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Compliance e padronização na cadeia pet: como a gestão de dados impulsiona eficiência e segurança jurídica

Adoção de dados padronizados e do QR Code 2D fortalece o compliance fiscal, otimiza o controle de estoque e garante a segurança dos consumidores no setor pet

Compliance e padronização na cadeia pet: como a gestão de dados impulsiona eficiência e segurança jurídica
Por Stéfani Campos Chagas
11 de setembro de 2026

A garantia de conformidade fiscal, a rastreabilidade de insumos e a eficiência operacional tornaram-se exigências centrais para o crescimento sustentável do mercado de animais de companhia.

Em um cenário marcado por normas sanitárias rigorosas e pela digitalização do varejo, a padronização de dados surge como o elo fundamental para integrar indústrias, distribuidores, pet shops e órgãos reguladores em uma mesma linguagem operacional.

Durante o 6th International Pet Meeting Expo 2026, Matheus Saraiva Vieira, Executivo de Negócios da Associação Brasileira de Automação (GS1 Brasil), apresentou a palestra “Compliance e Padronização na Cadeia Pet: Eficiência, Integração e Segurança Jurídica”, detalhando como a tecnologia de identificação apoia o setor.

A GS1 é uma entidade sem fins lucrativos presente em mais de 150 países, que conta com mais de 62 mil empresas associadas no Brasil. Atualmente, mais de um bilhão de produtos são identificados diariamente no mundo com o padrão GS1, gerando mais de dez bilhões de leituras por dia.

Integração com a SEFAZ e validação fiscal no sistema CCG

Um dos pontos centrais abordados pelo executivo foi a integração entre o Cadastro Nacional de Produtos, mantido pela GS1, e as Secretarias da Fazenda (SEFAZ) de todo o país.

Essa estrutura alimenta o Cadastro Central de GTIN (CCG), plataforma na qual o órgão fiscal realiza a validação automatizada das informações no momento da emissão da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e).

Inconsistências em dados obrigatórios — como descrição do item, marca, peso bruto e código GTIN (a numeração do código de barras) — são os principais causadores de travamentos nas operações comerciais do setor.

“Hoje, a nível operacional, o nosso maior gargalo são justamente esses faturamentos negados por conta de dados que não estão de acordo no sistema da Secretaria da Fazenda. Muitas empresas nos procuram relatando que não estão conseguindo realizar uma venda importante, seja da indústria para o distribuidor ou para o varejo. Nosso papel é apoiar essa empresa a ajustar os dados para que a SEFAZ faça a validação e a operação aconteça sem travamentos”, explicou o executivo.

Avanço do QR Code 2D e o gerenciamento de recall

A cadeia de suprimentos vive uma transição tecnológica com a migração do tradicional código de barras linear (1D) para o QR Code no padrão GS1 (2D).

Enquanto o formato antigo carrega apenas o código de identificação do produto, o padrão 2D consegue armazenar até sete mil dígitos de dados estruturados na própria embalagem.

Essa evolução permite incluir informações variáveis diretamente no rótulo, como data de fabricação, prazo de validade, lote e número de série. A estrutura garante alta precisão no gerenciamento de riscos e no recolhimento de lotes com desvios de qualidade.

“Se a indústria utilizar os padrões a nível de lote ou série, é possível ter uma ação mais rápida, direta e assertiva quando acontecem essas necessidades de recall. Em caso de recolhimento de lote ou validade vencida, o sistema no caixa do pet shop consegue ler o QR Code e travar a venda ali mesmo no checkout. Isso evita prejuízos tanto para o consumidor, que não leva um item vencido, quanto para o varejo e a indústria”, ressaltou Matheus.

QR Code 2D
A migração para o QR Code 2D permite o armazenamento de dados de lote e validade, otimizando o controle de estoque e facilitando ações de recall (Foto: Reprodução)

Comportamento geracional e a jornada de compra híbrida

A estruturação rigorosa das informações também atende às novas exigências dos responsáveis de pets.

Pesquisa da GS1 aponta que 61% dos consumidores buscam informações sobre os produtos diretamente na embalagem, além de utilizarem sites de fabricantes, marketplaces e QR Codes nas lojas físicas.

Analisando o perfil demográfico, a Geração Z e os Millennials lideram a demanda por transparência em relação à origem dos ingredientes, sustentabilidade e processos de fabricação.

Como a jornada de compra tornou-se predominantemente híbrida (unindo a pesquisa no ambiente digital à compra no ponto de venda físico), a consistência dos dados precisa ser absoluta em todos os pontos de contato.

“Hoje o consumidor do mercado pet care está muito mais exigente e preocupado não só com o que está consumindo, mas com a origem desses ingredientes. Por isso, todos os canais de venda precisam estar em conformidade, conversando através dos mesmos padrões. O código padrão GS1 ajuda para que todo mundo fale a mesma língua, seja o consumidor buscando online ou o varejo que precisa receber o produto com as informações corretas da indústria”, afirmou o palestrante.

Gestão de estoque e inteligência de mercado na cadeia pet

Além do cumprimento das obrigações legais, a padronização cadastral impacta diretamente o fluxo financeiro e a gestão de ativos das empresas.

Com visibilidade total sobre o inventário, indústrias, distribuidores e varejistas conseguem adequar o volume de produção e distribuição à demanda real de cada mercado.

A identificação automatizada das datas de vencimento também viabiliza estratégias comerciais preventivas, reduzindo o desperdício de produtos e otimizando a rentabilidade no PDV.

“O maior ganho operacional com a padronização de dados é a gestão de estoques. O distribuidor e o varejista conseguem entender melhor o que têm parado e o que está com a validade próxima. Temos cases de redes de varejo que usam essa rastreabilidade para identificar produtos perto do vencimento e cadastrar descontos progressivos automaticamente. Isso melhora a gestão de ativos e reduz drasticamente as perdas no setor”, finalizou Matheus Vieira.