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Por que preservar a proteção natural da pele é essencial para prevenir dermatopatias em cães e gatos?

Primeira linha de defesa, a barreira cutânea protege cães e gatos contra agentes externos e contribui para a saúde dermatológica

Conteúdo oferecido por Dechra
Por que preservar a proteção natural da pele é essencial para prevenir dermatopatias em cães e gatos?
Por Stéfani Campos Chagas
7 de agosto de 2026

A pele de cães e gatos desempenha muito mais do que uma função de revestimento. Ela atua como uma barreira natural contra alérgenos, microrganismos e outros agentes externos, além reduzir a perda transepidérmica de água (TEWL) e manter a hidratação da pele.

Quando essa estrutura perde sua integridade, a proteção diminui e aumenta a predisposição a diferentes dermatopatias, tornando o tratamento mais complexo e favorecendo a recorrência dos quadros clínicos.

Nos últimos anos, a Dermatologia Veterinária passou a compreender que a barreira cutânea não é apenas afetada pelas doenças de pele, mas também exerce papel importante no desenvolvimento e na manutenção dessas enfermidades.

Por isso, preservar sua integridade tem se tornado uma estratégia fundamental tanto na prevenção quanto no manejo de cães e gatos com problemas dermatológicos.

Segundo a médica-veterinária especializada em Endocrinologia de cães e gatos, mestre em Ciências e coordenadora técnica da linha PET da Dechra, Rafaele Pinhão, a barreira cutânea funciona como um sistema biológico responsável por controlar a permeabilidade da pele.

“Quando essa estrutura está íntegra, a pele mantém sua função de proteção e equilíbrio. Quando ocorre sua disfunção, ela deixa de atuar como uma barreira seletiva e passa a permitir a entrada de substâncias que desencadeiam inflamação”, afirma.

A primeira linha de defesa da pele

A barreira cutânea está localizada principalmente na camada mais superficial da pele, conhecida como estrato córneo. Sua eficiência depende da interação entre células da epiderme e uma matriz composta por lipídeos, responsável por manter a estrutura organizada e funcional.

Entre esses componentes, as ceramidas exercem papel de destaque ao ajudar na organização da barreira, reduzindo a perda de água pela pele e dificultando a entrada de agentes externos potencialmente prejudiciais.

Rafaele Pinhão, médica-veterinária especializada em Endocrinologia de cães e gatos, mestre em Ciências e coordenadora técnica da linha PET da Dechra (Foto: Cães&Gatos)
Rafaele Pinhão, médica-veterinária especializada em Endocrinologia de cães e gatos, mestre em Ciências e coordenadora técnica da linha PET da Dechra (Foto: Cães&Gatos)

Além delas, colesterol, ácidos graxos livres e proteínas, como a filagrina, também participam da manutenção da integridade da pele.

De acordo com Rafaele, todos esses elementos atuam em conjunto para preservar a função protetora da pele e impedir que substâncias nocivas atravessem essa primeira linha de defesa do organismo.

Fatores que comprometem a barreira cutânea

Embora a dermatite atópica seja uma das doenças mais conhecidas por comprometer a barreira cutânea, diversos outros fatores também podem prejudicar sua integridade.

Banhos excessivos, uso de produtos inadequados, predisposição genética, doenças hormonais, baixa umidade ambiental, infecções cutâneas, ectoparasitas e processos inflamatórios crônicos podem alterar a integridade da barreira cutânea, aumentar a sua permeabilidade e desencadear ou perpetuar quadros dermatológicos.

Quando isso acontece, a pele passa a perder mais água e fica mais suscetível à entrada de alérgenos, bactérias e outros agentes ambientais.

Conforme a médica-veterinária, esse processo desencadeia um ciclo que favorece o agravamento das doenças dermatológicas.

“A perda da integridade da barreira facilita a entrada de alérgenos, microrganismos e outros agentes ambientais. Isso predispõe a ativação da resposta inflamatória, intensifica o prurido e altera o microbioma cutâneo”, pontua.

Como consequência inflamação, coceira e lesões passam a se retroalimentar, aumentando a frequência das recidivas e favorecendo o aparecimento de infecções secundárias.

Sinais de alerta e a importância da prevenção

gato se coçando
A coceira persistente costuma ser um dos primeiros sinais de que a saúde da pele merece atenção (Foto: Reprodução / Magnific)

A coceira persistente costuma ser um dos primeiros sinais de que a saúde da pele merece atenção, mas está longe de ser o único.

Ressecamento, descamação, vermelhidão, lambedura excessiva, otites recorrentes e infecções cutâneas frequentes também podem indicar alterações dermatológicas que exigem avaliação do médico-veterinário.

Embora esses sinais não indiquem exclusivamente alterações da barreira cutânea, Rafaele explica que eles justificam uma investigação para identificar a causa do problema e definir o tratamento mais adequado.

Além do diagnóstico precoce, preservar a integridade da pele também é uma importante estratégia preventiva.

Entre os principais cuidados estão o uso de produtos dermatológicos apropriados, o controle rigoroso de ectoparasitas, o tratamento precoce das doenças alérgicas, a manutenção da hidratação cutânea e o acompanhamento periódico de pacientes predispostos às dermatopatias.

Recuperar a barreira também faz parte do tratamento

Nos casos de dermatite atópica e de outras doenças dermatológicas, controlar apenas a inflamação nem sempre é suficiente para interromper a evolução da doença.

Para Rafaele, a recuperação da barreira cutânea deve fazer parte do manejo desses pacientes, já que a alteração estrutural da pele permanece mesmo após a redução da inflamação.

“Controlar apenas a inflamação não corrige a alteração estrutural. Enquanto a barreira permanecer comprometida, a perda de água continuará aumentada e a penetração de alérgenos seguirá ocorrendo”, destaca.

Na prática, isso significa que restaurar a função da pele ajuda a reduzir um dos principais mecanismos envolvidos na perpetuação das dermatopatias e pode contribuir para diminuir novas crises ao longo do tempo.

A evolução dos estudos na área também modificou a forma como essas doenças passaram a ser compreendidas.

A veterinária esclarece que atualmente já se sabe que a disfunção da barreira cutânea participa ativamente da fisiopatologia da dermatite atópica e não representa apenas uma consequência da inflamação. Esse entendimento reforçou a importância do desenvolvimento de estratégias voltadas à recuperação da função da pele, associando o controle da inflamação ao fortalecimento da barreira cutânea.

Tecnologia auxilia na recuperação da barreira cutânea

Nos últimos anos, os avanços da Dermatologia Veterinária ampliaram a compreensão sobre a importância da barreira cutânea nas doenças alérgicas. Hoje, sabe-se que sua alteração não é apenas consequência da inflamação, mas também participa ativamente do desenvolvimento e da manutenção dessas enfermidades.

Esse conhecimento impulsionou a criação de estratégias voltadas à recuperação da função da pele, incluindo produtos que fornecem precursores necessários para a síntese de ceramidas.

Entre eles está a coleira Atopivet, da Dechra, que utiliza a tecnologia Biosfeen, baseada em esfingomielina, precursora metabólica das ceramidas.

Em vez de fornecer ceramidas prontas, o produto disponibiliza o substrato necessário para que a própria pele produza esses lipídeos, contribuindo para reorganizar sua estrutura protetora.

“A coleira Atopivet foi desenvolvida para favorecer a recuperação da barreira cutânea. Além disso, por ser uma coleira, garante hidratação contínua, facilitando a adesão das famílias ao tratamento e estressando menos o pet com aplicações tópicas constantes”, destaca Rafaele.

A profissional acrescenta que o produto pode integrar o manejo de diferentes doenças dermatológicas associadas ao comprometimento da barreira cutânea e também ser utilizado após o controle das crises, com o objetivo de preservar essa proteção e reduzir recorrências, sempre conforme a avaliação do médico-veterinário.

Atopivet da Dechra
O Atopivet age diretamente na barreira cutânea e é indicado para cães e gatos (Foto: Divulgação / Dechra)

Para ela, a evolução do conhecimento sobre a pele trouxe uma nova perspectiva para o tratamento das dermatopatias.

“Durante muitos anos, a maior preocupação no tratamento das dermatopatias alérgicas foi controlar o prurido e a inflamação. Hoje, entendemos que a recuperação da barreira cutânea também interfere diretamente na evolução desses pacientes”, cita.

Ela ainda ressalta que a adesão ao tratamento faz diferença nos resultados e propõe uma reflexão importante.

“Produtos de aplicação frequente podem ser esquecidos, utilizados de forma irregular ou interrompidos precocemente, comprometendo justamente a recuperação da barreira. Quando um pet apresenta recidivas frequentes, será que o problema está apenas na doença ou parte do tratamento deixou de ser realizado de forma consistente?”, questiona.

Dessa forma, estratégias que simplificam esse cuidado favorecem a adesão das famílias e aumentam as chances de que a recuperação da barreira cutânea realmente aconteça, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos animais.