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Cães que acolhem: projeto usa cãoterapia para apoiar atendimentos de pessoas com TEA

Iniciativa universitária integra diferentes áreas da saúde e utiliza cães como mediadores terapêuticos em atendimentos clínicos e educacionais

Cães que acolhem: projeto usa cãoterapia para apoiar atendimentos de pessoas com TEA
Por Equipe Cães&Gatos
23 de abril de 2026

Em um país com cerca de 2,4 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo o último censo do IBGE, cresce a busca por abordagens que promovam inclusão e bem-estar. 

Nesse cenário, iniciativas que integram diferentes áreas do cuidado ganham relevância — especialmente durante o mês de conscientização sobre o autismo.

Um exemplo é o projeto de extensão “Aumor de Cão”, desenvolvido pelo Centro Universitário Una, que utiliza cães como co-terapeutas em atendimentos clínicos, educacionais e sociais.

A iniciativa surgiu a partir da experiência da pós-doutora em imunologia, pesquisadora e professora da instituição, Ana Cristina Santos. Durante atuação voluntária no Centro de Atendimento e Inclusão Social (CAIS), em Contagem (MG), ela percebeu o impacto positivo da presença de seu cão nos atendimentos. 

“Eu costumava levar meu cachorro Thor para ‘acalmar’ as crianças autistas durante os períodos de crise e para potencializar a socialização e o engajamento nas aulas de música e de oficinas de arte”, explica.

A partir dessa vivência, foi estruturado um programa com equipe multiprofissional, reunindo professores das áreas de Medicina Veterinária, Fisioterapia, Psicologia e Odontologia.

Entre os resultados observados está o caso de Miguel, criança com TEA que conseguiu realizar a higiene bucal com mais tranquilidade durante atendimento mediado por um cão terapeuta. 

Já Nicolas, em reabilitação após a retirada de um tumor cerebral, encontrou nos animais um estímulo adicional para as sessões de fisioterapia.

Atualmente, o projeto atua em três frentes: visitas a instituições de longa permanência para idosos, fisioterapia assistida por cães e ações em escolas voltadas à socialização e ao desenvolvimento sensorial de crianças. A equipe conta com três cães terapeutas: Thor, Chico e Cold.

Cães como ponte para o vínculo terapêutico

Estudos científicos reforçam os benefícios da terapia assistida por animais. Pesquisa publicada pela revista MDPI indica que cerca de 84% das crianças e adolescentes com TEA apresentaram melhora na comunicação e na interação social com o apoio de cães.

No contexto do projeto, os animais atuam como mediadores entre paciente e profissional, facilitando a adesão a atendimentos que poderiam gerar resistência. 

Procedimentos odontológicos e sessões de fisioterapia, por exemplo, tornam-se mais acessíveis na presença dos cães.

“O cão não vai curar as dificuldades sociais, mas atua como um facilitador muito potente do vínculo”, explica o médico veterinário e professor da Una, Guilherme Henrique Costa Silva. Segundo ele, isso ocorre porque a interação com o animal simplifica a dinâmica social. 

“O cão oferece uma comunicação mais simples, direta, não julga e não exige respostas complexas. Isso reduz a ansiedade social e abre espaço para a interação”.

Do ponto de vista fisiológico, os efeitos também são relevantes. A interação com o animal pode estimular a liberação de ocitocina, associada à sensação de segurança e confiança, além de reduzir o cortisol, hormônio ligado ao estresse. 

Também há impacto positivo na frequência cardíaca, na pressão arterial e na ativação do sistema parassimpático, promovendo relaxamento.

O contato físico é outro fator importante. “O toque repetitivo, como acariciar o cão, ajuda a organizar emoções, reduzir a agitação e melhorar o foco”, complementa o veterinário.

Bem-estar animal é prioridade no projeto

A participação dos cães no “Aumor de Cão” segue critérios rigorosos para garantir segurança e bem-estar.

Segundo Guilherme, o processo começa com uma avaliação comportamental detalhada. 

“A gente verifica se o animal é reativo, se demonstra sinais de agressividade, se tolera bem o toque, se se assusta fácil ou se estressa com barulhos”, explica.

O objetivo é selecionar animais com temperamento equilibrado, baixa reatividade e capacidade de recuperação diante de estímulos inesperados. 

“Ele não pode reagir com agressividade nem medo exagerado. Precisa ter um comportamento previsível”, afirma.

Após essa etapa, os cães passam por avaliação clínica completa, incluindo exame físico e exames laboratoriais. 

“Eles precisam estar perfeitamente saudáveis para garantir que vão levar benefícios e não riscos. Fazemos exame físico, exames laboratoriais e, quinzenalmente, um parasitológico de fezes”, detalha.

Entre os cuidados exigidos estão vacinação atualizada, vermifugação, controle de ectoparasitas e higienização antes das atividades.

Serviço

Projeto “Aumor de Cão”
Solicitação de atendimento: ana.c.santos@animaeducacao.com.br

Fonte: Arvore, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre projeto de cãoterapia com autistas

O que é cãoterapia?

É uma intervenção terapêutica que utiliza cães treinados para auxiliar em tratamentos clínicos, educacionais ou sociais.

Cães realmente ajudam pessoas com TEA?

Sim, estudos indicam melhora na interação social, comunicação e redução da ansiedade com a presença dos animais.

Como os cães são preparados para esse tipo de atuação?

Eles passam por avaliações comportamentais e clínicas rigorosas, além de acompanhamento contínuo para garantir segurança e bem-estar.

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