in

Qual o melhor local para animais que não podem ser reintroduzidos na natureza viverem?

Profissionais comentam a vida de animais selvagens em zoológicos e santuários e explicam as diferenças

Como já retratamos aqui no portal da C&G VF, recentemente a Justiça determinou que o elefante Sandro permanecesse no zoológico de Sorocaba (SP), onde reside desde 1982 e não fosse transferido para um santuário na Chapada dos Guimarães (MT). A notícia gerou uma grande discussão: há quem diga que o santuário garantiria companhia e, por conta disso, maior bem-estar. Por outro lado, muitos acreditam ser, realmente, arriscado tirá-lo de um lugar em que está adaptado, além de considerarem imprudente o transporte, já que o animal é idoso e seria um longo trajeto. 

Pensando no bem-estar dos animais, qual seria o local ideal para abrigá-los quando não podem ser reinseridos na natureza? E qual a diferença de um zoológico para um santuário? O biólogo, mestre em Zoologia, Filipe Carneiro Reis, atua há mais de 10 anos com conservação ex-situ no Zoológico de Brasília, mas também tem experiências em projetos de conservação em ambiente natural, explica que, primeiramente, deve-se considerar a questão legal. 

“Segundo a Instrução Normativa 07/2015, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o Zoológico é constituído de coleção de animais silvestres mantidos vivos em cativeiro ou em semiliberdade e expostos à visitação pública, para atender a finalidades científicas, conservacionistas, educativas e socioculturais. Já o termo Santuário não está previsto em nenhuma normativa. Sendo assim, o termo santuário é apenas um nome fantasia para outra categoria, normalmente o Mantenedouro de Fauna Silvestre, que é o empreendimento de pessoa física ou jurídica, sem fins lucrativos, com a finalidade de criar e manter espécimes da fauna silvestre em cativeiro, sendo proibida a reprodução, exposição e alienação. Ou seja, qualquer instituição pode se denominar um “santuário”, assim como alguns zoológicos estão se denominando “bioparque”, não sendo necessária nenhuma característica específica, além do exigido pela norma para a categoria na qual ela se encontra”, diz.

Ele afirma que, em relação à garantia de bem-estar aos animais, o ambiente depende do trabalho da instituição e não da categoria em que ela está enquadrada ou sua nomenclatura. “Em teoria, o recinto do animal deve ter a complexidade e as características específicas para aquela espécie e tanto zoológicos quanto mantenedouros de fauna são capazes de fornecer essas condições, desde que haja uma equipe qualificada para definir e estabelecer esses ambientes. Nesse ponto, vale ressaltar que, pela normativa citada, zoológicos são obrigados a ter, pelo menos, um biólogo e um veterinário em tempo integral, enquanto criadouros e mantenedouros não possuem tal regra, podendo ter apenas o acompanhamento eventual de veterinários, o que torna maior a probabilidade de um trabalho técnico em zoológicos”, menciona.

O médico-veterinário, especializado em Animais Selvagens, Rodrigo Rabello, destaca que os zoológicos trabalham com pesquisas voltadas à conservação e educação ambiental. Seu plantel dispõe de equipe médica, biólogos, zootecnistas e tratadores em período integral. “Por outro lado, santuários não desenvolvem trabalhos relevantes no que diz respeito à reabilitação e conservação, dirimindo esforços a indivíduos específicos”.

De acordo com o biólogo Sérgio Greif, nos zoológicos, a principal motivação é a exposição dos animais para entretenimento ou satisfação da curiosidade do público. Já nos santuários, não há exposição dos animais ao público, a motivação para sua manutenção é, meramente, o reconhecimento de que estes animais são sujeitos de direito e que merecem ser abrigados e cuidados até o fim de suas vidas. “Além disso, há uma diferença quantitativa e qualitativa que merece ser destacada aqui. Para nos atermos ao exemplo do elefante Sandro, ele hoje se encontra em um recinto no zoológico de Sorocaba que possui 2.100 m2. Quando ele for transferido para o Santuário de Elefantes do Brasil, será imediatamente introduzido em uma área de 40.000 m2, que será futuramente expandida para 600.000 m2. Significa que ele, de imediato, terá acesso a uma área 20 vezes maior do que a que ocupa, e que em breve será mais de 285 vezes maior”, comenta.

Leia a reportagem completa na edição de maio da nossa revista on-line. Clique aqui.

Fonte: Redação Cães&Gatos VET FOOD.

LEIA TAMBÉM:

Veterinária cita as principais doenças oculares que acometem os animais de companhia

Artrose provoca desgaste e degeneração da articulação, além de limitar os movimentos dos pets

Graduandas de Veterinária criam projeto de conscientização do combate à raiva

(Foto: C&G VF)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

animais marinhos

Zoológico dos EUA ultrapassa 40 mil resgates de animais marinhos doentes, machucados e órfãos

prêmio premier

PremieRpet homenageia vencedores de seu 8º Prêmio de Pesquisa, em evento em São Paulo