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Novas diretrizes da iCatCare apontam mudança no tratamento da diabetes em gatos

Atualização das recomendações reforça novas opções terapêuticas, amplia o papel do responsável e propõe um olhar mais individualizado para o controle da diabetes mellitus felina

Novas diretrizes da iCatCare apontam mudança no tratamento da diabetes em gatos
Por Equipe Cães&Gatos
28 de janeiro de 2026

A iCatCare Veterinary Society divulgou as diretrizes mais recentes para o diagnóstico e o acompanhamento da diabetes mellitus em gatos. 

O documento marca uma mudança importante na forma de conduzir a doença endócrina, incorporando avanços científicos da última década e propondo um manejo mais flexível, alinhado à rotina dos responsáveis e às necessidades individuais dos felinos.

Dez anos após a publicação das orientações anteriores, o cenário científico evoluiu de forma significativa. 

Novos medicamentos, avanços na insulinoterapia e ferramentas modernas de monitoramento tornaram necessária a revisão completa dos conceitos, publicada no Journal of Feline Medicine and Surgery.

Novos medicamentos mudam a prática clínica

Um dos principais pontos das novas diretrizes é a inclusão dos inibidores do co-transportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2) como opção terapêutica para gatos selecionados. 

Esses fármacos, já utilizados na medicina humana, ampliam as possibilidades de tratamento e reduzem algumas das dificuldades associadas ao uso diário de insulina.

Especialistas destacam que os iSGLT2 representam uma mudança relevante na prática clínica, especialmente para responsáveis que têm receio das aplicações injetáveis e do risco de hipoglicemia. 

Por serem administrados por via oral, uma vez ao dia, esses medicamentos podem facilitar a adesão ao tratamento em determinados casos.

Como escolher a melhor abordagem para cada gato

As diretrizes propõem um algoritmo terapêutico que ajuda o médico veterinário a definir a melhor estratégia após o diagnóstico. 

Gatos clinicamente estáveis, com apetite preservado, boa hidratação e sem outras doenças associadas — os chamados “gatos felizes” — podem ser candidatos ao tratamento com iSGLT2, desde que o responsável esteja de acordo.

Quando há suspeita ou confirmação de comorbidades, a recomendação é tratar primeiro essas condições antes de decidir entre insulinoterapia ou medicação oral. 

Já em gatos debilitados, desidratados ou com sinais clínicos mais graves, a insulinoterapia segue sendo a opção mais segura e indicada.

Embora os iSGLT2 tragam benefícios importantes, é fundamental esclarecer que, até o momento, não há evidências consistentes de remissão da diabetes com essa classe de fármacos. Nesses casos, o tratamento tende a ser contínuo ao longo da vida do animal.

Novas diretrizes da iCatCare apontam mudança no tratamento da diabetes em gatos
Novas diretrizes ampliam as opções terapêuticas e permitem escolhas mais alinhadas à rotina do responsável e ao perfil do felino (Foto: Reprodução)

Monitoramento glicêmico mais preciso e menos estressante

Outro avanço relevante destacado nas diretrizes é o uso de sensores de monitoramento contínuo da glicose. 

Esses dispositivos, aplicados na pele do animal, permitem acompanhar as variações glicêmicas ao longo do dia sem a necessidade de múltiplas coletas invasivas.

Além de fornecer dados mais completos para ajustes terapêuticos, essa tecnologia reduz o estresse do gato e contribui para uma abordagem mais alinhada aos princípios cat friendly.

Apesar de eventuais dificuldades de acesso devido à alta demanda desses sensores também na medicina humana, eles já estão validados para uso em animais de companhia.

O papel central do responsável no sucesso do tratamento

As novas diretrizes reforçam que o sucesso no controle da diabetes felina depende, em grande parte, do envolvimento do responsável. 

O documento traz orientações práticas, linguagem acessível e recomendações que ajudam a reduzir o impacto emocional do diagnóstico de uma doença crônica.

O diálogo claro durante a consulta veterinária é essencial. Questões como administração correta dos medicamentos, horários, armazenamento da insulina, sinais de alerta e manejo alimentar precisam ser explicadas com calma e adaptadas à realidade de cada família. 

A adesão ao tratamento está diretamente ligada à compreensão e à segurança do responsável.

No aspecto nutricional, as recomendações permanecem semelhantes: dietas com baixo teor de carboidratos e alto teor de proteínas continuam sendo fundamentais para o controle glicêmico e, nos casos sob insulinoterapia, aumentam as chances de remissão da doença.

Principais pontos das novas diretrizes

  • A diabetes mellitus é uma endocrinopatia comum em gatos e se assemelha à diabetes tipo 2 em humanos;
  • O tratamento deve ser individualizado, considerando o perfil do gato e a rotina do responsável;
  • Comunicação aberta reduz inseguranças e melhora a adesão ao tratamento;
  • Os iSGLT2 são uma alternativa eficaz para gatos clinicamente estáveis e criteriosamente selecionados;
  • O manejo nutricional adequado otimiza o controle glicêmico;
  • Complicações como hipoglicemia e cetoacidose podem ocorrer, mas são manejáveis com acompanhamento veterinário adequado.
Novas diretrizes da iCatCare apontam mudança no tratamento da diabetes em gatos
A comunicação clara fortalece a adesão ao tratamento e reduz inseguranças no cuidado diário (Foto: Reprodução)

Fonte: Veterinaria Atual, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre diabetes em gatos

A diabetes em gatos tem cura?

Em alguns casos, especialmente com insulinoterapia e dieta adequada, o gato pode entrar em remissão, mas isso não acontece em todos os pacientes.

Todo gato diabético pode usar medicação oral?

Não. Os iSGLT2 são indicados apenas para gatos clinicamente estáveis e devem ser prescritos após avaliação veterinária.

O monitoramento contínuo substitui as consultas veterinárias?

Não. Os sensores ajudam no acompanhamento, mas o acompanhamento veterinário regular continua sendo indispensável.

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