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Cão surdo é treinado para atender crianças com deficiência auditiva no interior de São Paulo

Colt, um filhote da raça blue heeler, está sendo preparado para atuar como cão terapeuta em projeto social de Ribeirão Preto

Cão surdo é treinado para atender crianças com deficiência auditiva no interior de São Paulo
Por Equipe Cães&Gatos
13 de janeiro de 2026

Aos 11 meses de idade, Colt já chama atenção não só pela energia e simpatia, mas também pela missão especial que tem pela frente.

O cão da raça blue heeler nasceu com surdez congênita e está sendo treinado para atender crianças com deficiência auditiva no projeto Doutor CãoPaixão, da ONG CãoPaixão, em Ribeirão Preto (SP).

O filhote chegou à instituição em 2025 e iniciou o adestramento há cerca de cinco meses. A expectativa é que, até 2027, ele esteja totalmente apto a atuar como cão terapeuta, promovendo inclusão, afeto e conexão com crianças que também se comunicam principalmente por meio do contato visual.

Treinamento adaptado à surdez

Mesmo sem ouvir, Colt já aprendeu comandos básicos como sentar, deitar, dar a pata, rolar e andar junto. Todo o processo é conduzido pelo adestrador Amauri Antônio dos Santos, que atua na área há mais de 30 anos e utiliza exclusivamente gestos visuais para se comunicar com o cão.

“Os exercícios seguem uma sequência, mas o aprendizado é um pouco mais lento por ele ser surdo. Tudo precisa ser muito visual”, explica Amauri.

Após dominar os comandos iniciais, Colt passará por uma nova etapa: o aprendizado de sinais inspirados na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Alguns gestos mais simples já fazem parte da rotina do filhote, como sinais que representam emoções, a exemplo do comando de “alegria”.

Cão surdo é treinado para atender crianças com deficiência auditiva no interior de São Paulo
Treinamento de Colt é feito através de comandos visuais (Foto: Reprodução)

Um cão terapeuta com rotina e propósito

Atualmente, a ONG abriga cerca de 30 cães em treinamento para atuação terapêutica. Colt é o único surdo do grupo, mas convive normalmente com outros animais, inclusive dividindo o canil com um cão ouvinte.

Os treinos acontecem três vezes por semana, com duração média de 20 a 30 minutos. Durante as atividades, Colt já utiliza um colete específico, que funciona como um “uniforme de trabalho”.

Segundo o adestrador, o acessório ajuda o cão a entender quando é hora de treinar e, futuramente, de realizar visitas terapêuticas.

“Quando ele coloca a roupinha, entende que está trabalhando. Isso traz foco e organização para o cão”, explica Amauri.

Surdez congênita e predisposição da raça

Colt nasceu com surdez congênita, uma condição hereditária relativamente comum em algumas raças. No caso do blue heeler, a incidência média é de cerca de 10%.

De acordo com a médica-veterinária Bianca Shimizu, o problema geralmente está na orelha interna, responsável pela audição e pelo equilíbrio.

“A estrutura externa pode ser perfeita, mas a interpretação do som no sistema nervoso não acontece”, explica.

Além do blue heeler, raças como dálmata, bull terrier, dogo argentino e bulldog francês branco também apresentam maior predisposição à surdez. Ainda assim, a condição pode afetar cães de qualquer raça.

Para Bianca, a proposta do projeto é especialmente simbólica.

“Adestrar um cão surdo para atender crianças surdas é algo sensacional. Esses cães se conectam muito pelo toque e pelo contato visual, o que cria uma troca extremamente rica”, afirma.

Fonte: G1, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre treinamento de cão surdo

Um cão surdo pode ser adestrado normalmente?

Sim. O treinamento é possível e eficaz, desde que seja feito com comandos visuais e reforço positivo.

Por que um cão surdo pode ajudar crianças com deficiência auditiva?

Porque ambos se comunicam principalmente por meio do olhar, dos gestos e do contato físico.

A surdez compromete a qualidade de vida do cão?

Não necessariamente. Com estímulos adequados e ambiente seguro, o cão pode ter uma vida plena e ativa.

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