A entrada em vigor da tarifa aduaneira temporária de €3 (cerca de R$ 18,12) da União Europeia (UE) sobre encomendas de baixo valor promete alterar as estratégias de vendas e a logística de marcas internacionais de alimentos para animais de estimação.
Implementada para conter o avanço desmedido de remessas abaixo de €150 (R$ 906) vindas de fora do bloco comercial, a regra reduz a vantagem competitiva de preço de varejistas de fora da Europa que enviam petiscos, suplementos e produtos leves diretamente ao consumidor final.
A reforma tributária foi impulsionada pelo crescimento vertiginoso do comércio eletrônico vindo da Ásia, alavancado por plataformas como Temu e Shein. Apenas em 2025, ingressaram na UE 5,8 bilhões de remessas isentas, volume 26% superior ao registrado no ano anterior.
Diante desse cenário, autoridades europeias argumentaram que o benefício fiscal prejudicava a competitividade das empresas locais.
Impacto limitado no mercado geral e foco no rigor sanitário
Apesar da mudança na cobrança, entidades do setor não projetam um grande impacto na venda de rações convencionais secas, úmidas ou dietas veterinárias.
A Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação (FEDIAF) ressaltou que a maior parte dos alimentos consumidos por cães e gatos na Europa é produzida dentro do bloco ou importada por canais formais sujeitos a rigorosos controles sanitários e fitossanitários.
Segundo a FEDIAF e a Associação Europeia de Agenciamento, Transporte, Logística e Serviços Aduaneiros (CLECAT), a criação da taxa ajuda a equilibrar as condições de concorrência e a assegurar que todos os produtos comercializados no mercado europeu obedeçam aos mesmos padrões de segurança, rastreabilidade e proteção ao consumidor, independentemente da sua origem.

Marcas globais adotam estocagem local e consolidação de pedidos
Especialistas em inteligência de mercado apontam que as importações diretas ao consumidor de baixo valor representam uma parcela pequena do mercado de nutrição pet na UE, dominado por grandes marcas regionais e varejistas especializados como Zooplus e Fressnapf.
O maior efeito da norma recai sobre itens individuais de baixo custo, enquanto produtos premium e pacotes promocionais devem sentir pouco o impacto.
Em vez de abandonarem o mercado europeu, grandes vendedores e marcas globais estão adaptando suas cadeias de suprimento.
A tendência atual é a migração da entrega direta por encomenda (direct-to-consumer) para o modelo de frete em grandes volumes, com a criação de armazéns dentro da União Europeia, parcerias com distribuidores locais e o incentivo ao aumento do valor mínimo das compras online.
Fonte: Petfood Industry, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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