A combinação entre a recuperação econômica e o avanço do processo de humanização dos animais está transformando o mercado de nutrição animal na América Latina. Impulsionada por responsáveis mais exigentes, a região importou US$ 162 milhões em alimentos para cães e gatos vindos dos Estados Unidos. O montante representa um crescimento expressivo de 11% em comparação ao ano anterior.
Os dados, que constam no relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), apontam uma mudança no perfil de consumo, liderada por três mercados principais na região: Colômbia (US$ 38,7 milhões), Panamá (US$ 24,9 milhões) e Costa Rica (US$ 15,2 milhões). Juntos, esses países concentram 49% de todas as exportações norte-americanas para o bloco, que opera de forma distinta do México — mercado que já possui acordos comerciais consolidados de livre comércio com os EUA.
Barreiras comerciais no Brasil
Apesar do forte crescimento nos países vizinhos, o relatório aponta que o mercado de importação dos EUA enfrenta sérios entraves no Brasil. O governo brasileiro aplica uma tarifa aduaneira severa de 51% sobre o pet food vindo dos Estados Unidos, uma vez que os alimentos para cães e gatos são classificados formalmente como produtos supérfluos pela legislação tributária nacional.
Além do peso dos impostos, existem barreiras regulatórias complexas de rotulagem. Qualquer produto com mais de 1% de ingredientes geneticamente modificados precisa exibir obrigatoriamente o símbolo de “transgênico” e detalhar o gene doador na embalagem. Essa exigência técnica impõe um grande desafio de rastreabilidade para os fabricantes norte-americanos que utilizam matérias-primas à base de milho e soja em suas receitas, abrindo espaço para a forte concorrência da indústria local, que se moderniza rapidamente e oferece preços competitivos livre dos custos de frete internacional.

Tendências e alta do e-commerce
A busca por produtos de maior valor agregado redesenhou as gôndolas dos canais especializados, impulsionada de forma decisiva pela expansão do comércio eletrônico (e-commerce), que facilita o acesso a marcas importadas. Atualmente, os responsáveis demonstram maior atenção à qualidade dos ingredientes, priorizando itens saudáveis, naturais e que tragam apelo de sustentabilidade. Embora o alimento seco continue sendo o formato predominante nas vendas, a comercialização de alimentos úmidos (sachês e latas) está em forte expansão em toda a América Latina.
O avanço das marcas norte-americanas reforça o apetite da região por inovação e conceitos de nutrição voltados à saúde preventiva. Países em desenvolvimento na região, como a República Dominicana, ilustram bem esse fenômeno: o mercado dominicano projeta crescer 12% ao ano, injetando mais de US$ 29 milhões (cerca de R$ 149 milhões) em valor de mercado até o final de 2029, consolidando o continente como uma das fronteiras mais promissoras para o setor de pet food global.
Fonte: Petfood Forum Brasil, adaptado pela equipe Cães&Gatos.
FAQ sobre o mercado de pet food na América Latina
Quais barreiras o Brasil impõe à importação de pet food dos Estados Unidos?
O Brasil aplica uma tarifa de 51% sobre alimentos importados de cães e gatos por considerá-los supérfluos, além de exigir rotulagem estrita de transgênicos para fórmulas com mais de 1% de milho ou soja geneticamente modificados.
Quais países lideram a importação de pet food norte-americano na região?
A liderança é puxada pela Colômbia (US$ 38,7 milhões), seguida pelo Panamá (US$ 24,9 milhões) e pela Costa Rica (US$ 15,2 milhões), somando 49% do total da região.
Quais fatores impulsionam o crescimento de produtos premium no setor pet?
O crescimento é acelerado pela combinação da recuperação econômica dos países latino-americanos e pelo fenômeno da humanização, onde os responsáveis tratam os animais como membros da família.
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