Quando as temperaturas baixam é comum que os animais estejam susceptíveis a algumas doenças, assim como acontece com os seres humanos. No caso dos felinos uma afecção que costuma surgir é a Rinotraqueíte, também conhecida como gripe dos gatos.
A médica-veterinária pós-graduada em Clínica Médica de felinos e sócia-proprietária do consultório exclusivo para gatos My Cat, Nayara Cristina de Oliveira Fazolato, explica que essa enfermidade faz parte de uma das causas do complexo respiratório felino.
“A Rinotraqueíte tem como agente etiológico o herpesvírus felino, que está presente em grande parte da população felina, principalmente em ambientes com alta densidade populacional de gatos”, afirma.
De acordo com a profissional, o herpesvírus pode ser transmitido entre felinos e essa transmissão ocorre por contato direto ou por fômites, como comedouros e bebedouros.
“Porém, por se tratar de um vírus envelopado, não sobrevive muito tempo no ambiente, sendo facilmente combatido com desinfetantes, água e sabão”, pontua.
Como a doença se manifesta?
Nayara comenta que os principais sinais clínicos da Rinotraqueíte são epífora, conjuntivite, espirros, tosse, secreção nasal, febre, apatia e hiporexia. Em casos mais graves – e menos comuns – pode evoluir para pneumonia e rinossinusite crônica pela destruição de ossos turbinados.
Ainda conforme a médica-veterinária, geralmente, o diagnóstico da doença é clínico, mas também é possível realizar exame complementar com o uso da PCR através de swab da conjuntiva ocular, orofaringe/nasal e lavado nasal/ traqueal (em quadros mais graves).
“A PCR do sangue não é indicada, pois normalmente o vírus não é encontrado na circulação, devido ao seu tropismo por tecido respiratório e ocular. O único exame de sangue que poderia ser possível é a sorologia, mas é pouco indicada por não diferenciar precisamente a infecção ativa da latente”, relata.
Tratamento depende do quadro clínico
Fazolato explica que a Rinotraqueíte é tratada com antiviral, como o Fanciclovir (Penvir). A dose empregada é definida conforme a apresentação da doença, sendo necessário aumentá-la quando há quadros de infecção ocular.
“Também é necessário tratamento suporte de acordo com a necessidade individual de cada paciente. Por exemplo, quando há alterações oculares um colírio lubrificante é extremamente importante. Já em quadros complexos com infecção bacteriana secundária, é indicado o uso de antibióticos”, cita.
Além disso, após terminar a administração do antiviral é importante realizar a vacinação do animal.
“O gato sempre será portador do vírus, mas a vacina ajuda a melhorar a sua imunidade para não desenvolver mais a forma clínica da doença ou, se desenvolver, apresentar sintomas leves”, relata.
Por falar nisso, vale a pena ressaltar que a Rinotraqueíte não tem cura. Segundo a médica-veterinária, não é possível o combate 100% do vírus.
“O tratamento tem como finalidade o controle e o estado de latência do agente, sendo feito na fase sintomática. Após a melhora é iniciado o protocolo de vacinação, a fim de que o vírus permaneça em estado de latência e não cause sintomas”, afirma.

Quem são os mais susceptíveis?
Por conta do sistema imunológico imaturo, Nayara esclarece que os animais mais susceptíveis a Rinotraqueíte são os filhotes.
“Contudo, adultos também podem ter a doença que, geralmente, é reativada devido a estresse, enfermidades imunossupressoras, como FIV e FeLV, e em animais não vacinados”, pontua.
Além disso, o inverno também é um fator predisponente. Por isso, é importante evitar que os gatos fiquem expostos a correntes de ar.
“Outras formas de prevenir a Rinotraqueíte são evitar aglomeração de felinos, não permitir que o animal tenha acesso a rua, manter os ambientes higienizados e respeitar os reforços vacinais”, conclui.
FAQ sobre a Rinotraqueíte
Cães também podem se contaminar com a Rinotraqueíte?
Não, a Rinotraqueíte é uma doença específica da espécie felina. Nos cães uma enfermidade similar é a Tosse dos Canis.
Como ocorre a transmissão da doença?
A transmissão é realizada por contato direto entre gatos contaminados e através de fômites.
Quais são os principais sintomas da Rinotraqueíte?
Os sinais clínicos mais comuns dessa enfermidade são espirros, tosse, epífora, conjuntivite, febre, apatia, secreção nasal e hiporexia.
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