Muito amados e bem exemplificados pelo famoso vira-lata caramelo, os cães sem raça definida (SRD) são verdadeiros símbolos dos lares brasileiros. No entanto, junto com o carinho por esses pets, ainda sobrevive um mito antigo e perigoso: o de que o vira-lata é ‘naturalmente super-resistente’ e, por isso, precisaria de menos cuidados, vacinas ou idas ao veterinário do que um cão de raça pura.
Para desmistificar essa crença e garantir que os queridinhos do Brasil vivam com saúde e qualidade de vida, Mariana Silva, médica-veterinária e consultora técnica da Boehringer Ingelheim, explica o que é ciência e o que é pura ficção quando o assunto é a saúde dos doguinhos.
Segundo a especialista, o mito tem um fundo de verdade genética, mas que foi distorcido ao longo do tempo. “Os animais sem raça definida possuem uma variabilidade genética muito maior do que os cães de raça pura. Isso significa que eles têm menor probabilidade de desenvolver doenças hereditárias específicas, como problemas articulares ou cardíacos típicos de certas raças”, explica Mariana.
“Além disso, infelizmente, a seleção natural das ruas faz com que apenas os animais mais fortes sobrevivam a condições extremas. Mas isso de forma alguma significa que eles sejam imunes a vírus, bactérias ou parasitas. Um vira-lata precisa de tanta proteção e assistência médica quanto qualquer outro pet”, complementa.
O que o seu pet realmente precisa?
Para ajudar os responsáveis a entenderem as reais necessidades dos SRDs, a especialista preparou um checklist rápido de mitos e verdades sobre a rotina de cuidados:
- MITO: “Vira-lata come de tudo e não passa mal”
A realidade: Oferecer restos de comida humana ou rações de baixa qualidade pode causar de problemas digestivos imediatos a quadros graves de obesidade, pancreatite e desnutrição. O animal precisa de uma alimentação balanceada e de alta qualidade para se manter saudável.
- VERDADE: “Vira-lata também contrai doenças infecciosas e precisa de vacina”
Doenças graves e altamente contagiosas, como a cinomose e a parvovirose, não escolhem raça. O protocolo vacinal (vacinas múltiplas e antirrábica) deve ser atualizado anualmente, independentemente da árvore genealógica do animal.
- MITO: “Eles são mais resistentes a pulgas, carrapatos e vermes”
A realidade: Parasitas atacam qualquer cão. Além do incômodo e das coceiras, picadas de pulgas e carrapatos transmitem doenças graves (como a babesiose e a erliquiose) que podem ser fatais. O uso de vermífugos e antiparasitários regulares é de extrema importância.
- VERDADE: “Vira-latas precisam de consultas e exames de rotina”
Doenças cardíacas, renais e até o câncer também acometem os SRD’s, principalmente na velhice. O check-up anual com o médico-veterinário é a melhor ferramenta para diagnosticar problemas precocemente e garantir a longevidade do pet.

Castração: o maior ato de amor e saúde
Por fim, o cuidado contínuo com seu SRD é um passo indispensável para a qualidade de vida do seu doguinho. O uso de vermífugos e antiparasitários de forma regular previne doenças graves, como a dirofilariose (verme do coração), que pode ser fatal quando não tratada.
Além disso, a castração é questão de prevenção: “Além de ser a medida mais eficaz para o controle populacional e redução do abandono, a castração previne diversas doenças graves, como tumores de mama e infecções uterinas nas fêmeas, e problemas de próstata nos machos”, finaliza a médica-veterinária.
Fonte: Boehringer Ingelheim, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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