Extremamente comum em gatos idosos, a osteoartrite chega a atingir até 90% dos felinos com mais de 12 anos, de acordo com diferentes estudos.
Considerada uma lesão da cartilagem com exposição do osso subcondral e formação de microfraturas, osteófitos, fibrose capsular e instabilidade articular, ela também é uma condição crônica e progressiva que acomete as articulações, podendo ser primária (degenerativa) ou secundária (associada a outros fatores).
“Na origem primária, é uma articulação que vem se desgastando com o tempo, mais comum em pacientes mais idosos. E, na condição secundária, ela é seguida de alguma doença articular, podendo acometer também animais mais jovens”, explica Mateus Cordeiro Caparroz Garcia, médico-veterinário da Vet Quality, pós-graduado em Ortopedia e Neurocirurgia pela ANCLIVEPA SP e proprietário da ORTHOCARE PET.
Sinais clínicos são fáceis de identificar
Segundo Caparroz, os sinais mais comuns da doença são redução da capacidade de saltar nos móveis, marcha curta, dificuldade para se levantar pela manhã, dificuldade para usar a caixa de areia, menor interação e passar a maior parte do tempo dormindo.
“Na comparação com os cães, os gatos acabam sendo pouco diagnosticados com osteoartrite, porque muitos responsáveis associam a condição com a idade e não buscam atendimento especializado”, conta o médico-veterinário da Vet Quality.
Por isso, quando o responsável pelo animal aparecer no consultório com o gato idoso para ser examinado, as seguintes perguntas podem ajudar no diagnóstico: o pet pulava em lugares altos e parou? Brinca menos ou desistiu dos brinquedos que antes gostava? Demora mais para se levantar após dormir? A pelagem está menos cuidada?
“No exame físico, podemos realizar a flexão e extensão das articulações do cotovelo, punhos e ombros, caso perceba claudicação dos membros torácicos. Se tiver dor ao levantar com os membros posteriores, deve-se fazer um bom exame físico da palpação epaxial da coluna toracolombar e lombossacra”, explica Caparroz.

Exames complementares para diagnóstico
Além do diagnóstico físico, Fernanda Paes, médica-veterinária da Pet Care, que possui residência em clínica, cirurgia e anestesiologia de pequenos animais, com ênfase em cirurgia pela UNESP de Araçatuba – SP, indica a realização de exames de imagem.
“Radiografias revelam osteófitos — o achado mais marcante —, além de remodelamento ósseo, esclerose subcondral, efusão articular e alterações de contorno ósseo. Além disso, a tomografia computadorizada pode detectar alterações mais precoces e fornecer avaliação tridimensional mais precisa”, explica.
Articulações mais acometidas pela osteoartrite
De acordo com a médica-veterinária da Pet Care, entre as articulações mais frequentemente acometidas pela enfermidade estão ombro, cotovelo, quadril e joelho, sendo ombro e cotovelo as mais citadas na literatura, possivelmente relacionados a microtraumas repetitivos.
“O acometimento dessas articulações reduz a capacidade de salto, encurta a passada, gera rigidez postural e leva à diminuição da exploração ambiental, impactando diretamente o comportamento e o bem-estar do animal”, diz a especialista em cirurgia.
Entre as opções atuais de tratamento para osteoartrite em gatos idosos, Fernanda destaca que o atendimento é multimodal e deve visar ao controle da dor, à manutenção da mobilidade e à preservação da qualidade de vida, pois não há cura definitiva.
Já o manejo farmacológico inclui anti-inflamatórios não esteroidais, que devem ser usados com cautela em geriátricos.
“Recentemente, foram inseridas no leque de possibilidades as medicações chamadas de drogas modificadoras da doença articular, que promovem a cicatrização de danos à cartilagem hialina, com deposição de fibrocartilagem, diminuindo a exposição do osso subcondral. Além disso, terapias multimodais, como fisioterapia, supervisão de atividade e modalidades de reabilitação, podem complementar a assistência”, explica a veterinária.
O controle ambiental também é fundamental no tratamento do paciente e envolve adaptação do espaço doméstico com rampas, limitação de livre acesso a locais elevados (gatificação), superfícies antiderrapantes, camas confortáveis, caixas de areia de fácil acesso e comedouros adaptados, reduzindo o esforço físico e prevenindo dor exacerbada.

Papel do manejo nutricional e dos responsáveis
Ainda segundo Fernanda, o cuidado com a alimentação tem papel central na progressão da doença.
“A obesidade é um fator de risco significativo para a progressão da OA, tornando o controle corporal parte essencial do tratamento. Por isso, deve-se cuidar do peso do animal para reduzir a carga mecânica sobre as articulações e diminuir a inflamação sistêmica associada à obesidade através de dietas enriquecidas com ácidos graxos ômega-3 e antioxidantes”, diz a especialista em cirurgia.
Já a orientação aos responsáveis acaba entrando como um componente crítico do manejo.
“É necessário esclarecer que a osteoartrite não representa apenas envelhecimento normal, mas sim dor crônica tratável. Recomenda-se monitoramento contínuo da mobilidade, revisões veterinárias regulares, ajustes terapêuticos conforme a evolução clínica e manutenção de estímulo físico leve”, conclui a médica-veterinária.
FAQ sobre osteoartrite em gatos idosos
Quais são os principais sintomas da doença em felinos mais velhos?
Os sinais mais comuns incluem redução da capacidade de saltar em móveis, marcha mais curta, dificuldade para se levantar, especialmente pela manhã, e problemas para usar a caixa de areia.
Como é feito o diagnóstico da osteoartrite?
A descoberta envolve avaliação clínica e exame físico, com observação da mobilidade e palpação das articulações. Além disso, exames de imagem, como radiografias, ajudam a identificar osteófitos e alterações ósseas, enquanto a tomografia computadorizada pode detectar alterações mais precoces.
Quais são as opções de tratamento para a enfermidade?
Em gatos idosos a assistência é multimodal e visa ao controle da dor, à manutenção da mobilidade e à preservação da qualidade de vida. O tratamento ainda pode incluir medicamentos, como anti-inflamatórios e drogas modificadoras da doença articular, além de fisioterapia.

