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Inovação e Mercado Pet Food

Como a biologia do paladar pet está redefinindo as rações do futuro

Pesquisas de palatabilidade revelam as bases evolutivas e sensoriais do paladar de felinos e caninos, orientando a formulação de dietas terapêuticas e o uso de proteínas alternativas no mercado pet

Como a biologia do paladar pet está redefinindo as rações do futuro
Por Equipe Cães&Gatos
26 de agosto de 2026

Compreender a biologia sensorial de cães e gatos tornou-se um pilar estratégico para a indústria de pet food. À medida que o setor avança no desenvolvimento de alimentos terapêuticos, ingredientes sustentáveis e fontes de proteínas alternativas, mapear os receptores gustativos das duas espécies é fundamental para garantir a aceitação dos produtos no mercado.

Uma revisão de literatura publicada na revista científica Advances in Small Animal Care reuniu décadas de estudos sobre palatabilidade e comprovou como a evolução moldou hábitos nutricionais opostos: os gatos atuam como carnívoros obrigatórios, enquanto os cães funcionam como carnívoros facultativos, contando com um sistema sensorial mais amplo e adaptável.

As principais diferenças gustativas entre cães e gatos

Em relação à percepção do sabor doce, os gatos perderam essa capacidade devido à inativação do gene Tas1r2, que se tornou um pseudogene ao longo de sua evolução. Os cães, por outro lado, preservaram receptores funcionais para o adocicado e demonstram preferência por esses compostos.

No que diz respeito ao umami, esse sabor assume o protagonismo entre os felinos, cujos receptores possuem uma estrutura única fortemente ativada por nucleotídeos de purina (como inosina 5′-monofosfato, abundante no atum). Nos cães, embora o umami seja detectado, ele é apenas uma parte de um sistema de sabor mais diversificado.

Quanto ao consumo de gordura, os gatos possuem o receptor GPR120, que detecta ácidos graxos livres diretamente pelo paladar. Já entre os cães, a atração por alimentos gordurosos é movida predominantemente pelo aroma e pelo olfato.

Por fim, no aspecto da sensibilidade ao amargo e do comportamento alimentar, os cães contam com 16 receptores para o sabor amargo, contra 12 a 13 nos gatos. Apesar disso, os felinos exibem maior neofobia alimentar — cautela ou rejeição ao se depararem com ingredientes novos ou dietas desconhecidas.

alimento cães e gatos
Pesquisas de palatabilidade mostram que a biologia sensorial de cães e gatos exige formulações nutricionais distintas para cada espécie (Foto: Reprodução)

Desafios para a formulação industrial

A seletividade dos gatos exige que alimentos voltados para a espécie contenham ingredientes ricos em nucleotídeos, aminoácidos específicos e hidrolisados proteicos de alta atração sensorial.

Para os cães, a maior flexibilidade biológica concede mais liberdade aos formuladores na introdução de novos ingredientes, exigindo, contudo, um equilíbrio cuidadoso entre textura, aroma e sabor.

Fonte: Petfood Industry, adaptado pela equipe Cães&Gatos.