O que você faria se o seu gatinho, originalmente preto e branco, começasse a ganhar pequenas manchas brancas pelo corpo até parecer uma verdadeira galáxia com patas? Foi exatamente isso o que aconteceu com Gatsby, carinhosamente apelidado por sua responsável, Jean Noyes, de “Gatsby Galaxy Kitty“.
Resgatado em 2019 ao lado de sua irmã Daisy, Gatsby era um filhote comum até os seus seis meses de vida. Foi quando as primeiras “estrelas” brancas começaram a surgir em seu rosto. “Eu tentei esfregá-la por um tempo!”, diverte-se Jean, relembrando o início da transformação.
O diagnóstico foi vitiligo, uma condição rara de pigmentação genética que mudou a pelagem de Gatsby, mas que também serve de inspiração e conforto para pessoas do mundo inteiro que convivem com a mesma característica.
Abaixo, com o suporte técnico das informações da médica-veterinária Débora de Souza, pós-graduada em Dermatologia veterinária e atuante no Hospital Veterinário Taquaral, em Campinas (SP), desvendamos tudo o que você precisa saber sobre o vitiligo em cães e gatos.
O que causa o vitiligo nos animais?
O vitiligo é uma doença de pele caracterizada pela perda de pigmentação. Ela acontece devido à redução ou destruição dos melanócitos, células do organismo responsáveis por produzir a melanina (o pigmento que dá cor à pele e aos pelos).
Quando essas células param de funcionar, áreas que antes eram escuras passam a exibir uma coloração inteiramente branca ou rosada.
“Trata-se de uma condição incomum na Medicina Veterinária, sendo observada principalmente em cães e, mais raramente, em gatos”, pontua Débora de Souza.
A ciência ainda não elucidou completamente a causa exata do problema, mas a principal linha de evidência médica aponta para o próprio sistema de defesa do pet.
“Acredita-se que esteja relacionada a mecanismos autoimunes, onde o próprio organismo passa a atacar os melanócitos”, explica.

Quais raças são mais predispostas?
A hereditariedade exerce um papel crucial no aparecimento das manchas. No universo dos felinos, raças como o Siamês e o Birmanês possuem uma predisposição maior, mas gatos pretos e bicolores (como o famoso Gatsby) também podem manifestar o gene e surpreender seus responsáveis.
Já entre os caninos, o elo genético é evidente. “Existem evidências de predisposição genética em algumas raças. Entre as mais frequentemente descritas estão Rottweiler, Pastor Alemão, Doberman, Labrador Retriever, Dachshund, Pastor Belga Tervuren e Husky Siberiano”, aponta a médica-veterinária.
No entanto, ela faz um alerta importante para quem tem animais sem raça definida: “Animais sem predisposição racial também podem desenvolver a condição”.
Como funciona o diagnóstico médico?
Se o seu companheiro de quatro patas começar a apresentar manchas brancas ou rosadas pelo corpo, focinho ou pálpebras, levá-lo ao veterinário é indispensável, pois nem toda perda de cor é vitiligo. O diagnóstico correto exige a exclusão de outras enfermidades graves.
“O diagnóstico é baseado no histórico clínico, exame dermatológico e exclusão de outras doenças que também podem causar perda de pigmentação. Dependendo do caso, podem ser necessários exames complementares, como a biópsia de pele e exames laboratoriais”, esclarece Débora.
Durante a investigação clínica, o profissional precisa descartar problemas complexos como o lúpus eritematoso, pênfigo, leishmaniose, micoses e cicatrizes.
Vale reforçar que os responsáveis não devem criar falsas expectativas sobre reverter o quadro.
“Não existe um tratamento específico com eficácia garantida para todos os pacientes. Em alguns casos, pode ocorrer repigmentação espontânea (embora raramente), enquanto em outros a despigmentação permanece estável”, pondera a veterinária.

Quais cuidados os responsáveis devem ter?
Na maioria dos casos, o vitiligo não compromete a qualidade de vida e o paciente permanece perfeitamente saudável e ativo. Contudo, a ausência total de melanina deixa a derme desprotegida contra a radiação ultravioleta.
“Os responsáveis devem manter acompanhamento veterinário periódico e observar possíveis mudanças nas áreas despigmentadas”, orienta Débora.
A atenção deve ser redobrada com o sol nas regiões com pouca cobertura de pelos.
“Quando as regiões afetadas ficam mais expostas à radiação solar, especialmente no focinho, pode ser recomendada proteção contra exposição excessiva ao sol”, conclui a profissional.
A história do “Galaxy Kitty” comprova o que a Medicina defende: o vitiligo não diminui o amor, a alegria ou a longevidade dos animais. É, acima de tudo, uma marca única que os torna ainda mais especiais.
FAQ sobre vitiligo em pets
O vitiligo em cães e gatos é contagioso?
Não. O vitiligo é uma condição estritamente genética e autoimune. Ela não é transmitida para outros animais e nem para seres humanos em nenhuma hipótese.
O animal com vitiligo sente dor ou coceira?
Não. A destruição dos melanócitos afeta apenas a cor da pele e dos pelos do pet. O animal não sente dores, desconforto, coceira ou qualquer tipo de sofrimento físico relacionado à despigmentação.
Quais são os cuidados especiais que os responsáveis devem adotar?
O cuidado principal é com a exposição solar. Como as áreas afetadas perdem a proteção natural da melanina, elas queimam com muita facilidade. É essencial usar protetor solar próprio para pets e evitar que o animal fique exposto nos horários de radiação mais intensa.
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