O marketing de alimentos para cães e gatos ocupa uma posição singular no mercado de consumo.
Diferentemente de outros produtos, a decisão de compra é tomada por humanos, mas o consumidor final é o animal de estimação.
Esse cenário exige uma comunicação que combine credibilidade científica, clareza nas informações e conexão emocional com os responsáveis.
Se um produto comum não cumpre exatamente o que promete, o impacto costuma ser pequeno. Já na alimentação animal, promessas inadequadas podem afetar diretamente a saúde dos pets.
Por isso, o setor exige estratégias que conciliem evidência técnica e narrativas capazes de dialogar com as preocupações dos responsáveis.
“A comunicação sobre nutrição para pets é única porque o animal não consegue dizer o que quer, precisa ou gosta”, afirma Nicole Sumner, líder de marketing de marca e conteúdo da Pet Honesty.
Comunicação precisa traduzir ciência em linguagem acessível
Para especialistas em marketing do setor pet, a estratégia costuma começar pela identificação do problema enfrentado pelos responsáveis.
“Por exemplo, a saúde dental é uma grande preocupação, mas muitas pessoas não têm tempo ou disposição para escovar os dentes dos pets todos os dias. Por isso, a comunicação precisa considerar essa realidade e mostrar como o produto se encaixa na rotina, e não apenas explicar o que ele é”, explica Riley Block, executiva da The Tropical Agency.
Segundo profissionais da área, a clareza nas mensagens é essencial para gerar confiança. Em categorias como alimentação crua, por exemplo, muitos responsáveis consideram o tema complexo ou caro.
Nesse caso, a comunicação precisa mostrar que até pequenas mudanças na dieta podem trazer benefícios, sem recorrer a promessas exageradas.
Responsável decide, mas quem consome é o animal
Outro desafio do marketing de pet food é que o comprador nunca é o consumidor final. A avaliação do produto depende da percepção do responsável sobre saúde, comportamento e aceitação do alimento pelo animal.
“O marketing de alimentos para pets é uma das categorias mais emocionalmente complexas, porque quem decide a compra nunca é quem vai comer o produto”, afirma Chondita Dayton, diretora de marketing da Spot & Tango.
Nesse contexto, especialistas apontam que responsáveis costumam agir de forma semelhante a pais de crianças pequenas: analisam rótulos com atenção, pesquisam ingredientes e buscam recomendações profissionais antes de escolher um alimento.
Evidência científica e transparência são fundamentais
Além da conexão emocional, as marcas precisam demonstrar responsabilidade ao comunicar benefícios nutricionais.
“Para nós, o principal é equilibrar as exigências regulatórias e evitar promessas exageradas”, explica Jane Peh, cofundadora da The Woof Agency.
Segundo ela, algumas empresas podem correr riscos ao sugerir efeitos terapêuticos ou prometer resultados que não são comprovados por estudos científicos ou aprovados pelos órgãos reguladores.
Por isso, a recomendação é focar em informações verificáveis, explicando de forma simples quais ingredientes estão presentes no produto, por que foram incluídos e quais resultados podem ser realisticamente esperados.
Mudança de marca exige construção gradual de confiança
A jornada de compra no mercado de pet food costuma ser mais longa do que em outras categorias.
Segundo especialistas, consumidores frequentemente entram em contato com uma marca entre cinco e sete vezes antes de realizar a primeira compra. Nesse processo, a comunicação precisa cumprir diferentes funções: apresentar o produto, construir confiança e fornecer evidências de qualidade.
Outro desafio é que muitos responsáveis demonstram resistência em trocar a alimentação principal do animal, principalmente por receio de problemas digestivos ou rejeição do alimento.
“É difícil fazer com que responsáveis mudem a alimentação do pet, especialmente quando se trata da dieta principal”, afirma Jane Peh.
Por isso, estratégias como educação nutricional, programas de experimentação e recomendações profissionais são utilizadas para reduzir a percepção de risco e incentivar a mudança.
Fonte: Pet Food Industry, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre marketing de pet food
Por que o marketing de alimentos para pets é diferente de outros produtos?
Porque quem decide a compra é o responsável, enquanto o consumidor final é o animal, o que exige comunicação baseada em confiança e evidências.
O que os responsáveis buscam ao escolher um alimento para pets?
Informações claras sobre ingredientes, benefícios nutricionais comprovados e recomendações confiáveis.
Por que muitos responsáveis resistem a trocar a ração do pet?
A escolha envolve confiança, rotina alimentar e preocupação com possíveis impactos na saúde ou digestão do animal.
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