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Imunoterapia ganha espaço no tratamento de alergias e câncer em cães e gatos

Terapia estimula o sistema imunológico do animal e pode reduzir crises, inflamações e uso prolongado de medicamentos

Imunoterapia ganha espaço no tratamento de alergias e câncer em cães e gatos
Por Rebecca Vettore
22 de maio de 2026

Atuando diretamente no sistema imunológico dos animais, a imunoterapia tem conquistado espaço na Medicina Veterinária. Diferentemente de tratamentos convencionais, que costumam focar apenas no controle dos sintomas, essa abordagem busca modular os mecanismos envolvidos na doença, reduzindo respostas inflamatórias inadequadas e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

“Em doenças alérgicas, a imunoterapia utiliza o próprio sistema imunológico para combater as enfermidades e faz com que o organismo deixe de reagir de forma excessiva a determinados alérgenos. Já na Oncologia, o objetivo é estimular a capacidade do corpo de reconhecer e atacar células tumorais”, explica Analice Cardoso Munhoz, médica-veterinária especializada em Dermatologia da WeVets.

Considerada uma das poucas estratégias capazes de atuar na causa imunológica da alergia e não apenas no controle temporário da coceira, ela é indicada com frequência para casos de dermatite atópica canina, doenças inflamatórias crônicas, hipersensibilidades recorrentes e alguns tipos de neoplasias, como melanoma oral em cães.

“Na Oncologia, embora ainda existam limitações em comparação à Medicina humana, o uso de vacinas terapêuticas e anticorpos monoclonais vem avançando rapidamente”, diz Analice.

Entre os protocolos disponíveis no Brasil estão a imunoterapia alérgeno-específica (ASIT), utilizada em casos de dermatite atópica, terapias com anticorpos monoclonais e imunomoduladores indicados como tratamentos complementares.

“A ASIT é personalizada para cada paciente e elaborada com base em testes alérgicos e identificação dos principais gatilhos ambientais e alimentares. Mesmo assim, a realização da dieta de exclusão continua sendo importante durante a investigação clínica”, destaca a veterinária.

Ainda de acordo com a profissional, a terapia com anticorpos monoclonais representa um avanço importante pois representa um tratamento mais direcionado e com menos efeitos sistêmicos quando comparados a alguns imunossupressores convencionais.

imunoterapia veterinária
Utilizada em duas frentes diferentes, a imunoterapia veterinária tem avançado no país (Foto: Reprodução)

Tratamento exige acompanhamento individualizado

De forma geral, a imunoterapia é considerada segura quando indicada corretamente e acompanhada por um médico-veterinário. Ainda assim, os efeitos adversos variam de acordo com o protocolo usado e nem todo paciente pode receber esse procedimento.

Nas terapias alérgeno-específicas, podem ocorrer reações leves no local da aplicação, aumento temporário da coceira e, mais raramente, episódios anafiláticos. Já nos protocolos biológicos e imunomoduladores, os efeitos tendem a ser mais controlados, mas continuam exigindo monitoramento clínico e laboratorial.

Entre as contraindicações estão pacientes imunossuprimidos sem controle clínico, animais com infecções ativas importantes, alguns casos de neoplasias avançadas e situações em que exista histórico de hipersensibilidade grave ao tratamento.

Qualidade de vida e redução do uso de corticoides 

Na dermatite atópica, os resultados costumam ser positivos, principalmente no médio e longo prazo, com muitos animais apresentando diminuição significativa da coceira e das crises, além de minimizar o uso contínuo de corticoides.

“Em diversos casos, observamos melhora importante na qualidade de vida do animal e também da família, já que a enfermidade crônica é bastante desgastante”, comenta a médica-veterinária especializada em Dermatologia.

Por outro lado, na Oncologia veterinária, a eficácia depende do tipo tumoral, estágio da doença e protocolo escolhido.

“Optar entre imunoterapia e terapias convencionais vai depender de fatores como diagnóstico, gravidade do quadro, presença de comorbidades, resposta anterior às abordagens e disponibilidade da família para seguir corretamente a diretriz”, afirma Analice.

Para finalizar, a profissional comenta que, muitas vezes, essa técnica não substitui completamente os tratamentos tradicionais, mas atua de forma complementar e estratégica para reduzir a dependência de medicamentos com mais efeitos adversos, como os corticoides utilizados por longos períodos.

qualidade de vida do pet
Segura, a abordagem deve ser individualizada e pode melhorar a qualidade de vida do pet (Foto: Reprodução)

FAQ sobre imunoterapia em cães e gatos

Esse procedimento substitui os tratamentos convencionais?

Nem sempre. Em muitos casos, ela atua de forma complementar aos protocolos tradicionais, ajudando a reduzir a dependência de medicamentos com mais efeitos adversos.

Quais doenças podem ser tratadas com imunoterapia?

A técnica já é utilizada principalmente em casos de dermatite atópica canina, doenças inflamatórias crônicas, hipersensibilidades recorrentes e alguns tipos de câncer.

Esse tratamento veterinário pode causar efeitos colaterais?

Sim. Elas podem variar entre reações leves no local da aplicação e aumento temporário da coceira.