Do campo às fábricas, a produção de alimentos para animais de estimação depende de uma estrutura altamente integrada. Quando eventos climáticos extremos afetam esse sistema, os reflexos vão além da agricultura e alcançam o fornecimento de matérias-primas, a logística, os custos de produção e a competitividade do setor.
Entre os fenômenos que despertam maior atenção está o El Niño, especialmente diante da possibilidade de ocorrência de um episódio de forte intensidade, popularmente chamado de Super El Niño.
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões.
No Brasil, seus efeitos costumam provocar estiagens no Norte e Nordeste, chuvas intensas no Sul e ondas de calor no Centro-Oeste e Sudeste, influenciando diretamente a produção agropecuária.
Para Ariovaldo Zani, CEO do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), um episódio de forte intensidade tem potencial para gerar impactos em diferentes etapas da produção.
“Esse episódio pode alterar diretamente a produção agropecuária, afetando lavouras, disponibilidade de água, qualidade das matérias-primas, logística e custos industriais”, afirma.

Segundo o executivo, o fenômeno também tende a elevar os preços agropecuários e os gastos com energia empregados em processos como moagem, extrusão, secagem, embalagem, refrigeração, climatização e armazenagem, pressionando a fabricação de alimentos para animais de estimação.
Matérias-primas sob pressão
Milho, sorgo, soja, farelo de soja, trigo, arroz, além de farinhas e gorduras de origem animal, estão entre os ingredientes mais vulneráveis aos efeitos do El Niño.
Oscilações na oferta e nos preços desses insumos podem pressionar a indústria e exigir ajustes técnicos nas formulações.
Embora a substituição de ingredientes seja uma alternativa em momentos de escassez, ela exige critérios rigorosos para preservar a qualidade dos alimentos.
“A eventual substituição de um ingrediente por outro precisa assegurar o equilíbrio nutricional, a digestibilidade, a segurança, a palatabilidade e a estabilidade do alimento”, explica Zani.

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