Uma revisão científica recente chamou atenção para a relevância clínica do câncer de bexiga em cães e gatos, uma enfermidade associada a alta morbidade e mortalidade, especialmente em animais mais velhos.
O estudo aponta que a ocorrência da doença está relacionada a fatores como raça, sexo, idade, obesidade e exposição ambiental.
A análise destacou ainda uma maior suscetibilidade em cadelas, principalmente de raças terrier, e em gatos machos, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce na rotina da medicina veterinária.
De acordo com a revisão, as neoplasias da bexiga podem variar desde lesões não invasivas, restritas à mucosa, até formas invasivas, que atingem a camada muscular do órgão e apresentam comportamento mais agressivo, com potencial metastático.
Nos cães, o carcinoma urotelial invasivo é o tipo mais frequentemente diagnosticado. Já nos gatos, embora a doença seja menos comum, o comportamento biológico é semelhante e igualmente preocupante.
Sinais clínicos e impacto da doença
Entre os principais sinais clínicos estão a hematúria (presença de sangue na urina) e a disúria (dificuldade ou dor ao urinar).
Apesar de representar uma pequena porcentagem das neoplasias diagnosticadas em cães, o câncer de bexiga está associado a elevado impacto na qualidade de vida e altas taxas de mortalidade.
O estudo identificou diversos fatores de risco, incluindo raça, sexo, idade, obesidade, tipo de alimentação, esterilização e exposição a agentes ambientais.
Em cães, as fêmeas — especialmente das raças Scottish Terrier — apresentam o maior risco, seguidas por Cão Esquimó, Pastor de Shetland, West Highland White Terrier, Keeshond, Samoieda e Beagle, quando comparadas a cães sem raça definida.
Diferenças entre cães e gatos
No caso dos gatos, os machos e os animais de pelo curto são os mais afetados. Diferentemente do padrão observado em cães, estudos clínicos em felinos mostram uma maior proporção de machos com doenças do trato urinário inferior e neoplasias vesicais.
Segundo os pesquisadores, essa maior vulnerabilidade pode estar relacionada à obstrução uretral e à retenção urinária, condições que favorecem a estagnação prolongada da urina e a inflamação crônica da bexiga — fatores potencialmente envolvidos no desenvolvimento do câncer.
Idade, ambiente e prevenção
A idade é outro fator determinante: a maioria dos diagnósticos ocorre entre 9 e 11 anos, tanto em cães quanto em gatos.
A revisão também aponta que o contato com inseticidas, herbicidas e produtos antiparasitários é reconhecido como fator de risco em cães, embora essa associação ainda não tenha sido comprovada de forma consistente em felinos.
Além disso, esterilização e obesidade parecem aumentar o risco em cães, enquanto alguns hábitos alimentares podem ter efeito protetor.
O consumo regular de vegetais, por exemplo, está associado a uma menor incidência da doença.
Segundo os autores, compreender esses fatores é essencial para melhorar a detecção precoce, orientar estratégias de prevenção e fortalecer a oncologia comparativa em animais de companhia, com possíveis reflexos positivos também para a saúde humana.
Fonte: Veterinaria Atual, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre câncer de bexiga em pets
O câncer de bexiga é comum em pets?
Não. Ele representa uma pequena parcela das neoplasias, mas tem alto impacto clínico e elevada mortalidade.
Quais sinais devem alertar os tutores?
Sangue na urina, dificuldade ou dor ao urinar e alterações no padrão urinário são os principais sinais de alerta.
É possível prevenir a doença?
Não totalmente, mas manter o peso adequado, reduzir exposições ambientais e realizar check-ups regulares ajuda na prevenção e no diagnóstico precoce.

