Opções
Clínica e Nutrição

Esporotricose avança e pressiona cidades, mas ciência aponta nova esperança para gatos e seus responsáveis

Doença fúngica em expansão entre felinos já é considerada desafio de saúde pública; novas estratégias terapêuticas começam a alterar o cenário

Esporotricose avança e pressiona cidades, mas ciência aponta nova esperança para gatos e seus responsáveis
Por Equipe Cães&Gatos
2 de março de 2026

A esporotricose felina tem se consolidado como um dos principais desafios sanitários urbanos no Brasil, especialmente em regiões com grande número de gatos sem acesso regular a acompanhamento veterinário. 

Além do impacto sobre os animais, a enfermidade preocupa por ser zoonose e apresentar alta capacidade de disseminação.

Causada por fungos do gênero Sporothrix, a doença provoca lesões cutâneas que podem evoluir rapidamente. 

“É um grave problema de saúde pública. Para se ter uma ideia, o fungo já se tropicalizou e gerou uma espécie 100% nacional, a Sporothrix brasiliensis, que é muito mais transmissível e já está se espalhando para fora do Brasil. A esporotricose é infecciosa e agressiva. Os gatos são as principais vítimas e os potenciais transmissores”, afirma o professor titular de medicina-veterinária da Universidade Paulista (UNIP), Carlos Brunner.

Segundo ele, as lesões costumam iniciar como nódulos e podem evoluir para úlceras abertas com secreção. 

“Essas feridas não cicatrizam facilmente e tendem a se espalhar pelo corpo. O tratamento com antifúngico é demorado e muitas vezes não traz os resultados esperados”, explica.

No início deste ano, o Ministério da Saúde incluiu a esporotricose humana na lista de doenças de notificação obrigatória. O controle em animais segue sob responsabilidade das vigilâncias estaduais e municipais.

Na capital paulista, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA) divulgou, em 2024, um mapa da doença por bairros. Foram notificados 3.368 casos em gatos, aumento superior a 300% em relação a 2020. Os dados de 2025 ainda não foram publicados.

Custo elevado e impacto social

O avanço da esporotricose também gera impacto financeiro significativo. De acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB), o país possui mais de 30 milhões de gatos domésticos. Muitos têm acesso às ruas, ambiente onde a transmissão ocorre com facilidade.

Nelson Castanheira Júnior relata que passou a lidar com a doença ao observar diversos animais com feridas graves no condomínio onde mora, na Granja Viana, em São Paulo. 

“Falei com a veterinária que cuidava dos meus animais e ela me explicou sobre a doença, disse que estava fora de controle”, conta.

Ele decidiu acolher e tratar felinos doentes por conta própria. 

“Só de medicamentos, cada animal consome cerca de 300 reais por mês. O tratamento leva de quatro a seis meses. Faça a conta e veja quanto isso pesa em um orçamento. Não é à toa que muitos deixam os animais morrerem”, afirma.

Risco de transmissão a humanos

A proximidade com animais infectados também pode resultar em contaminação humana. A pet sitter Thay Ribeiro relata que contraiu a doença após ser mordida por uma gata em tratamento.

“A gatinha era um amor, chamava-se Amora. Ministrei antifúngicos durante um mês, enquanto procuravam algum lugar para acolhê-la. Nesse meio tempo, ela me mordeu e eu contraí a doença”, afirma. 

Thay realizou tratamento por vários meses e hoje está curada, embora relate sequelas.

Nova estratégia terapêutica

Diante das limitações da terapia convencional, uma alternativa tecnológica começa a ser utilizada no país. 

Um equipamento desenvolvido pela startup brasileira Akko Health Devices, sob liderança de Carlos Brunner, utiliza a técnica de eletroporação para atuar diretamente sobre o fungo.

“Há muitos medicamentos no comércio, alguns funcionam bem e outros nem tanto. Infelizmente isso só é descoberto depois de meses de tentativa de tratamento, com risco de concluir que foi inútil. Cada dia de prolongamento aumenta a chance de transmissão a outros gatos e às pessoas”, explica Brunner.

Segundo o pesquisador, a técnica promove a formação de poros irreversíveis na estrutura celular do fungo, levando-o à morte, enquanto preserva o tecido saudável do animal. 

O método exige menor manipulação, pode reduzir o tempo de tratamento e apresenta bons resultados em casos resistentes.

Nelson relata que utilizou o equipamento no tratamento de um de seus gatos. 

“Foram duas sessões e o resultado foi incrível, o Gatão ficou curado”, afirma.

Fonte: Totum Comunicação, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre avanço de casos de esporotricose

A esporotricose pode ser transmitida para humanos?

Sim. Trata-se de uma zoonose, especialmente em casos de arranhões ou mordidas.

O tratamento é longo?

Pode durar de quatro a seis meses com antifúngicos convencionais.

Existe alternativa à medicação tradicional?

Sim. Técnicas como a eletroporação vêm sendo utilizadas em casos específicos.