Uma creche e hotel pet localizado no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, está sob investigação da Polícia Civil após denúncias de maus-tratos, agressões e condições insalubres de hospedagem.
A apuração conduzida pela 10ª DP (Botafogo) reúne vídeos, áudios e mensagens entregues por responsáveis e por um ex-cuidador do estabelecimento Pituchos da Lu. As acusações ganharam força pública após uma operação fiscalizatória.
Segundo o ex-funcionário Genesis Sousa Cardoso Martins, ele recebia orientações diretas dos proprietários para punir fisicamente e conter os animais considerados mais agitados. Martins afirma que reuniu provas em vídeo antes de ser desligado da empresa e alega ter presenciado episódios de violência praticados pelos donos do espaço.
Cães presos e “cenários” para o Instagram causam indignação
Relatos de responsáveis que utilizavam os serviços da hospedagem indicam que a rotina divulgada aos clientes divergia da realidade observada no interior do imóvel.
Bianca Feldmann, responsável de um cão da raça Thor que frequentou o local entre novembro de 2025 e junho de 2026, afirmou que acreditava que o animal passava o dia em áreas abertas com piscina e brinquedos, mas descobriu que ele era mantido confinado.
Outra cliente, Roberta Boscá, relata que seu golden retriever permanecia preso durante a maior parte do tempo por ser considerado agitado. Segundo ela, o animal só era solto no pátio para a gravação de vídeos curtos e fotos enviados aos responsáveis e postados nas redes sociais da creche para simular um ambiente de recreação.
Entre os materiais que integram o inquérito policial está uma troca de mensagens em um aplicativo de conversas. Quando o ex-funcionário alertou sobre um cão que chorava intensamente, um dos envolvidos respondeu: “O cachorro vai morrer do coração. Se morrer, morreu. Não tenho como sair da reunião”.
A empresa confirmou a veracidade da mensagem, mas argumentou que a frase foi tirada de contexto em um momento de estresse e negou que o animal estivesse desassistido ou em risco.

Defesa da creche nega acusações e alega edição em vídeos
Em nota, os proprietários da Pituchos da Lu negaram veementemente todas as acusações de maus-tratos, afirmando que não instruem nem toleram agressões físicas aos animais sob sua responsabilidade.
A defesa alegou que os vídeos apresentados pelo ex-funcionário passaram por cortes e edições técnicas que descontextualizam as imagens e informou que apresentará perícia independente à polícia.
A empresa esclareceu que cães só são contidos temporariamente — por cerca de dez minutos — durante a alimentação coletiva, com o objetivo de evitar disputas por comida e garantir a segurança dos próprios animais.
Sobre a fiscalização policial ocorrida em 28 de agosto com organizações de proteção animal, a creche destacou que nenhum animal foi encontrado ferido, não houve interdição do espaço e nem prisões.
O caso segue sob investigação da 10ª DP. As autoridades policiais analisam as mídias entregues pelas testemunhas e os documentos fornecidos pela defesa da hospedagem para esclarecer a conduta dos envolvidos.
Fonte: R7, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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