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Filhos de quatro patas: estudo revela nova tendência nas famílias americanas

Impulsionados pelas gerações mais jovens, 40% dos adultos nos EUA já priorizam a criação de pets em relação à maternidade e paternidade

Filhos de quatro patas: estudo revela nova tendência nas famílias americanas
Por Equipe Cães&Gatos
4 de agosto de 2026

A estrutura das famílias nos Estados Unidos passa por uma transformação profunda. Uma pesquisa realizada pela The Harris Poll, divulgada no relatório State of Pets, revelou que 40% dos adultos no país escolheriam ter um animal de estimação em vez de um filho no futuro. Quando pressionados a decidir entre ambos, 39% responderam que teriam os dois e apenas 21% optaram exclusivamente por filhos.

O levantamento, que consultou 2.070 adultos — dos quais 1.625 são responsáveis —, mostra que a parentalidade pet deixou de ser apenas um afeto pontual e assumiu um papel central na dinâmica socioeconômica. Entre os participantes que já possuem animais de estimação, 83% afirmam categoricamente que enxergam seus pets como filhos de fato.

A tendência ganha ainda mais força entre a Geração Z e os Millennials: 55% dos entrevistados dessas faixas etárias já consideraram planejar a vida focando nos pets em vez da maternidade ou paternidade, e 54% demonstraram interesse em deixar herança para seus animais, se a legislação permitisse.

Custo de vida e as razões da escolha

Os entrevistados que preferem animais de estimação a filhos apontam motivos práticos e econômicos para a decisão:

  • Fase de vida inadequada: 45% afirmam não estar no momento certo para criar uma criança;

  • Facilidade de manejo: 35% consideram os animais de estimação mais fáceis de cuidar;

  • Menor impacto financeiro: 32% citam o custo reduzido dos pets na comparação direta com a criação de um filho.

Mesmo com a pressão do custo de vida, a população animal segue em expansão: 77% dos lares americanos possuem ao menos um pet (alta de 3 pontos percentuais em relação a 2024). Os cães lideram a presença nos lares (60%), seguidos pelos gatos (45%).

Jovens nos Estados Unidos reorganizam o orçamento familiar para priorizar o bem-estar e a saúde dos animais de estimação (Foto: Reprodução)

Sacrifícios financeiros e rejeição aos pets de IA

Para garantir os cuidados adequados aos animais, os responsáveis mais jovens relatam realizar concessões no próprio orçamento pessoal.

Cerca de 54% demonstraram preocupação com a inflação, mas mantêm altos investimentos em seguros para pets (61%), roupinhas (52%), adestramento (36%) e produtos de bem-estar. Para equilibrar as contas, eles adotam estratégias como cozinhar mais em casa (61%), trocar marcas de alimentos pessoais por opções mais baratas (41%) e reduzir gastos com itens de conforto (39%). Ainda assim, 29% dos responsáveis mais jovens relatam estar endividados por conta de despesas com seus animais.

A pesquisa avaliou também a aceitação de alternativas tecnológicas: 86% dos responsáveis rejeitaram a ideia de pets com Inteligência Artificial, afirmando que a tecnologia jamais alcançará a profundidade do vínculo emocional verdadeiro.

Diante desse cenário, cresce o apelo por políticas públicas: 69% registrariam os pets como dependentes legais, 68% defendem incentivos e deduções fiscais para despesas com alimentação e saúde animal, e 36% gostariam de utilizar fundos de saúde humana para custear tratamentos veterinários.

Fonte: Petfood Forum Brasil, adaptado pela equipe Cães&Gatos.