Opções
Clínica e Nutrição

Analgesia em cães e gatos: como tratar a dor neuropática na prática clínica

Entenda por que a dor neuropática exige abordagens específicas na clínica veterinária e quais medicamentos apresentam melhores resultados em cães e gatos

Analgesia em cães e gatos: como tratar a dor neuropática na prática clínica
Por Equipe Cães&Gatos
30 de janeiro de 2026

A dor neuropática é definida como uma lesão ou disfunção do sistema somatossensorial, podendo ter origem periférica ou central. 

Na rotina de atendimento veterinário, ela representa um dos maiores desafios terapêuticos, já que costuma responder pouco aos analgésicos convencionais, como anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e opioides.

Grande parte das estratégias atuais de manejo da dor neuropática em cães e gatos se baseia mais na experiência clínica do que em estudos prospectivos robustos. 

Ainda assim, pesquisas e relatos de caso ajudam a orientar decisões e reforçam a importância de uma abordagem individualizada.

Como reconhecer a dor neuropática em pets

O primeiro passo para um tratamento eficaz é identificar corretamente os sinais associados à dor neuropática. 

Entre os comportamentos mais comuns estão:

  • Alodinia: dor desencadeada por estímulos que normalmente não causariam desconforto, como um toque leve;
  • Hiperalgesia: resposta exagerada a estímulos dolorosos;
  • Disestesia: sensação desagradável e anormal, que pode ser espontânea ou provocada.

Conversar com o responsável pelo animal é essencial para documentar esses sinais. Relatos sobre reações ao toque, mudanças de comportamento e situações que agravam o quadro ajudam a avaliar a resposta ao tratamento ao longo do tempo.

Gabapentina e antidepressivos: o que mostram os estudos

Entre as opções farmacológicas mais utilizadas estão os gabapentinoides, como a gabapentina e a pregabalina. 

Um estudo publicado em 2020 demonstrou benefício clínico da gabapentina no controle da dor neuropática, reforçando seu uso além dos casos clássicos de siringomielia.

Relatos de caso ajudam a ilustrar a variabilidade de resposta. Em um deles, um cão apresentava alodinia mecânica intensa no membro anterior, reagindo com vocalização e agressividade ao toque. 

O uso inicial de amitriptilina não trouxe melhora e causou efeitos adversos. A troca para gabapentina resultou em resolução progressiva dos sinais, com recuperação funcional do membro.

Em outro caso, um cão com episódios recorrentes de coceira facial intensa não respondeu à gabapentina, mas apresentou melhora rápida e sustentada com amitriptilina, reforçando que não existe um único protocolo eficaz para todos os pacientes.

Quando a dor neuropática não tem causa aparente

Há situações em que exames de imagem e avaliações neurológicas não identificam alterações claras, mesmo diante de sinais clínicos intensos. 

Em um relato envolvendo um cão idoso com dor lombar severa ao toque, exames complementares não explicaram o quadro. 

Ainda assim, a resposta positiva à amitriptilina sustentou o diagnóstico presuntivo de dor neuropática.

Esses casos reforçam a importância do tratamento baseado na resposta clínica, especialmente quando métodos diagnósticos não são conclusivos.

Analgesia em cães e gatos: como tratar a dor neuropática na prática clínica
Alterações comportamentais sutis podem indicar dor neuropática em cães e gatos (Foto: Reprodução)

Siringomielia e dor neuropática central

A siringomielia é um exemplo clássico de dor neuropática central, presente em cerca de 35% dos cães acometidos. 

Estudos indicam que a dor é mais frequente quando a cavidade medular é ampla ou invade regiões sensíveis da medula espinhal.

Ensaios clínicos, ainda que com amostras pequenas, mostraram que a pregabalina reduz alodinia e hiperalgesia de forma mais consistente do que placebos. 

Em um estudo com cães diagnosticados com siringomielia, houve redução expressiva dos episódios de coceira e melhora na qualidade de vida, apesar da ocorrência de efeitos adversos como ataxia e aumento do apetite.

Dor neuropática após procedimentos veterinários

A dor neuropática também pode surgir após intervenções clínicas. Há relatos de cães que desenvolveram sinais compatíveis com dor neuropática após procedimentos odontológicos, especialmente quando bloqueios anestésicos foram realizados de forma inadequada.

Em um desses casos, a pregabalina mostrou-se eficaz no controle dos sinais, enquanto a amitriptilina não trouxe benefício. 

Situações como essa reforçam a necessidade de técnicas seguras e da consideração de antagonistas de receptores NMDA, como a amantadina, em quadros refratários.

Manejo multimodal e acompanhamento contínuo

O tratamento da dor neuropática em cães e gatos raramente é imediato ou definitivo. Ajustes de dose, trocas de medicamentos e associação de fármacos fazem parte do processo. 

A combinação de acompanhamento clínico, escuta ativa do responsável e avaliação frequente da qualidade de vida do animal é fundamental para alcançar melhores resultados.

Fonte: Vet Times, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre analgesia de dor neuropática em pets

A dor neuropática tem cura?

Na maioria dos casos, não. O objetivo do tratamento é o controle dos sinais e a melhora da qualidade de vida.

Gabapentina sempre funciona?

Não. Alguns animais respondem melhor a outros medicamentos, como antidepressivos tricíclicos ou pregabalina.

Efeitos colaterais são comuns?

Podem ocorrer, especialmente sedação, ataxia e aumento do apetite, exigindo monitoramento constante.