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Petróleo em alta: custos de distribuição de produtos veterinários sobem até 10%

Elevação do valor dos combustíveis já pressiona frete, insumos e deslocamento de equipes, enquanto empresas do setor buscam eficiência para evitar repasses ao mercado

Petróleo em alta: custos de distribuição de produtos veterinários sobem até 10%
Por Stéfani Campos Chagas
20 de agosto de 2026

A alta do petróleo e dos combustíveis, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, já começa a pesar sobre os custos da distribuição de produtos veterinários.

No Grupo Natureza, os gastos logísticos cresceram aproximadamente 5,5% na operação de medicamentos e 10% na distribuição de rações, segundo Tássio Bueno, engenheiro civil, diretor executivo e sócio da empresa.

O efeito, porém, não se restringe ao transporte das mercadorias. A distribuidora também registra aumento em materiais utilizados no acondicionamento dos produtos e nas despesas para manter equipes comerciais em campo, mostrando como a elevação dos combustíveis pode se espalhar por diferentes etapas da cadeia.

“Quando falamos em alta do petróleo e dos combustíveis, estamos falando de uma pressão que atinge diferentes pontos da operação ao mesmo tempo: aumenta o custo de transportar a mercadoria, o custo dos insumos e também o custo de manter nossa equipe próxima dos clientes”, explica Bueno.

Frete de rações sente maior pressão

Na operação do Grupo Natureza, as principais frentes afetadas são o abastecimento dos centros de distribuição, as transferências de mercadorias e a chamada última milha, etapa que corresponde à entrega até o cliente. No caso das rações, o peso e o volume transportados contribuem para ampliar a pressão sobre o transporte.

As transportadoras também sentem os efeitos do cenário e podem revisar os valores cobrados diante do aumento das despesas com combustíveis, um dos componentes de sua estrutura de custos.

“Temos mantido um diálogo próximo com nossos parceiros, buscando entender esses movimentos e trabalhar conjuntamente por eficiência. Nosso objetivo é evitar que aumentos de custos sejam simplesmente transferidos de uma etapa para outra da cadeia”, afirma o executivo.

Alta chega a insumos e equipes

O petróleo também está presente em materiais utilizados na rotina de distribuição, como filmes stretch e shrink, embalagens plásticas, sacarias, plástico-bolha, fitas e adesivos.

A frota é outra frente afetada, com itens como pneus, borrachas, lubrificantes e peças plásticas.

Um exemplo citado pelo Grupo Natureza é o isopor utilizado no acondicionamento e transporte de determinados produtos, que teve aumento de aproximadamente 32% no custo para a empresa.

“Na prática, o aumento dos combustíveis influencia o custo de praticamente tudo que chega até nós, porque produtos, insumos, embalagens e materiais precisam ser transportados em alguma etapa da cadeia. Já temos percebido fornecedores repassando parte desses aumentos para os seus preços”, diz Bueno.

A estrutura de atendimento aos clientes também ficou mais cara. Considerando combustível, pedágios, alimentação, hospedagem e utilização dos veículos, a empresa estima um aumento de aproximadamente 6% no custo de manter representantes, promotores e supervisores em campo.

“Não ficou mais caro somente levar o produto até o cliente. Também ficou mais caro levar as pessoas até o cliente”, resume.

produtos veterinários
Custos logísticos na distribuição de produtos veterinários sofrem pressão devido às oscilações internacionais do petróleo (Foto: Reprodução)

Eficiência vem antes de repassar custos

Para reduzir os efeitos da alta, o Grupo Natureza tem investido em eficiência operacional.

Entre as medidas estão a melhoria de rotas, maior ocupação dos veículos, planejamento das entregas, redução de deslocamentos desnecessários e negociação com fornecedores e transportadoras.

Na equipe comercial, a empresa busca organizar melhor os roteiros para agrupar visitas e aumentar a produtividade de cada deslocamento. Tecnologia e dados também são utilizados no planejamento de estoques, entregas, rotas e visitas.

“Quando você tem aumentos de 5,5% na logística de medicamentos, 10% em rações, 32% em um insumo, como o isopor, e aproximadamente 6% estimados no custo da equipe em campo, não existe uma única ação capaz de compensar tudo. É preciso buscar produtividade em várias frentes”, explica.

Combustíveis podem pressionar preços

Caso a elevação dos custos permaneça por um período prolongado, o eventual repasse aos clientes não está descartado. A estratégia da empresa, porém, é esgotar primeiro as possibilidades de ganho de eficiência.

“Nosso entendimento é que o repasse ao cliente deve ser a última alternativa depois de esgotarmos as possibilidades de ganho de eficiência, melhoria de rotas, aumento de produtividade, negociação com fornecedores e transportadoras e redução de desperdícios”, pontua Bueno.

Para Tássio, o desafio será equilibrar nível de serviço, competitividade e rentabilidade sem comprometer a sustentabilidade da operação.

“Se esses aumentos acabarem chegando ao consumidor final, eles reduzem ainda mais o orçamento disponível das famílias, que já precisa ser dividido entre diversas despesas essenciais. Isso é ruim para todos: para o consumidor, para o varejo, para os distribuidores e também para a indústria, porque pode reduzir o consumo e pressionar ainda mais toda a cadeia”, analisa.

Apesar do cenário, Bueno mantém uma avaliação positiva sobre o mercado veterinário, que considera resiliente e com espaço para crescimento. Para ele, a resposta estará cada vez mais relacionada à profissionalização e ao uso de tecnologia.

“Acredito que o distribuidor do futuro será cada vez menos uma empresa que simplesmente movimenta mercadoria e cada vez mais uma empresa de tecnologia, inteligência, eficiência e prestação de serviço”, projeta.

O que diz a ANP

Procurada pela Cães&Gatos, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que o Brasil adota, desde janeiro de 2002, o regime de liberdade de preços. Nesse modelo, cada agente econômico estabelece suas margens de comercialização e seus preços de venda em um cenário de livre concorrência.

Segundo a agência, os valores dos combustíveis são influenciados por diversos fatores, como custos de aquisição, margem líquida de remuneração, despesas operacionais (incluindo salários, instalações e frete), impostos e o padrão de concorrência existente em cada mercado.

A ANP acompanha os preços em todos os elos da cadeia de abastecimento, incluindo produção e importação, distribuição e revenda.

Sobre os efeitos do conflito no Oriente Médio nas cotações internacionais do petróleo, a agência informou que o Brasil instituiu, por meio de medidas provisórias, subvenções para alguns produtos com o objetivo de mitigar os impactos econômicos da volatilidade internacional dos preços.