Após mais de quatro décadas habitando o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), o elefante Sandro viveu um final de semana atípico marcado pela mobilização do público.
Visitantes e moradores locais realizaram manifestações no recinto do animal pedindo a sua permanência na cidade e demonstrando preocupação com os impactos da viagem de transferência até o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (MT).
Com idade estimada em 54 anos e vivendo no parque paulista desde 1982, o paquiderme tornou-se o centro de um debate sobre bem-estar e segurança no transporte de animais sêniores. Os frequentadores argumentam que a longa jornada terrestre de aproximadamente 1.615 quilômetros (com duração prevista de dois dias e meio) pode apresentar riscos à saúde de Sandro.
Treinamento na caixa especial e planejamento sem data fixa para partida
Apesar dos protestos no parque, a equipe técnica deu início aos protocolos de preparação para o deslocamento. Um marco importante ocorreu no sábado quando Sandro entrou voluntariamente na caixa metálica de transporte instalada dentro do seu recinto.
A estrutura pesa cerca de 10 toneladas, possui cinco metros de comprimento por 3,5 metros de altura e conta com janelas de ventilação, além de controle e monitoramento térmico.
A aproximação inicial ocorreu por curiosidade do próprio animal. Segundo o presidente do SEB, Raphael Bontempi Ferreira, e o veterinário responsável pelo zoológico, André Costa, embora alterações na rotina do espaço causem estranhamento inicial, o progresso da ambientação tem sido positivo.
O processo utiliza técnicas de reforço positivo para garantir que o elefante associe o contêiner a um ambiente seguro.
A estimativa dos especialistas é de que a fase de adaptação à caixa leve entre cinco e sete dias, podendo se estender caso haja necessidade. A estrutura permanece aberta no recinto para que o animal possa entrar e sair espontaneamente.
Nas próximas etapas, a equipe observará o comportamento de Sandro ao permanecer no módulo com as portas fechadas por períodos determinados.
A viagem rodoviária só será autorizada quando a equipe avaliar que o estado clínico e comportamental do animal está plenamente estabilizado, prevendo acompanhamento veterinário ininterrupto, suporte para medicação e paradas programadas.

Disputa judicial e o novo habitat em Chapada dos Guimarães
A transferência de Sandro para Mato Grosso é desfecho de uma disputa judicial que se estende há anos entre a Prefeitura de Sorocaba e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
O debate sobre o isolamento do animal se intensificou após a morte da elefanta Haisa, em 2020, com quem Sandro dividiu o recinto por cerca de duas décadas. Desde a perda da companheira, ele vive sem a presença de outros indivíduos da mesma espécie.
Em junho deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) autorizou o envio do animal ao santuário mato-grossense com base em perícias técnicas sobre a qualidade de vida do paquiderme.
Embora a Prefeitura de Sorocaba tenha apresentado novos recursos para tentar reverter a decisão e manter o animal no município, os preparativos para o envio seguem em andamento até que haja eventual determinação em contrário.
O destino final planejado para Sandro é o Santuário de Elefantes Brasil, uma instituição socioambiental sem fins lucrativos instalada em Chapada dos Guimarães. O local possui áreas amplas voltadas exclusivamente para a recuperação e convivência de elefantes resgatados do cativeiro, proporcionando espaço para circulação em ambiente natural.
A data exata do embarque de Sorocaba permanece em aberto e dependerá do ritmo de adaptação de Sandro às etapas de condicionamento ao longo dos próximos dias.
Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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