A morte de Cacau, uma cadela da raça Pequinês de três anos, que faleceu após ser atropelada em uma creche para pets em Belo Horizonte (MG), está gerando questionamentos sobre as condições de segurança do estabelecimento e a responsabilidade no manejo dos animais.
O caso aconteceu na quinta-feira (22 de outubro). Segundo o relato de Lara Garcia Aparecido de Oliveira, médica-veterinária e responsável por Cacau, a cadela frequentava regularmente a creche às terças e quintas-feiras, acompanhada de sua outra cadela, Amora.
As duas eram transportadas por um serviço de Dog Car, que as buscava na residência da família, no bairro Buritis, e as levava ao estabelecimento.
Na quinta-feira (22), por volta das 18h30, Lara recebeu uma ligação da proprietária da creche, solicitando que comparecesse ao local. Ao questionar o motivo, a responsável foi informada de que Cacau havia sido atropelada. Na mesma conversa, também recebeu a notícia de que a cadela não havia sobrevivido.
Abalada com a informação, Lara contou com o auxílio da amiga Fernanda Mirante, também médica-veterinária, e de Décio Fonseca, que se dirigiram à creche acompanhados da mãe da responsável pelo animal. Ao chegarem, encontraram Cacau enrolada em um tapete higiênico, sobre um tablado.
De acordo com Lara, Fernanda retirou o material que envolvia a cadela, realizou uma avaliação e identificou múltiplas fraturas no crânio e na mandíbula. O óbito já havia ocorrido.
Circunstâncias do acidente

Conforme a versão apresentada por Lara, a proprietária pelo estabelecimento teria informado que estava secando Cacau na garagem de sua residência, após a cadela entrar na piscina e se molhar.
Durante a atividade, precisou interromper o procedimento para entregar outro animal a um cliente. Nesse momento, o portão teria ficado aberto, permitindo que Cacau escapasse e fosse atingida por um veículo.
A responsável, entretanto, questiona essa versão. Segundo ela, quem teria aberto o portão e realizado a entrega do outro animal foi outra pessoa. A veterinária também afirma que o responsável pelo outro pet, identificado como Caio, presenciou o ocorrido e teria questionado se Cacau pertencia à responsável pelo estabelecimento, recebendo uma resposta negativa.
Questionamentos sobre a segurança
Após a morte da cadela, Lara passou a questionar as condições de segurança oferecidas pela creche. Entre os pontos levantados estão a ausência de câmeras de monitoramento, de grades de proteção e, segundo sua avaliação, de uma quantidade adequada de funcionários para acompanhar os animais.
A médica-veterinária afirma que a família encaminhou uma notificação ao estabelecimento com o objetivo de solicitar mudanças estruturais e medidas que pudessem evitar novos acidentes.
De acordo com ela, até o momento do relato, não havia recebido resposta à solicitação.
Lara também conta que a creche continua funcionando normalmente após o episódio.
O que diz o estabelecimento
A equipe da Cães&Gatos procurou a creche para pets e conversou com Rafael Mendes Campos, advogado responsável pelo jurídico da empresa.
De acordo com ele, no momento do acidente fortes chuvas e trovoadas atingiam a região, provocando maior agitação entre os cães da creche.
“Durante a chegada de um novo animal, Cacau, possivelmente assustada pelos ruídos, conseguiu escapar do estabelecimento, ultrapassando as barreiras de segurança existentes. Infelizmente, após sua saída, envolveu-se em um acidente de trânsito em via pública, onde o veículo estava em alta velocidade e não parou para dar assistência”, explicou.
O profissional ainda relata os protocolos de segurança sempre fizeram parte da rotina do estabelecimento e que as medidas existentes estão sendo reforçadas, além de estar ocorrendo a adoção de novas ações preventivas para aprimorar continuamente os cuidados com os animais.
Leia a nota na íntegra:
“Antes de qualquer esclarecimento sobre o ocorrido, manifestamos nosso profundo pesar pela perda de Cacau, uma cadelinha da raça Pequinês, que frequentava o nosso estabelecimento desde o início de nossas atividades.
Expressamos nosso respeito e solidariedade à família, a quem temos prestado todo o auxílio e suporte necessários, inclusive no que diz respeito aos gastos com o sepultamento. Importante ressaltar que todos os que trabalham conosco amam animais e vivem para eles, podendo dizer que estamos absolutamente devastados com o ocorrido.
Em respeito à transparência e para esclarecer as circunstâncias do ocorrido, informamos que, naquele momento, fortes chuvas e trovoadas atingiam a região, provocando maior agitação entre os cães da creche.
Durante a chegada de um novo animal, Cacau, possivelmente assustada pelos ruídos, conseguiu escapar do estabelecimento, ultrapassando as barreiras de segurança existentes. Infelizmente, após sua saída, envolveu-se em um acidente de trânsito em via pública, onde o veículo estava em alta velocidade e não parou para dar assistência.
Em toda nossa atuação, nunca havíamos enfrentado uma situação semelhante. Nossa trajetória foi construída a partir do amor pelos animais e do compromisso com seu cuidado e proteção. Os protocolos de segurança sempre fizeram parte da nossa rotina, sendo que a atenção e responsabilidade fazem parte do nosso dia a dia.
Contudo, com a nossa disposição para sempre nos desenvolvermos, estamos revendo todos os procedimentos para implementar melhorias. Por isso, estamos reforçando as medidas existentes e adotando novas ações preventivas e aprimorar continuamente nossos cuidados.
Compreendemos a dor da família e respeitamos os sentimentos envolvidos. Desde o primeiro momento temos demonstrado nossa disposição para o diálogo, oferecendo assistência e buscando tratar a situação com a seriedade que ela merece.
Entretanto, apesar dessa postura, temos observado que a exposição do episódio nas redes sociais (inclusive por terceiros alheios ao caso) tem se sobreposto às possibilidades de uma conversa direta e construtiva. Ainda assim, não pretendemos alimentar conflitos ou responder a manifestações hostis da mesma forma.
Continuaremos abertos ao diálogo, pois entendemos que, em um momento tão delicado, o respeito, a responsabilidade e a busca por soluções devem estar acima de qualquer exposição ou confronto.”

Busca por providências
Mais do que responsabilizar os envolvidos, Lara afirma que a intenção da notificação encaminhada à creche é cobrar mudanças nas instalações e nos protocolos de segurança, para evitar que situações semelhantes aconteçam com outros animais.
A morte de Cacau levanta discussões importantes sobre os critérios de segurança, supervisão e manejo adotados por estabelecimentos que oferecem serviços de creche e hospedagem para animais de companhia.
A estrutura física, o controle de acesso, a capacitação da equipe e a existência de protocolos para situações de emergência são aspectos fundamentais para reduzir riscos durante a permanência dos animais nesses espaços.

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