Há séculos, os seres humanos convivem com os animais, mas nunca a relação foi tão íntima. Por mais que essa conexão traga uma série de benefícios físicos e emocionais, também facilita a transmissão de zoonoses.
O termo “zoonose” foi criado pelo médico alemão Rudolf Virchow em 1880 para se referir a doenças infecciosas transmitidas naturalmente, via contato direto ou indireto, de um animal vertebrado para o ser humano

As enfermidades zoonóticas podem ser causadas por diferentes patógenos, dentre eles, bactérias, vírus, parasitas e fungos, correspondendo a mais de 60% do total das doenças que acometem o ser humano.
Dada a relevância das afecções transmitidas entre pessoas e animais, foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o Dia Mundial das Zoonoses, celebrado em 6 de junho.
A data não foi estabelecida à toa e serviu como uma forma de comemorar o dia em que o cientista francês Louis Pasteur aplicou, com sucesso, a primeira vacina antirrábica em 1885.
Para entender um pouco do cenário atual das zoonoses no Brasil e seu impacto na saúde humana e animal, conversamos com Fernando Ferreira, médico-veterinário, mestre e doutor em saúde pública na área de concentração em epidemiologia pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).
O profissional também possui pós-doutorado pelo Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (Itália) e pela Colorado State University (EUA), foi coordenador geral de prevenção e vigilância em saúde animal no Ministério da Agricultura e atualmente é professor titular de Epidemiologia na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP).
