A conservação da fauna brasileira não depende apenas de proteger os animais individualmente. É preciso garantir a eles ambientes capazes de oferecer alimento, abrigo, áreas para reprodução e conexão com outros territórios.
Hoje, no Dia de Defesa da Fauna (22/09), o alerta se volta justamente para um dos principais desafios enfrentados pelos animais silvestres: a perda e a fragmentação dos habitats.
Para Gustavo Figueirôa, biólogo e diretor de comunicação do Instituto SOS Pantanal, a data é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre a relevância da fauna nos ecossistemas.
“A fauna silvestre tem papel essencial na regulação dos ciclos ecológicos no mundo. Então, chamar atenção para eles em especial é muito importante”, destaca.
Perda de habitat é uma das principais ameaças
O avanço do desmatamento e da degradação ambiental reduz os espaços disponíveis para a fauna e coloca em risco a sobrevivência, a expansão e o crescimento populacional de diversas espécies.
Segundo Figueirôa, esse cenário representa atualmente um dos maiores desafios para a conservação. A fragmentação dos habitats também interfere diretamente na dinâmica das populações.
Com menos áreas disponíveis, os animais passam a competir mais intensamente pelos recursos restantes, enquanto a distância entre os fragmentos dificulta o deslocamento e a reprodução.
“Perdem-se recursos, conectividade e, com isso, a variabilidade genética. Quanto menos áreas os animais têm, menos áreas de vida eles possuem e mais competem dentro dos poucos espaços que sobram”, explica.

Conectividade ajuda a manter populações
A existência de áreas preservadas isoladas nem sempre é suficiente para garantir a conservação das espécies.
Para que as populações possam se deslocar, encontrar parceiros e ocupar novos territórios, é necessário manter a conexão entre diferentes fragmentos de vegetação.
Essa conectividade também favorece a troca genética entre indivíduos de diferentes populações, o que contribui para a diversidade genética e para a capacidade de adaptação das espécies.
Para o biólogo, o problema central está justamente na disponibilidade de território.
“Hoje em dia, o grande problema da fauna, eu diria, é a falta de espaço. A gente sabe como soltar os bichos e que eles têm uma boa capacidade de se recuperar em condições adequadas, mas o que falta é espaço seguro para se conectarem com outras áreas”, afirma.
Nesse contexto, a criação e manutenção de corredores ecológicos pode contribuir para que os animais transitem de forma mais segura entre áreas naturais, ampliando seus territórios e possibilitando a reprodução.
Mudanças climáticas aumentam a pressão
A perda de habitat também torna a fauna mais vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas.
Secas, queimadas e outros eventos extremos acrescentam novas pressões sobre populações que já enfrentam dificuldades para encontrar alimento, abrigo e locais adequados para reprodução.
“Eles agravam porque estão colocando uma pressão a mais no crescimento populacional dessas espécies, que já são muito ameaçadas. Seca, fogo e tudo isso diminui a resiliência desses animais que sofrem uma grande pressão pela fragmentação”, ressalta Figueirôa.
A combinação desses fatores pode dificultar também a recuperação de populações afetadas e aumentar o risco de desaparecimento local de espécies, principalmente quando os ambientes remanescentes são pequenos e isolados.

Conservação depende de ações conjuntas
Para fortalecer a proteção da fauna brasileira, o biólogo defende uma atuação integrada entre poder público, sociedade e instituições de conservação. Dentre as prioridades está a criação de corredores que conectam áreas naturais e permitam a movimentação segura dos animais.
“Precisamos agir em conjunto, pensar em uma conexão de habitats, criar corredores para que essas espécies possam transitar de forma segura, ter uma troca genética e expandir sua área de vida”, pontua.
Além das ações de conservação no território, Figueirôa destaca a importância de políticas públicas, legislação adequada e conscientização. Nesse cenário, a sociedade também exerce um papel importante, inclusive por meio das escolhas de seus representantes políticos.
A defesa da fauna, portanto, passa pela proteção dos ambientes onde os animais vivem. Preservar áreas naturais, recuperar regiões degradadas e manter a conectividade entre os habitats são medidas fundamentais para que as espécies tenham espaço para sobreviver, se reproduzir e manter populações geneticamente diversas.

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