Cães e gatos logo

Buscar na cães e gatos

Pesquisar
Close this search box.

Apesar de avanços na profissão, números impactam atuação dos veterinários

Inúmeras escolas de Medicina Veterinária formando vários profissionais a cada ano é preocupação constante dos órgãos de classe e veterinários já atuantes no mercado

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Hoje, há 259,3 mil médicos-veterinários inscritos no Sistema do Conselho Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs). As mulheres são 54% do total de médicos-veterinários no Brasil e mais de 70% dos profissionais inscritos têm até 51 anos de idade. Quer mais um dado? São Paulo é o Estado com mais profissionais, sendo mais de 63 mil, seguido por Minas Gerais, com 43 mil.

Todos esses dados foram fornecidos à nossa equipe pelo CFMV, que ainda divulgou mais informações: Dos profissionais inscritos, cerca de 60 mil concluíram a graduação no Estado de São Paulo. Atualmente, há 98 cursos em funcionamento nessa UF, ofertando 20.706 vagas, sendo quatro deles a distância, com 838 vagas. 

Entre 2017 e 2021, o Brasil graduou mais de 11 mil médicos-veterinários por ano, ou seja, 55 mil profissionais (Foto: reprodução)

Para o presidente do Conselho Federal, Francisco Cavalcanti de Almeida, a qualidade da formação profissional, com o excesso de cursos de graduação, é um dos maiores desafios da Medicina Veterinária, hoje. “Não há valorização da profissão e boa prestação de serviço à sociedade possível, quando o País possui 536 cursos de Medicina Veterinária autorizados a funcionar, quase o dobro do número de cursos existentes no mundo. Sendo que 13 desses cursos de graduação são ministrados no modelo a distância. Como se forma um profissional de qualidade sem que ele tenha contato em quantidade e qualidade com os animais, com situações que se apresentarão no dia a dia dele, quando for profissional? Nosso compromisso é com a sociedade. Não nos interessa que exista uma grande quantidade de escolas de Veterinária, mas, sim, a qualidade dessa formação, com profissionais éticos, que atuem com competência e dignidade”, garante.

E foi, justamente, com base nesses números elevadíssimos, que o diretor Científico da Associação Nacional de Medicina Veterinária, Antônio Felipe Paulino de Figueiredo Wouk, lançou a obra Demografia da Medicina Veterinária do Brasil 2022, junto com os veterinários Camila Martinelli Martins, Rafael Gianella Mondadori, Marcelo Hauaji de Sá Pacheco e Fernando Ferreira e com os cientistas de dados, Maria Beatriz Galdino da Silveira e Thiago Garcia Molina Pinto.

A ideia do livro, segundo Wouk, veio do fato de, no espaço de cinco anos, entre 2017 e 2021, o País ter graduado mais de 11 mil médicos-veterinários por ano, ou seja, 55 mil profissionais. “Também porque chegavam até a mim, verbalizados por colegas, vários aspectos ligados a uma insatisfação com o exercício profissional. E, também, porque um estudo demográfico havia sido conduzido previamente pela Federação Europeia de Veterinários, em 32 países da comunidade europeia, com resultados preocupantes”, compartilha.

Wouk comenta que o rigor da análise de dados para a obra foi garantida por especialistas na área e pela visão plural do exercício da Medicina Veterinária. “A redação final e discussão dos resultados sempre se deu após consenso por todo o grupo. Tudo isto contribuiu muito para a qualidade do trabalho”, garante.

Obra é, na opinião de Wouk, um grande passo inicial para implementação desta cultura de planejamento estratégico (Foto: divulgação)

Dados aprofundados

Na visão de Wouk, a Medicina Veterinária será fortalecida mediante um melhor planejamento público e privado de sua gestão corporativa, bem como por meio da gestão competente por parte de cada médico-veterinário de sua própria trajetória profissional. “Para tanto, é necessário buscar meios para fomentar uma rede de geração e gestão de dados e informações, bem como incentivar a sua utilização. Somente com informações de qualidade, construindo um cenário de referência, será possível tomar decisões mais conscientes e acertadas pelos gestores e profissionais”, observa.

A obra sobre a demografia da profissão é, na opinião de Wouk, um grande passo inicial para implementação desta cultura de planejamento estratégico baseado em informação de qualidade. “Para dar continuidade a estas ações, criamos um organismo, o Observatório da Medicina Veterinária do Brasil, uma ferramenta para a gestão do conhecimento da profissão médico-veterinária. Ele fará a coleta, a produção, a organização, a interpretação e a divulgação de informações para a análise de tendências e tomada de decisões estratégicas”, conta.

Dos 259,3 mil médicos-veterinários mencionados lá no início deste texto, para a escrita da obra, Wouk o restante do grupo conseguiram filtrar, ainda mais, os dados: 42,7 % trabalham com Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais; 52,7% são autônomos; 40,5% são pequenos empresários; 42% levaram mais de cinco anos para obterem independência financeira; 83% ganham mais de R$5.000,00 por mês; 52% já se consideraram subempregados. “Em relação ao nível de formação profissional, 61,2% cursaram alguma forma de pós-graduação (66% cursaram especialização, 37% Mestrado, 23% Doutorado e apenas 16% cursaram Residência. Durante a formação de graduação, 84,3% julgaram que o aprendizado prático, o aprender fazendo, foi deficiente”, revela Wouk.

Presidente do CFMV declara que a Medicina Veterinária é mais do que uma profissão de cuidados aos animais (Foto: reprodução)

Visão de dentro

Além disso, Wouk conta que, na obra, é possível consultar que 83,4% dos veterinários consideram excessivo o número de colegas no mercado de trabalho e 51,3% consideram que será difícil o futuro da profissão. “Ainda foi perguntado aos 2820 participantes da pesquisa, quais seriam os aspectos mais importantes a fim de melhorar o cenário do exercício profissional. Por ordem de importância, os aspectos foram estes: valorização profissional, salários, ética, colaboração intraprofissional, colaboração interprofissional e reconhecimento das especialidades.

Mas, falando dos pontos fortes da profissão, o presidente do CFMV, Francisco, declara que a Medicina Veterinária é mais do que uma profissão de cuidados aos animais. “Ela é saúde única, pois sua atuação está diretamente ligada à saúde humana e à sustentabilidade ambiental. A integração é inevitável, por isso, mais do que nunca, a frase de Louis Pasteur é atual: ‘A Medicina cura o homem, a Medicina Veterinária cura a humanidade’”, conclui.

Você está em:

Compartilhe agora este artigo em suas redes

Facebook
Twitter
LinkedIn