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Anemia hemolítica imunomediada exige diagnóstico rápido e monitoramento contínuo

Distúrbio hematológico pode evoluir de forma grave e demanda investigação cuidadosa, terapia e acompanhamento a longo prazo

Anemia hemolítica imunomediada exige diagnóstico rápido e monitoramento contínuo
Por Rebecca Vettore
29 de julho de 2026

Considerada uma das enfermidades hematológicas mais desafiadoras na clínica de pequenos animais, a Anemia Hemolítica Imunomediada (AHIM) é uma síndrome caracterizada pela destruição das hemácias ocasionada pelo sistema imune. 

O quadro, que resulta em anemia regenerativa de intensidade variável, pode apresentar evolução rápida, com impacto significativo sobre a estabilidade do paciente.

A hemólise pode ocorrer de forma extravascular ou intravascular, dependendo do mecanismo imunológico envolvido e a enfermidade pode ser classificada como primária ou secundária, segundo Adrielle Nogueira, médica-veterinária da WeVets, pós-graduada em Patologia Clínica e Hemoterapia e especializada em Hematologia Veterinária. 

Adrielle Nogueira
Adrielle Nogueira, médica-veterinária da WeVets, pós-graduada em Patologia Clínica e Hemoterapia e especializada em Hematologia Veterinária (Foto: Divulgação)

“Na forma primária não é possível identificar um fator desencadeante específico, sendo atribuída à perda de autotolerância imunológica, com produção de anticorpos contra antígenos eritrocitários”, explica. “Já nos quadros secundários, a resposta imunológica ocorre associada a diferentes condições clínicas. Entre as principais causas estão hemoparasitoses, neoplasias hematopoiéticas, uso de determinados fármacos, imunizações e doenças inflamatórias ou imunomediadas concomitantes.”

Nos cães, destacam-se infecções causadas por Ehrlichia canis, Babesia spp. e Anaplasma spp. Em felinos, a condição é menos frequente e costuma estar relacionada a agentes infecciosos, como Mycoplasma haemofelis, além de retroviroses, como FeLV e FIV.

Investigação clínica e fatores associados

A identificação precoce dos fatores desencadeantes é considerada uma etapa fundamental na condução dos casos. Durante a anamnese, informações sobre deslocamentos recentes, exposição a vetores hematófagos, vacinação e uso de medicamentos nas últimas semanas podem auxiliar na investigação, de acordo com a profissional. 

Neste momento também devem ser avaliados sinais sugestivos de doenças de base, incluindo aumento de linfonodos, presença de nódulos e alterações compatíveis com processos neoplásicos.

“A investigação clínica precisa ser bastante criteriosa, especialmente porque muitas vezes a AHIM ocorre secundariamente a outras enfermidades que precisam ser identificadas e controladas”, ressalta.

A síndrome apresenta maior prevalência em cães, principalmente entre dois e oito anos de idade. Entre as raças com maior predisposição, sugerindo influência imunogenética, estão: Cocker Spaniel, Poodle, Shih Tzu, Lhasa Apso e Old English Sheepdog.

Confira o artigo completo “Anemia hemolítica imunomediada exige diagnóstico rápido e monitoramento contínuo”, na íntegra e sem custo, acessando a página 48 da edição de julho (nº 323) da Revista Cães e Gatos.