volume do pet food no Brasil cresceu 5,6%, o segmento de pet care, que inclui coleiras, vestuário, brinquedos, higiene e beleza, registrou um crescimento de 8,3%, de acordo com dados da Abinpet.

“A diferença fundamental reside na rentabilidade. A alimentação é um item de necessidade básica com alta concorrência e margens espremidas, especialmente devido à alta carga tributária. Já roupas e brinquedos são compras discricionárias, muitas vezes impulsionadas por impulso ou apelo emocional, permitindo que os varejistas apliquem margens de lucro muito superiores”, pontua.

Além disso, globalmente, o mercado de acessórios para pets tem uma projeção de crescimento anual composto de 7,1%, demonstrando um dinamismo superior ao da alimentação básica.

Uma pesquisa realizada pelo Opinion Box no Brasil ainda mostrou que os brinquedos lideram a lista de itens não essenciais, sendo adquiridos por 43% dos responsáveis.

Interativos e de enriquecimento ambiental, eles são procurados por cuidadores de animais que vivem em apartamentos, para estimular a cognição e reduzir a ansiedade. Além deles, camas e mobiliários pet também têm ganhado espaço, sendo frequentemente escolhidos para harmonizar com a decoração da casa.

“Embora vistos anteriormente apenas como produtos necessários para passeio, atualmente as coleiras, guias e peitorais passaram a ser considerados como acessórios de moda com foco em design, cores e marcas específicas. Já o vestuário, como roupas e bandanas, também se consolida, especialmente em regiões mais frias ou para raças de pequeno porte, sendo uma das categorias que mais atraem investimentos da indústria da moda”, conclui Gleiner.

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A Adidas é uma das marcas que decidiu ingressar no setor pet recentemente (Foto: Divulgação/Adidas)

FAQ sobre aquecimento do setor pet brasileiro

O que tem impulsionado o crescimento do segmento animal no Brasil?

A principal motivação é a humanização dos cães e gatos. Os pets passaram a ser tratados como membros da família, influenciando o aumento do consumo de produtos, serviços e itens de luxo.

Quais mercadorias estão em alta nesse setor?

Acessórios, brinquedos, roupas, coleiras, itens de higiene, camas e mobiliários pet estão entre os segmentos que mais crescem. Enquanto artigos de luxo ligados ao design e à moda também ganham espaço.

Por que grandes marcas de moda investem no mercado pet?

Porque os consumidores começaram a enxergar os animais de estimação como uma extensão de sua identidade. Isso abriu oportunidades para empresas criarem bens exclusivos, como roupas, bolsas, perfumes e acessórios voltados para eles.

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