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Dia Nacional da Adoção: data serve de alerta para superlotação em ONGs de pets

Período também funciona como aviso para o acolhimento responsável e apoio aos abrigos de animais

Dia Nacional da Adoção: data serve de alerta para superlotação em ONGs de pets
Por Rebecca Vettore
25 de maio de 2026
Última atualização: 25/05/2026 - 18:02

Comemorado no dia 25 de maio, o Dia Nacional da Adoção serve tanto para incentivar a ação quanto para chamar atenção para a realidade desse tipo de acolhimento no país.

Consideradas uma das principais responsáveis pela adoção de pets no Brasil, as organizações não governamentais (ONGs) vivem um cenário crítico de superlotação.

Estimativas apontam que existam milhões de cães e gatos em situação de abandono no país, enquanto as ONGs operam acima da capacidade, muitas vezes, dependendo exclusivamente de doações para manter resgates, alimentação e tratamentos veterinários.

“O que vemos é um ciclo contínuo: novos abandonos acontecem diariamente, enquanto as adoções não acompanham esse volume. Grande parte dos animais chega aos abrigos após situações de maus-tratos ou negligência e muitos ainda adotam sem entender que um pet exige estrutura, responsabilidade financeira, emocional e tempo de dedicação’’, conta Marília Lima, responsável técnica do Instituto Caramelo.

Além disso, segundo Marília, os abrigos vivem lotados porque o número de abandonos ainda é muito maior do que o de adoções e faltam políticas públicas eficientes de castração e educação sobre guarda responsável.

Por não entenderem o que um animal adotado requer muitos cuidados, diversos responsáveis devolvem o pet para as ONGS. Só em 2025, 11% dos cães e gatos adotados no Instituto Caramelo foram devolvidos.

A responsável técnica relata que, entre os principais motivos desse retorno, estão a falta de adaptação à rotina, questões financeiras, mudanças de residência, chegada de filhos, comportamento do animal ou expectativas irreais sobre o que significa ter um pet.

“Por isso, o processo de adoção responsável é tão importante. Mais do que ‘entregar’ um cachorro ou gato, o Instituto Caramelo busca garantir compatibilidade entre o perfil da família e do animal de estimação. Temos conversas transparentes, fazemos entrevistas e questionários, para ajudar a reduzir as devoluções’’, diz.

adoção pet
Antes de tomar qualquer decisão relacionada à adoção, lembre-se que esse é um compromisso de longo prazo (Foto: Reprodução)

Tempo e paciência são fundamentais

Quem deseja adotar deve ter em mente que a adaptação leva tempo, afinal um animal resgatado pode ter traumas, medos e necessidades específicas, e isso exige paciência e compromisso.

Além disso, o acolhimento é uma decisão de longo prazo. Por isso, antes da ação, a pessoa precisa entender que um pet demanda gastos com alimentação, vacinas, consultas veterinárias, medicamentos e higiene, e precisa de espaço e momentos de convivência.

“O ato não pode ser impulsivo e nem motivado apenas pela emoção do momento. É importante lembrar que os animais não são objetos descartáveis, eles sentem medo, ansiedade, criam vínculos e dependem integralmente dos seus cuidadores. Pense bem antes de pegar um bicho de estimação’’, explica Marília.

Uma história de acolhimento 

Elaine Silva é uma das pessoas que celebra bastante o Dia Nacional da Adoção. Nascida em São Paulo, a advogada de 39 anos é dona de três animais adotados, as cachorras Maya e Lili, e o gato Bless, e é voluntária no Instituto Caramelo desde 2022.

“Eu sempre tive muito amor pelos animais. Desde a infância tinham pets na minha casa e depois de adulta resolvi adotar os meus. Em 2016 adotei uma cachorra e em 2020 meu primeiro gato. Sempre fui militante da adoção, por isso nunca pensei em comprar nenhum pet’’, relembra a paulistana.

Na pandemia, em isolamento sem ver outro ser humano, eles foram um grande consolo para Elaine. Como voluntária, ela participa de feiras de adoção e de castração e vê uma infinidade de animais em situação de rua e de maus tratos.

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Elaine Silva com as cachorras adotadas (Foto: Divulgação)

“A gente torce para que um dia essa condição acabe, mas para isso aconteça ainda há um longo caminho que deve ser percorrido pela frente e envolve conscientização. Posso dizer que adotar vai muito além de amor, é preciso ter bastante responsabilidade e entender que aquele pet vai viver por 15, 20 anos e você vai precisar cuidar dele por todo esse tempo’’, diz a advogada.

Apesar de deixar a rotina da paulista bem cheia e trazer mais gastos para seu dia a dia, acolher seus companheiros mudou sua a vida.

“O amor que recebo deles é minha maior recompensa e se me perguntassem se eu adotaria eles novamente, eu diria que adotaria que sim outras mil vezes’’, finaliza a voluntária.

Se você quiser ajudar os abrigos, pode contribuir com doações financeiras, ração, medicamentos, produtos de limpeza e itens de uso diário dos animais. Também pode ser voluntário e divulgar campanhas das ONGs em suas redes sociais.

Para finalizar, Marília deixa um recado: Castre seus próprios pets, denuncie maus-tratos e apoie iniciativas de proteção animal.

FAQ sobre Dia Nacional da Adoção

Por que as ONGs de pets estão superlotadas?

Os abrigos recebem diariamente novos animais abandonados, enquanto o número de adoções não acompanha esse volume. Além disso, a falta de políticas públicas de castração e educação sobre guarda responsável também agrava o problema.

Quais são os principais motivos para devolução de cães e gatos adotados?

Entre os motivos estão dificuldades de adaptação à rotina, questões financeiras, mudança de residência, chegada de filhos, comportamento do animal e expectativas irreais sobre ter um pet.

O que deve ser considerado antes de adotar um cachorro ou gato?

A ação exige paciência, compromisso de longo prazo, gastos com alimentação, vacinas, consultas veterinárias, medicamentos, higiene, espaço e tempo de convivência.