Compreender a biologia sensorial de cães e gatos tornou-se um pilar estratégico para a indústria de pet food. À medida que o setor avança no desenvolvimento de alimentos terapêuticos, ingredientes sustentáveis e fontes de proteínas alternativas, mapear os receptores gustativos das duas espécies é fundamental para garantir a aceitação dos produtos no mercado.
Uma revisão de literatura publicada na revista científica Advances in Small Animal Care reuniu décadas de estudos sobre palatabilidade e comprovou como a evolução moldou hábitos nutricionais opostos: os gatos atuam como carnívoros obrigatórios, enquanto os cães funcionam como carnívoros facultativos, contando com um sistema sensorial mais amplo e adaptável.
As principais diferenças gustativas entre cães e gatos
Em relação à percepção do sabor doce, os gatos perderam essa capacidade devido à inativação do gene Tas1r2, que se tornou um pseudogene ao longo de sua evolução. Os cães, por outro lado, preservaram receptores funcionais para o adocicado e demonstram preferência por esses compostos.
No que diz respeito ao umami, esse sabor assume o protagonismo entre os felinos, cujos receptores possuem uma estrutura única fortemente ativada por nucleotídeos de purina (como inosina 5′-monofosfato, abundante no atum). Nos cães, embora o umami seja detectado, ele é apenas uma parte de um sistema de sabor mais diversificado.
Quanto ao consumo de gordura, os gatos possuem o receptor GPR120, que detecta ácidos graxos livres diretamente pelo paladar. Já entre os cães, a atração por alimentos gordurosos é movida predominantemente pelo aroma e pelo olfato.
Por fim, no aspecto da sensibilidade ao amargo e do comportamento alimentar, os cães contam com 16 receptores para o sabor amargo, contra 12 a 13 nos gatos. Apesar disso, os felinos exibem maior neofobia alimentar — cautela ou rejeição ao se depararem com ingredientes novos ou dietas desconhecidas.

Desafios para a formulação industrial
A seletividade dos gatos exige que alimentos voltados para a espécie contenham ingredientes ricos em nucleotídeos, aminoácidos específicos e hidrolisados proteicos de alta atração sensorial.
Para os cães, a maior flexibilidade biológica concede mais liberdade aos formuladores na introdução de novos ingredientes, exigindo, contudo, um equilíbrio cuidadoso entre textura, aroma e sabor.
Fonte: Petfood Industry, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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