Abre em uma nova aba
Opções
Pets e Curiosidades

Relatório alerta para queda de 73% na fauna silvestre, mas aponta caminhos de recuperação

Estudo do WWF e da Sociedade Zoológica de Londres aponta declínio crítico na fauna aquática e terrestre, mas destaca case de sucesso com onças no Iguaçu e queda no desmatamento no Brasil

Relatório alerta para queda de 73% na fauna silvestre, mas aponta caminhos de recuperação
Por Equipe Cães&Gatos
11 de outubro de 2026

O tamanho médio das populações monitoradas de animais silvestres no mundo registrou uma retração de 73% entre 1970 e 2022.

Os dados constam na edição de 2026 do Relatório Planeta Vivo, divulgado na quinta-feira (8) pelo WWF e elaborado em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL). O estudo analisou cerca de 35,8 mil séries de dados cobrindo quase 5,8 mil espécies de vertebrados em todo o globo.

Os ecossistemas de água doce foram os mais atingidos, com um declínio médio de 85%, seguidos pelos ambientes terrestres (69%) e marinhos (56%). As principais causas da perda de biodiversidade incluem a degradação e destruição de habitats, a exploração excessiva de recursos, a poluição, as espécies invasoras e os impactos diretos do aquecimento global.

Retração do desmatamento e recuperação de espécies mostram que reversão é possível

Apesar do cenário alarmante, o relatório enfatiza que metade das populações acompanhadas no levantamento global permanece estável ou em expansão. Exemplos como o aumento das populações de tartarugas-verdes, atuns-azuis, tigres e elefantes no sul da África evidenciam a eficácia de intervenções conservacionistas contínuas.

No Brasil, a união entre governos, terceiro setor e comunidades locais permitiu a recuperação de espécies emblemáticas. Na Mata Atlântica do Iguaçu, ações de proteção e coexistência fizeram a população de onças-pintadas saltar de 11 indivíduos em 2019 para 42 em 2025 — um crescimento de 280%. Além disso, o país registrou em 2025 uma redução de 20% na taxa de desmatamento em todos os seus biomas, o menor índice apurado desde 2019.

“Os exemplos de recuperação apresentados pelo relatório mostram que o declínio da natureza não é inevitável. O Brasil tem condições de reverter perdas, mas isso exige ações de conservação contínuas e em escala, com proteção e restauração dos ecossistemas”, avalia Helga Correa, especialista em Conservação do WWF-Brasil.

relatório
A recuperação da natureza depende de mudanças nos sistemas de produção de alimentos, energia e finanças, responsáveis por impulsionar a perda de biodiversidade (Foto: Jacqueline Lisboa / WWF Brasil)

Transformação nos sistemas de alimentos, energia e finanças

O documento conclui que atingir os alvos globais de conservação até 2030 exige mudanças estruturais em três setores cruciais: o sistema alimentar (responsável primário pela destruição de habitats), o energético (vetor de emissões e mudanças climáticas) e o financeiro (que ainda canaliza recursos para práticas ambientalmente danosas).

Iniciativas voltadas para a produção sustentável, transição energética e investimentos em soluções baseadas na natureza são apontadas como “pontos de inflexão positivos” capazes de acelerar a recuperação do planeta e garantir o bem-estar social e econômico a longo prazo.

Fonte: WWF, adaptado pela equipe Cães&Gatos.