Uma antiga área de pastagem em Marabá Paulista, no interior de São Paulo, passou por uma transformação ambiental radical nos últimos oito anos. O espaço de 149 hectares — equivalente ao tamanho do Parque Ibirapuera ou a 209 campos de futebol — deu lugar a uma floresta densa com árvores de até 15 metros de altura.
A restauração é fruto do plantio de 200 mil mudas de espécies nativas, iniciado em 2018 como medida de compensação ambiental pelas obras de duplicação da Rodovia Raposo Tavares (SP-270).
A área recuperada integra a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto e já cumpre o papel de corredor ecológico, conectando fragmentos de mata nativa isolados.
Segundo a Cart Concessionária de Rodovias, responsável pela execução sob coordenação do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e apoio do Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), o plantio contou com mais de 80 espécies regionais, como angico-preto, pau-viola, araçá e sangra-d’água.
Monitoramento revela retorno de animais ameaçados de extinção
Os impactos positivos na biodiversidade regional já são comprovados por dados de campo. Um monitoramento realizado com armadilhas fotográficas (câmeras trap) entre 2024 e 2025 registrou a presença de pelo menos oito espécies de mamíferos na área reflorestada.
Entre os animais captados pelas lentes estão a onça-pintada, o veado-campeiro e a anta, além do gato-mourisco — este último classificado nacionalmente como vulnerável (VU) ao risco de extinção. A presença de predadores de topo e grandes herbívoros indica que o ecossistema voltou a oferecer abrigo, água e fontes de alimentação adequadas.
Há também indícios promissores de que o mico-leão-preto, um dos primatas mais ameaçados do planeta e símbolo da conservação paulista, começou a se aproximar da nova mata em 2025. A expectativa dos biólogos é que a expansão da copa das árvores permita em breve o trânsito seguro dos primatas entre as copas.

Consolidação do ecossistema e manutenção contínua
Especialistas explicam que uma floresta em recuperação leva cerca de cinco anos para se estruturar e desempenhar suas funções ecológicas plenas. Além do plantio realizado nas estações chuvosas, a área precisou ser totalmente cercada para impedir a entrada de gado e permitir que o regeneramento natural ocorresse sem pisotear o solo.
Atualmente, cerca de 64 hectares do projeto continuam sob manejo e manutenção constante para garantir o combate a espécies invasoras e o crescimento saudável das mudas mais jovens. A criação desses corredores verdes é considerada por ambientalistas uma das estratégias mais eficazes para conter a perda de biodiversidade causada pelo fracionamento de habitats no campo.
Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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