Se para os jogadores um cartão vermelho significa expulsão de campo, para alguns alimentos consumidos durante os jogos da Copa do Mundo ele também deveria representar proibição absoluta quando o assunto é a alimentação de cães e gatos.
Em meio às reuniões entre amigos e familiares, é comum que alguém ofereça um pedaço de churrasco, um salgadinho ou até um doce ao pet como demonstração de carinho. No entanto, esse hábito pode desencadear problemas que vão desde desconfortos gastrointestinais até intoxicações graves e potencialmente fatais.
Além dos próprios responsáveis, convidados também costumam alimentar os animais sem saber que determinados ingredientes representam riscos importantes. Durante o clima descontraído da torcida, basta um descuido para que o pet tenha acesso a alimentos inadequados ou até a ossos, espetinhos e embalagens que podem causar engasgos e obstruções.
Segundo a médica-veterinária Rafaela Souza Sala, especializada em clínica médica de cães e gatos e nutrologia, muitos desses acidentes poderiam ser evitados com informação e prevenção.
“A maioria das pessoas oferece comida por carinho, mas desconhece que um simples petisco pode provocar desde distúrbios gastrointestinais e até intoxicações graves”, afirma.
Alimentos que merecem cartão vermelho
Nas confraternizações para acompanhar as partidas, alguns alimentos aparecem com frequência na mesa dos torcedores e, justamente por isso, acabam sendo oferecidos aos pets.
Entre os principais vilões estão churrasco, carnes temperadas, linguiças, embutidos, salgadinhos industrializados, pipoca com manteiga e sal, pizza, amendoins temperados, queijos, bolos, biscoitos, sobremesas, chocolates e alimentos preparados com cebola, alho, cebolinha ou adoçante xilitol.
Além dos alimentos, objetos como ossos, espetinhos e até embalagens representam perigo, pois podem provocar engasgos, perfurações ou obstruções intestinais.
Chocolate, cebola, alho, alho-poró, cebolinha, uvas, uvas-passas, bebidas alcoólicas, xilitol e macadâmia estão entre os ingredientes que exigem maior atenção. Alguns podem provocar intoxicações severas, enquanto outros favorecem alterações neurológicas, lesões renais ou sobrecarga do pâncreas, dependendo da quantidade ingerida e da sensibilidade do animal.
“Mesmo alimentos que não são considerados tóxicos, como carnes muito gordurosas, salgadinhos e embutidos, podem sobrecarregar o pâncreas e os rins devido ao excesso de gordura e sódio”, explica Rafaela.

Quando um petisco vira uma emergência
Nem sempre o problema está relacionado à toxicidade do alimento. Em muitos casos, basta que o pet consuma uma refeição muito gordurosa para desenvolver pancreatite aguda, doença que costuma provocar vômitos, dor abdominal intensa, febre, apatia e prostração.
“É comum atendermos casos de pancreatite após festas com churrasco, queijos e frituras. Além disso, mudanças bruscas na alimentação podem provocar gastroenterite, com diarreia, gases e bastante desconforto para o animal”, alerta a médica-veterinária.
A longo prazo, o hábito de compartilhar alimentos humanos também favorece obesidade, desequilíbrio nutricional e aumenta significativamente o risco de obstruções intestinais provocadas pela ingestão de ossos fragmentados ou embalagens.
Os sinais de alerta costumam aparecer entre duas e doze horas após a ingestão do alimento inadequado. Vômito, diarreia, salivação excessiva, dor abdominal, recusa de água e alimento, tremores, convulsões, sonolência, respiração ofegante, taquicardia, mucosas pálidas ou amareladas e urina escura estão entre os principais sintomas que exigem atendimento veterinário imediato.
“Ao suspeitar que o animal ingeriu algum alimento perigoso, o responsável não deve oferecer leite, óleo ou receitas caseiras, nem provocar o vômito sem orientação veterinária. O ideal é procurar atendimento imediatamente, informando o que foi ingerido, a quantidade aproximada e o horário da ingestão. Se possível, leve a embalagem do alimento, pois isso ajuda na identificação de ingredientes tóxicos”, orienta.
Pet na torcida
Nada disso significa que cães e gatos precisam ficar de fora da comemoração. Pelo contrário: eles podem participar da torcida desde que recebam alimentos próprios para sua espécie.
A recomendação é oferecer petiscos comerciais de boa procedência, respeitando a quantidade indicada para o peso e as condições de saúde do animal. Também podem ser utilizados frutas seguras, como maçã sem sementes e melancia sem caroços, além de legumes cozidos sem sal, como cenoura, abobrinha e chuchu.
Outra alternativa é congelar pequenas porções de ração úmida em forminhas de gelo, criando um “picolé” para o pet durante a partida, ou utilizar brinquedos recheáveis com patês específicos para cães e gatos.
A especialista também reforça que a prevenção de acidentes engloba orientar familiares e amigos antes mesmo de a reunião começar.
“Orientar os convidados com antecedência é a medida mais eficaz, porque a maioria oferece comida aos pets por desconhecimento, não por maldade. Vale avisar que o animal tem alimentação própria, mantê-lo em outro ambiente durante a refeição e até usar avisos divertidos para evitar que alguém ofereça petiscos sem autorização”, afirma.
Rafaela ressalta, ainda, que incluir o pet na torcida significa compartilhar o momento, e não a comida. A recomendação é preparar previamente um “kit torcedor”, com água fresca, alimentação habitual, petiscos próprios e um ambiente confortável para que o animal participe da confraternização com segurança.
“Torcer junto é lindo. Mas incluir não é dividir o prato, é dividir o momento. Um jogo da Copa passa em 90 minutos, mas uma pancreatite ou uma anemia hemolítica pode levar semanas de internação e até colocar a vida do animal em risco”, conclui
Com informação, prevenção e petiscos adequados para a espécie, cães e gatos também podem fazer parte da festa sem comprometer a saúde. O importante é lembrar que o melhor prêmio para o pet não é ganhar um pedaço do churrasco ou da pizza, mas aproveitar cada lance ao lado da família com segurança e bem-estar.

FAQ sobre alimentação dos pets na Copa do Mundo
Quais alimentos da Copa do Mundo nunca devem ser oferecidos aos pets?
Chocolate, cebola, alho, uvas, uvas-passas, bebidas alcoólicas, xilitol, carnes temperadas, embutidos, salgadinhos, doces e alimentos gordurosos estão entre os principais riscos para cães e gatos.
O que fazer se o pet comer um alimento tóxico?
Procure atendimento veterinário imediatamente. Não provoque vômito nem ofereça leite, óleo ou receitas caseiras. Se possível, leve a embalagem do alimento e informe a quantidade ingerida e o horário.
Como incluir cães e gatos na torcida de forma segura?
Ofereça petiscos específicos para pets, mantenha água fresca sempre disponível, preserve a alimentação habitual e oriente familiares e amigos para que não forneçam alimentos humanos aos animais durante a confraternização.
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