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Programa de cães comunitários em campus universitário ganha destaque durante o Animal Health 2026

Palestra de Diana Cuglovi Abrão apresentou a experiência do IFSULDEMINAS com manejo ético de cães em ambiente acadêmico e os impactos na formação de estudantes.

Programa de cães comunitários em campus universitário ganha destaque durante o Animal Health 2026
Por Melissa Marques
13 de março de 2026

A presença de cães em situação de rua em ambientes urbanos é um desafio que envolve saúde pública, bem-estar animal e impactos ecológicos. 

Durante o Animal Health 2026, a médica-veterinária Diana Cuglovi Abrão, professora do IFSULDEMINAS e idealizadora do Programa Cão Comunitário da instituição, apresentou a experiência do campus Muzambinho na gestão ética desses animais e os resultados educacionais obtidos com a iniciativa.

Na palestra, a especialista explicou como universidades podem se tornar espaços de experimentação de políticas de manejo populacional responsável e, ao mesmo tempo, ambientes de aprendizado para estudantes.

“O comportamento humano é o fator de maior impacto na dinâmica populacional de cães e gatos domésticos”, destacou.

Manejo populacional ético exige múltiplas estratégias

Segundo a palestrante, programas de manejo populacional de cães em situação de rua precisam considerar diferentes frentes de atuação. 

Entre os pilares apresentados estão o conhecimento da dinâmica populacional da região, legislações específicas, identificação individual dos animais, controle reprodutivo e ações de educação em saúde.

Também fazem parte desse conjunto estratégias como educação em guarda responsável, manejo ambiental para limitar o acesso a recursos, programas de adoção e monitoramento constante dos resultados.

Outro ponto abordado foi o reconhecimento legal dos animais comunitários em diferentes estados brasileiros. 

A legislação já prevê essa categoria em unidades da federação como São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Roraima, Paraíba e Mato Grosso.

De acordo com Abrão, essas normativas reforçam que a responsabilidade pelos animais pode ser compartilhada entre comunidade, instituições e organizações de proteção.

“Programas estruturados permitem promover o bem-estar animal e, ao mesmo tempo, reduzir conflitos e riscos associados à presença de animais em situação de rua”, explicou.

Campus universitário como espaço de aplicação prática

A palestra também discutiu o papel das universidades nesse contexto. Segundo a médica-veterinária, ambientes acadêmicos podem contribuir tanto com pesquisa quanto com soluções práticas para a gestão de populações de cães.

“E onde um campus universitário entra nessa história?”, provocou a palestrante durante a apresentação, ao introduzir a experiência do IFSULDEMINAS.

No campus Muzambinho, o Programa Cão Comunitário foi criado em 2018 com o objetivo de estruturar o cuidado dos animais presentes na instituição, ao mesmo tempo em que envolve estudantes em atividades práticas relacionadas ao bem-estar animal e à saúde pública.

Desde o início do programa, diversos animais receberam atendimento veterinário, parte deles foi adotada e outros permaneceram no campus como cães comunitários, sob monitoramento e cuidados sistemáticos.

Programa de cães comunitários em campus universitário ganha destaque durante o Animal Health 2026
Campus universitário pode funcionar como espaço de ensino, pesquisa e aplicação de estratégias de manejo populacional (Foto: Revista Cães & Gatos)

Identificação e monitoramento dos cães

Entre as ações do programa está o registro e identificação dos animais, etapa considerada essencial para o controle populacional e acompanhamento sanitário.

Os cães são cadastrados e identificados, permitindo o registro de informações individuais e o acompanhamento de intervenções como vacinação, esterilização e tratamentos.

O sistema também possibilita o controle da população presente no campus e o monitoramento das ações realizadas ao longo do tempo.

“Sem identificação e registro não é possível acompanhar os resultados das intervenções e avaliar a eficácia das estratégias adotadas”, explicou Abrão.

Manejo sanitário e controle reprodutivo

Outra etapa central do programa envolve o manejo sanitário dos animais. As ações incluem vacinação, tratamentos clínicos, controle de parasitas e esterilização.

A estratégia segue princípios de manejo populacional ético, incluindo captura, esterilização e devolução — abordagem conhecida como C.E.D. — que permite controlar a reprodução sem retirar permanentemente os animais do ambiente onde já estão adaptados.

Além de reduzir a reprodução descontrolada, essas intervenções contribuem para melhorar o estado de saúde dos cães.

“Quando o manejo sanitário é realizado de forma estruturada, conseguimos melhorar o bem-estar dos animais e reduzir riscos sanitários”, afirmou.

Formação acadêmica e impacto educacional

Um dos principais resultados apresentados na palestra foi o impacto do programa na formação dos estudantes.

As atividades incluem ações de ensino, projetos de extensão e participação em eventos científicos, permitindo que alunos tenham contato direto com temas como bem-estar animal, saúde pública e manejo populacional.

Os estudantes também participam de atividades práticas, como identificação dos animais, acompanhamento sanitário e interação com a comunidade acadêmica.

“O programa permite que os alunos vivenciem na prática conceitos que muitas vezes aparecem apenas na teoria”, destacou Abrão.

Além disso, o projeto já resultou em trabalhos científicos, participação em eventos acadêmicos e reconhecimento institucional.

Convivência entre animais e comunidade acadêmica

Outro aspecto abordado foi a convivência entre os cães comunitários e a comunidade universitária. 

O programa inclui ações de conscientização para promover interações seguras entre estudantes, servidores e animais.

Segundo a palestrante, esse tipo de abordagem ajuda a reduzir conflitos e favorece a construção de uma cultura de responsabilidade coletiva.

“O convívio com os animais também se torna uma oportunidade de aprendizado sobre ética, cuidado e responsabilidade”, afirmou.

Monitoramento dos resultados do programa

Dados apresentados pela professora mostram que as intervenções realizadas no programa incluem atendimentos clínicos, tratamentos medicamentosos, controle de ectoparasitas, vacinação e esterilização.

O acompanhamento dos animais permite avaliar a evolução da população e os impactos das ações realizadas.

Segundo a palestrante, a análise contínua dos dados é essencial para ajustar estratégias e garantir a sustentabilidade do programa.

“Monitorar os resultados é fundamental para entender o impacto real das intervenções, além de servir como material para justificar a existência do programa para as autoridades do campus”, destacou.

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