Abre em uma nova aba
Opções
Pets e Curiosidades

Cães de Chernobyl apresentam alterações genéticas ligadas ao desenvolvimento de câncer e reparo do DNA

Estudo publicado na revista Genes compara animais da usina nuclear com populações de Galápagos e indica que isolamento geográfico não explica as diferenças

Cães de Chernobyl apresentam alterações genéticas ligadas ao desenvolvimento de câncer e reparo do DNA
Por Equipe Cães&Gatos
6 de novembro de 2026

Pesquisadores identificaram que os cães que habitam as áreas próximas à Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, exibem perfis genéticos com alterações associadas ao desenvolvimento de câncer, reparo de danos no DNA, resposta imune e regulação do ciclo celular. As conclusões foram divulgadas na revista científica Genes.

Dando sequência a investigações anteriores, o estudo comparou os animais que vivem nos arredores imediatos da usina nuclear desativada com cães que habitam a cidade de Chernobyl, situada a aproximadamente 16 quilômetros do complexo atômico.

Os dados revelaram que os cães da cidade preservam assinaturas genéticas semelhantes às populações caninas convencionais do Leste Europeu (como Polônia e Rússia). Por outro lado, os animais fixados nas cercanias da usina apresentam mutações e traços moleculares singulares, sobretudo nos trechos do genoma voltados à regeneração do DNA.

Seleção natural e comparação com Ilhas Galápagos

A investigação científica buscou avaliar se a diferenciação observada derivava de processos de seleção natural ou de deriva genética (alterações aleatórias na frequência gênica decorrentes do isolamento reprodutivo). Para testar as hipóteses, os cientistas contrastaram as amostras de Chernobyl com o perfil genético de cães que vivem isolados no arquipélago das Ilhas Galápagos.

Os resultados apontaram que os animais da usina não apresentaram a perda de variabilidade comumente associada à deriva genética.

Além disso, a análise indicou que o isolamento geográfico não justifica, de forma isolada, as particularidades encontradas nos cães do complexo nuclear, visto que os animais da cidade de Chernobyl mostraram padrão biológico mais próximo ao dos animais de Galápagos do que os indivíduos que vivem nos escombros industriais.

cães chernobyl
Cães que vivem nos arredores da usina nuclear apresentam variações em genes ligados à resposta imune e ao reparo celular (Foto: Reprodução / Clean Futures Fund)

Resistência prévia ou adaptação à radiação

Apesar da localização emblemática, os autores ponderam que as alterações genéticas não decorrem obrigatoriamente de mutações induzidas diretamente pela contaminação radioativa contínua.

Uma das principais hipóteses levantadas pelos pesquisadores sugere que os animais que sobreviveram aos momentos críticos de exposição radioativa logo após o acidente nuclear de 1986 já poderiam carregar, previamente, variantes genéticas protetoras que favoreceram a sua sobrevivência e reprodução sob condições ambientais extremas.

Fonte: CNN Brasil, adaptado pela equipe Cães&Gatos.