O Zoológico São Braz, localizado em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, confirmou a morte do urso-pardo-americano Charles. O animal viveu na instituição nos últimos 17 anos sob os cuidados de uma equipe multidisciplinar.
A perda do mamífero, que era uma das figuras mais emblemáticas do local, gerou forte comoção entre visitantes e mobilizou dezenas de mensagens de apoio nas redes sociais.
A trajetória do urso ficou marcada pela superação do histórico de crueldade enfrentado na juventude. Charles chegou ao zoológico gaúcho em março de 2009, com cerca de 10 anos de idade, após ser resgatado de um circo onde passou quase uma década sendo explorado em apresentações e confinado em uma jaula de apenas seis metros quadrados.
Traumas do passado e processo de reabilitação no zoológico
No momento do resgate, a saúde do animal estava severamente comprometida. Charles apresentava queimaduras graves nas patas — causadas por apresentações forçadas sobre chapas de metal aquecidas — e sequelas comportamentais provocadas pelo isolamento prolongado. Devido ao nível de debilidade e ao tempo sob cativeiro ilegal, o retorno do urso-pardo ao seu habitat natural na América do Norte tornou-se inviável.
Para recebê-lo, o fundador do Zoo São Braz, Santos Braz, estruturou um recinto especial que buscava reproduzir o ambiente natural da espécie, com vegetação e áreas abertas. Os cuidados contínuos da equipe técnica reduziram os comportamentos estereotipados de estresse e a agressividade resultantes dos maus-tratos passados, devolvendo o bem-estar ao animal.

Adaptação ao clima gaúcho e legado de conscientização
Por ser uma espécie originária de regiões frias e de florestas do Hemisfério Norte, a adaptação às altas temperaturas do verão do Rio Grande do Sul exigiu intervenções estruturais. O recinto contava com uma piscina exclusiva, onde o urso costumava passar grande parte dos dias mais quentes nadando e se exercitando.
Ao longo de quase duas décadas de permanência, Charles tornou-se um símbolo do impacto do resgate e da reabilitação da fauna mantida sob maus-tratos no Brasil. Sua história serviu como ferramenta educativa para milhares de estudantes e visitantes que passaram pela instituição em Santa Maria.
Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.