Os coelhos possuem uma dentição especializada, caracterizada pelo crescimento contínuo dos incisivos e dos dentes posteriores. Por esse motivo, o desgaste promovido pela mastigação é fundamental para manter o comprimento e a oclusão adequados dos dentes.
Quando esse equilíbrio é comprometido, podem surgir alterações dentárias que dificultam a apreensão e a mastigação dos alimentos, comprometendo a ingestão adequada e desencadeando outras alterações sistêmicas e prejuízos à saúde do animal.
Os problemas dentários em coelhos domésticos apresentam alta casuística na clínica de pets não convencionais. Embora possam ter origem congênita ou traumática, a alimentação inadequada, especialmente aquela com baixo teor de fibras, é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento dessas alterações.
O consumo insuficiente de alimentos fibrosos reduz o estímulo mastigatório e, consequentemente, o desgaste fisiológico dos dentes, favorecendo o hipercrescimento dentário.
Quando o desgaste dentário não ocorre de forma adequada, o crescimento contínuo dos dentes pode resultar em hipercrescimento e má oclusão, favorecendo o aparecimento de pontas, lesões na cavidade oral, dor, inflamação e infecções.
Essas alterações podem evoluir de maneira silenciosa, fazendo com que os primeiros sinais passem despercebidos pelos responsáveis, que muitas vezes só percebem o problema quando o animal apresenta redução ou interrupção da alimentação, apatia e fraqueza.
Anatomia e fisiologia dentária
Os coelhos possuem 28 dentes, não apresentam caninos e têm um diastema entre os incisivos e os dentes jugais (pré-molares e molares). Todos os dentes são elodontes e aradiculares, com crescimento contínuo ao longo da vida, tornando o desgaste durante a mastigação essencial.
Os incisivos apreendem e cortam os alimentos, enquanto os dentes jugais realizam sua trituração. O desgaste ocorre principalmente pelos movimentos laterais da mandíbula, a uma taxa de aproximadamente 2 a 2,4 mm por semana.

Como identificar uma doença dentária?
Por serem animais que são naturalmente presas, os coelhos tendem a mascarar sinais de doença, podendo apresentar manifestações clínicas apenas quando a enfermidade está mais avançada. Os sinais variam conforme a gravidade da doença dentária e podem incluir:
- Alterações na alimentação: anorexia, redução da ingestão, seletividade alimentar e dificuldade para apreender ou mastigar o alimento. A dor e a má oclusão podem levar o animal a preferir alimentos mais macios, reduzindo o consumo de feno;
- Alterações nas fezes: redução do volume, tamanho ou alterações na aparência, geralmente associadas à menor ingestão alimentar;
- Sialorreia: umidade, perda de pelos ou pelos empastados na região do queixo, causada principalmente por dor e dificuldade de fechamento da boca;
- Secreção nasal: pode ocorrer devido ao alongamento das raízes dos dentes superiores e à irritação dos seios nasais;
- Pelos empastados nos membros anteriores: podem indicar que o animal está limpando secreções provenientes da boca, nariz ou olhos;
- Epífora e exoftalmia: o crescimento das raízes dos dentes superiores pode comprimir o ducto nasolacrimal, causando lacrimejamento;
- Aumento de volume facial: pode estar relacionado à formação de abscessos ou ao alongamento das raízes dentárias;
- Bruxismo: o ranger dos dentes é um importante indicativo de dor;
- Alterações na superfície de oclusão dos dentes jugais: podem indicar desgaste inadequado, crescimento excessivo e má oclusão.
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