Muito se fala sobre as hemoparasitoses em cães, mas existe um protozoário transmitido de carrapatos para gatos que tem chamado a atenção na Medicina Felina.
O Cytauxzoon é um protozoário intracelular que infecta as células sanguíneas. Nos últimos anos, houve um aumento do número de animais infectados, colocando a cytauxzoonose em evidência.
“O aumento na identificação de gatos infectados ocorreu, principalmente, devido à maior utilização de técnicas moleculares, como o PCR. Além disso, sabemos hoje que a doença apresenta características diferentes conforme a espécie do parasito e a região geográfica”, explica Polyana Paixão, médica-veterinária especializada em Medicina Felina e Oncologia e mestre em ciência animal.
Essa é uma enfermidade potencialmente fatal e atualmente no mundo são descritas cinco espécies do agente etiológico: Cytauxzoon felis, que ocorre nas Américas; Cytauxzoon europaeus, Cytauxzoon banethi e Cytauxzoon otrantorum, mais comuns na Europa, e Cytauxzoon manul, encontrada na Ásia¹.
A transmissão acontece através da picada de carrapatos infectados. Já a transmissão direta entre gatos não está comprovada como uma via importante de disseminação.
Polyana comenta que, apesar de o carrapato ser considerado o principal vetor, ainda existem aspectos do ciclo epidemiológico do Cytauxzoon no Brasil que precisam ser melhor esclarecidos.

Variedade de espécies é um desafio
Pesquisas mostram que existem diferentes genótipos ou espécies relacionadas ao gênero Cytauxzoon circulando no país. O problema é que essas diferenças podem influenciar o comportamento do parasito, incluindo sua patogenicidade.
“A cytauxzoonose já foi identificada em diversas regiões brasileiras. Entretanto, a real prevalência ainda não é totalmente conhecida, principalmente porque muitos gatos podem estar infectados sem apresentar sinais clínicos ou porque a doença ainda pode ser subdiagnosticada”, afirma a médica-veterinária.
Inclusive, estudos demonstram frequência mais elevada de animais positivos em determinadas regiões, especialmente naquelas onde há maior contato entre gatos domésticos, felinos silvestres e carrapatos.
Outra característica da doença é que os felinos silvestres têm um papel muito importante na manutenção do Cytauxzoon na natureza, funcionando como reservatórios do agente.
“Os gatos domésticos podem se infectar e também atuar como portadores, contribuindo para o ciclo epidemiológico”, cita.
Carrapatos dos gêneros Dermacentor variabilis e Amblyomma americanum são os únicos com evidência de participação no ciclo epidemiológico ou com, pelo menos, capacidade de transmissão de Cytauxzoon. No entanto, esses resultados são referentes aos Estados Unidos, não se tendo completa ciência de quais vetores estão envolvidos na transmissão da enfermidade no Brasil².
Assim como acontece com muitas doenças, o principal fator de risco para a transmissão da cytauxzoonose é o acesso de gatos à rua ou ambientes externos, principalmente em áreas com presença de carrapatos e de felinos silvestres.
Já pensando em prevenção, a ausência de controle adequado de ectoparasitas aumenta significativamente o risco de infecção.
Referências:
ROSA, Daniela de Cássia; RODRIGUES, Letícia Aparecida Alves. Explorando o universo da cytauxzoonose e suas implicações: uma revisão de literatura. Campo Limpo Paulista, 2023.
DUARTE, Matheus Almeida. Revisão bibliográfica: infecção de Cytauxzoon spp em felinos domésticos. Brasília, DF: Universidade de Brasília, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2022.

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