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Equipamento DEXA avança na veterinária e abre caminho para avaliação precisa da composição corporal em pets

Tecnologia já utilizada na Medicina Humana pode ampliar avaliação da composição corporal e auxiliar no diagnóstico precoce de doenças em pets

Equipamento DEXA avança na veterinária e abre caminho para avaliação precisa da composição corporal em pets
Por Danielle Assis
7 de maio de 2026

A densitometria óssea é um exame comum na clínica médica de seres humanos. Porém, na Medicina Veterinária está longe de fazer parte da rotina – até agora. 

Dentro do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (HOVET / FMVZ-USP) já estão sendo realizados estudos, que podem facilitar o acesso a essa técnica no cuidado com cães e gatos. 

Na unidade está disponível a máquina DEXA (Absorciometria de Raios-x de Dupla Energia). O aparelho já é utilizado na Medicina Humana e, aos poucos, está sendo incluído em pesquisas para avaliar a composição corporal dos animais, especialmente a massa magra e a massa gorda. 

“Neste momento o equipamento é uma ferramenta para projetos de pesquisa. Através dele já fizemos três estudos, que avaliaram a composição corporal de cães e gatos obesos, doentes renais crônicos e em tratamento contra o câncer”, explica Thiago Vendramini, médico-veterinário, mestre, doutor e pós-doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo Centro de Pesquisa em Nutrologia de Cães e Gatos da USP (Cepen Pet). 

Dentre as possíveis aplicabilidades da técnica, está o acompanhamento de animais que fazem uso de inibidores de apetite, por exemplo. Nesses casos se conseguiria avaliar o processo de emagrecimento e verificar quais são as perdas do paciente além do peso, como os níveis de massa muscular. 

Os dados obtidos também são relevantes para analisar a saúde dos animais como um todo, visto que obesidade e caquexia podem interferir diretamente na longevidade. 

Adaptações para a Medicina Veterinária 

Por mais que a máquina seja desenvolvida para uso com humanos, é possível usá-la com animais apenas fazendo pequenas adaptações. 

O software que realiza as medições, por exemplo, é indicado para pessoas – ou cães e gatos – acima de 15 kg. No entanto, existe uma outra versão focada em pacientes com peso inferior, como é o caso dos pets de pequeno porte. 

A única dificuldade é que o processo de captação das imagens leva cerca de oito minutos, o que acaba sendo um período longo para os animais ficarem imóveis. Devido a isso, é necessário realizar a anestesia.

“Essa é a maior dificuldade na utilização da DEXA, pois nem sempre é viável anestesiar os pacientes, especialmente os que possuem comorbidades, como os renais e oncológicos”, ressalta Vendramini. 

Mesmo assim, a equipe já está pensando em formas de facilitar a realização do exame, como usando sedação ao invés de anestesia. 

Oportunidades são inúmeras 

Como a máquina é, na prática, um equipamento para densitometria óssea, ela cria a possibilidade de avaliar a massa mineral dos animais. 

“Atualmente, não sabemos nada sobre a massa mineral dos nossos pacientes, mas podemos começar a entendê-la melhor com essa técnica. Inclusive, tendo esses dados em mãos é possível antecipar o desenvolvimento de algumas doenças, como a osteoporose”, afirma o doutor. 

Além disso, o núcleo de pesquisa está buscando novas formas de avaliar a composição corporal de cães e gatos com o auxílio da DEXA. Thiago comenta que a ideia é criar uma metodologia alternativa para saber a composição corporal do animal de forma mais acessível e prática.  

Um outro exemplo é o projeto desenvolvido por Natália Manuela Cardoso de Oliveira, médica-veterinária, mestre e doutoranda na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia na Universidade de São Paulo – FMVZ/USP. A pesquisa visa analisar a viabilidade da ultrassonografia para avaliação da composição corporal de pequenos animais. 

“A partir de escalas pré-determinadas estamos comparando os resultados obtidos na DEXA com os do ultrassom e, em seguida, fazemos uma análise para ver se estão parecidos. No futuro isso pode ser um facilitador até mesmo para acompanhar a composição corporal de pacientes internados, por exemplo”, conta a profissional. 

Confira o artigo completo “Equipamento DEXA avança na veterinária e abre caminho para avaliação precisa da composição corporal em pets”, na íntegra e sem custo, acessando a página 20 da edição de abril (nº 320) da Revista Cães e Gatos.