No dia 21 de junho começa oficialmente o inverno no Brasil. Essa estação, que acende alerta na saúde humana, também merece atenção durante o cuidado com cães e gatos, que estão mais susceptíveis ao desenvolvimento ou agravamento de algumas doenças.
As baixas temperaturas são capazes de alterar não apenas a rotina, como também a fisiologia dos animais, predispondo o surgimento de problemas de saúde comuns do período.
Por mais que pets de todas as idades devam receber uma atenção especial no inverno, alguns requerem um cuidado extra.
“Nesta época, a maior atenção deve ser dada a filhotes e idosos. Neonatos e filhotes ainda não possuem o centro termorregulador totalmente desenvolvido e têm pouca gordura de reserva térmica. Já no caso dos idosos, como eles sofrem com perda de massa muscular e desaceleração metabólica, a capacidade de gerar calor por meio de tremores musculares é diminuída”, explica Mariana Castelhano Diniz, médica-veterinária e analista técnica de marketing da Biofarm.
Ainda citando os idosos, a profissional comenta que o frio causa vasoconstrição periférica, diminuindo a perfusão sanguínea nas articulações e exacerbando os sintomas de osteoartrite e outras doenças articulares degenerativas. Essa situação faz com que o animal sinta mais dor e rigidez ao se movimentar.
Os cães e gatos de pelagem curta também requerem atenção especial, pois tendem a perder calor mais rápido para o ambiente. Para completar, cães de pequeno porte ficam com o corpo resfriado com muito mais facilidade que dos de grande porte.
Atenção ao sistema respiratório
Assim como acontece na saúde humana, as enfermidades respiratórias são as mais comuns em pets durante o inverno.
Segundo Marihá Vieira Perucchi, médica-veterinária especializada em Pneumologia veterinária, o inverno é uma estação complicada para a saúde respiratória de cães e gatos, principalmente para aqueles que já possuem histórico prévio de doenças nesse sistema.
“O ar frio e seco fragiliza o sistema imunológico e facilita a proliferação de vírus e bactérias. Além disso, as baixas temperaturas diminuem as defesas naturais dos animais, tornando-os mais suscetíveis a infecções respiratórias”, relata.
Outro ponto importante é que o ar frio e seco irrita as vias aéreas, principalmente traqueia e brônquios, diminuindo a capacidade de defesa e recuperação das mucosas.
“Isso pode causar o ressecamento das vias respiratórias e desencadear crises de tosse, espirros e inflamações, agravando quadros de asma felina e/ou bronquites crônicas”, cita.

As enfermidades infecciosas, como a traqueobronquite infecciosa canina – conhecida popularmente como tosse dos canis – e o complexo respiratório felino são comuns na estação. Podem acometer animais que frequentam lugares fechados, onde não há circulação de ar, ou espaços com grande concentração de pets, como creches, canis e abrigos.
Marihá esclarece que a traqueobronquite infecciosa canina é causada pelo vírus da parainfluenza e/ou pela bactéria bordetella bronchiseptica. Seu sinal clínico principal é a tosse seca, persistente e “engasgada”, que se agrava com o frio ou agitação.
“Já o complexo respiratório felino é causado, principalmente, pelo Herpesvírus felino. Os sinais clínicos são espirros frequentes, secreção nasal e ocular, conjuntivite e febre”, explica.
Dentre as doenças inflamatórias estão bronquite, asma e rinite, que afetam os brônquios e as cavidades nasais, respectivamente. Essas afecções são agravadas devido a queda da temperatura, o ressecamento do ar, a menor ventilação dos ambientes e o declínio da imunidade de cada animal.
“Todas essas enfermidades, se não tratadas corretamente, podem levar ao agravamento do quadro, causando pneumonia, rinossinusites e destruição das conchas nasais”, alerta a profissional.
Mudanças no comportamento e na respiração de cães e gatos são indicativos de que houve o agravamento ou surgimento de doenças respiratórias. Sinais clínicos recorrentes desse tipo de afecção são tosse constante, espirros frequentes, secreção nasal e ocular, dispneia, resistência a exercícios, perda de apetite, febre e mucosas cianóticas.

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