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Desafios da Odontologia em coelhos domésticos

Alimentação com alto teor de fibras e acompanhamento especializado previnem o hipercrescimento dentário, a má oclusão e complicações graves na saúde do pet

Desafios da Odontologia em coelhos domésticos
Por Raquel Naomi Tanaka Scaduto
19 de setembro de 2026

Os coelhos possuem uma dentição especializada, caracterizada pelo crescimento contínuo dos incisivos e dos dentes posteriores. Por esse motivo, o desgaste promovido pela mastigação é fundamental para manter o comprimento e a oclusão adequados dos dentes. 

Quando esse equilíbrio é comprometido, podem surgir alterações dentárias que dificultam a apreensão e a mastigação dos alimentos, comprometendo a ingestão adequada e desencadeando outras alterações sistêmicas e prejuízos à saúde do animal.

Os problemas dentários em coelhos domésticos apresentam alta casuística na clínica de pets não convencionais. Embora possam ter origem congênita ou traumática, a alimentação inadequada, especialmente aquela com baixo teor de fibras, é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento dessas alterações. 

O consumo insuficiente de alimentos fibrosos reduz o estímulo mastigatório e, consequentemente, o desgaste fisiológico dos dentes, favorecendo o hipercrescimento dentário.

Quando o desgaste dentário não ocorre de forma adequada, o crescimento contínuo dos dentes pode resultar em hipercrescimento e má oclusão, favorecendo o aparecimento de pontas, lesões na cavidade oral, dor, inflamação e infecções. 

Essas alterações podem evoluir de maneira silenciosa, fazendo com que os primeiros sinais passem despercebidos pelos responsáveis, que muitas vezes só percebem o problema quando o animal apresenta redução ou interrupção da alimentação, apatia e fraqueza. 

Anatomia e fisiologia dentária

Os coelhos possuem 28 dentes, não apresentam caninos e têm um diastema entre os incisivos e os dentes jugais (pré-molares e molares). Todos os dentes são elodontes e aradiculares, com crescimento contínuo ao longo da vida, tornando o desgaste durante a mastigação essencial. 

Os incisivos apreendem e cortam os alimentos, enquanto os dentes jugais realizam sua trituração. O desgaste ocorre principalmente pelos movimentos laterais da mandíbula, a uma taxa de aproximadamente 2 a 2,4 mm por semana.

coelhos
Avaliações periódicas e observação de alterações no apetite ajudam no diagnóstico precoce de más oclusões dentárias em coelhos (Foto: Reprodução)

Como identificar uma doença dentária?

Por serem animais que são naturalmente presas, os coelhos tendem a mascarar sinais de doença, podendo apresentar manifestações clínicas apenas quando a enfermidade está mais avançada. Os sinais variam conforme a gravidade da doença dentária e podem incluir:

  • Alterações na alimentação: anorexia, redução da ingestão, seletividade alimentar e dificuldade para apreender ou mastigar o alimento. A dor e a má oclusão podem levar o animal a preferir alimentos mais macios, reduzindo o consumo de feno; 
  • Alterações nas fezes: redução do volume, tamanho ou alterações na aparência, geralmente associadas à menor ingestão alimentar;
  • Sialorreia: umidade, perda de pelos ou pelos empastados na região do queixo, causada principalmente por dor e dificuldade de fechamento da boca;
  • Secreção nasal: pode ocorrer devido ao alongamento das raízes dos dentes superiores e à irritação dos seios nasais;
  • Pelos empastados nos membros anteriores: podem indicar que o animal está limpando secreções provenientes da boca, nariz ou olhos;
  • Epífora e exoftalmia: o crescimento das raízes dos dentes superiores pode comprimir o ducto nasolacrimal, causando lacrimejamento;
  • Aumento de volume facial: pode estar relacionado à formação de abscessos ou ao alongamento das raízes dentárias;
  • Bruxismo: o ranger dos dentes é um importante indicativo de dor;
  • Alterações na superfície de oclusão dos dentes jugais: podem indicar desgaste inadequado, crescimento excessivo e má oclusão.

Confira o artigo completo “Desafios da Odontologia em coelhos domésticos”, na íntegra e sem custo, acessando a página 60 da edição de agosto (nº 325) da Revista Cães e Gatos.

Referências: 

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