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Mais do que adestramento: preparo comportamental permitiu que uma cadela levasse as alianças ao altar

Preparação de 60 dias envolveu avaliação emocional e treino com reforço positivo para garantir a entrada tranquila da cadela no altar

Mais do que adestramento: preparo comportamental permitiu que uma cadela levasse as alianças ao altar
Por Equipe Cães&Gatos
30 de julho de 2026

A presença de cães em cerimônias de casamento deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma extensão do papel que os pets ocupam dentro das famílias. No entanto, por trás de uma entrada tranquila até o altar existe um trabalho que vai muito além do ensino de comandos: envolve avaliação comportamental, adaptação emocional e respeito aos limites individuais de cada animal.

Foi esse o desafio enfrentado pelo especialista em comportamento animal Vladinir Maciel, responsável pela preparação de Aegis, uma cadela de oito anos que emocionou convidados ao levar as alianças durante um casamento realizado em Fortaleza.

O caso chamou atenção não apenas pelo resultado, mas pelo tempo disponível para a preparação. Enquanto processos semelhantes costumam ser desenvolvidos ao longo de cerca de seis meses, Aegis foi preparada em apenas 60 dias.

Segundo Vladinir, o maior desafio não estava no comportamento que ela deveria executar durante a cerimônia, mas em toda a construção emocional necessária para que se sentisse segura diante de um ambiente completamente diferente da sua rotina.

“Não é uma questão de idade impedir o aprendizado. Os cães aprendem durante toda a vida. O desafio é que um adulto já possui um grande repertório de experiências, diversas memórias e comportamentos adquiridos que ele realmente acredita. Diferentemente dos filhotes, que ainda estão formando essas referências, um cão adulto exige uma leitura comportamental muito mais cuidadosa antes de qualquer intervenção.”

Avaliação comportamental antes do treinamento

Aegis
A cadela Aegis, de oito anos, passou por 60 dias de adaptação emocional para levar as alianças ao altar. (Foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa)

De acordo com o especialista, o primeiro passo nunca é ensinar o comportamento desejado.

Antes disso, é realizada uma avaliação completa do animal para compreender seu temperamento, capacidade de adaptação, nível de socialização, possíveis medos e o estado atual do seu comportamento. Nessa fase também são alinhados os objetivos e as expectativas da família.

Somente após esse diagnóstico é elaborado um plano individualizado de treinamento.

Em seguida, inicia-se a construção dos comportamentos necessários para a atividade, com foco principalmente no autocontrole, na atenção ao responsável e na estabilidade emocional.

Na sequência, são introduzidas simulações progressivas do ambiente da cerimônia, aumentando gradativamente os estímulos aos quais o cão será exposto, como circulação de pessoas, diferentes tipos de piso, decoração, sons, cheiros e distrações visuais.

Nas semanas finais, são realizados ensaios que reproduzem, o mais fielmente possível, as condições encontradas no dia do casamento.

Segundo Vladinir, cada etapa possui uma função específica.

A avaliação inicial permite compreender o perfil comportamental do animal e definir objetivos realistas. Os treinos de base garantem segurança e previsibilidade na execução dos comportamentos aprendidos. Já as simulações reduzem a novidade dos estímulos ambientais, favorecendo respostas mais equilibradas. Por fim, os ensaios completos diminuem o fator surpresa e aumentam a confiança do cão durante a cerimônia.

Nem todo cão deve participar

Apesar da crescente procura por esse tipo de serviço, Vladinir alerta que a participação em eventos sociais não é indicada para todos os animais.

Cães extremamente ansiosos, reativos, muito medrosos ou que demonstram intenso desconforto diante de aglomerações podem vivenciar esse tipo de situação como uma fonte significativa de estresse.

“O treinamento nunca deve servir para obrigar um cão a fazer algo que vai contra sua vontade. Ensinamos o animal a gostar daquilo que está aprendendo. Antes de pensar na cerimônia, avaliamos se ele realmente possui condições emocionais para participar.”

Para o especialista, respeitar a individualidade do cão é um princípio inegociável dentro do trabalho de modificação comportamental.

Bem-estar como prioridade

Outro ponto essencial é a prevenção do estresse durante todo o processo.

O treinamento é realizado utilizando reforço positivo, respeitando o ritmo individual de aprendizagem e evitando qualquer método coercitivo. Além disso, recomenda-se que o cão conheça previamente o local da cerimônia, tenha momentos de prazer e descanso durante os ensaios e permaneça acompanhado por uma pessoa de referência ao longo do evento.

“O objetivo nunca é apenas cumprir uma tarefa. O principal é garantir que o cão esteja tranquilo, confortável e vivencie aquela experiência de forma positiva.”

No caso de Aegis, o comprometimento dos responsáveis foi determinante para o sucesso do processo. Seguindo todas as orientações ao longo dos 60 dias de preparação, o casal contribuiu para que a cadela participasse da cerimônia com segurança e naturalidade, transformando um momento simbólico em uma experiência positiva tanto para a família quanto para o animal.

Fonte: AUssessoria, adaptado pela equipe Cães&Gatos.