Opções
Clínica e Nutrição

Atendimentos oncológicos em pets crescem 180%, aponta WeVets

Avanço mensal médio de 15% reflete envelhecimento dos animais e maior acesso a diagnóstico precoce

Atendimentos oncológicos em pets crescem 180%, aponta WeVets
Por Equipe Cães&Gatos
27 de fevereiro de 2026

O câncer tem ocupado espaço cada vez maior na rotina hospitalar veterinária. Dados da WeVets indicam que, em 2025, os atendimentos oncológicos cresceram 180% em comparação com 2024.

Apenas nos últimos 12 meses, o aumento médio foi de 15% ao mês, sinalizando tendência consistente de alta. 

Desde a implementação do protocolo oncológico da rede, já foram realizados mais de 6 mil atendimentos relacionados à doença.

Em um recorte de 14 meses, aproximadamente 400 pets receberam diagnóstico oncológico confirmado. 

No mesmo período, foram realizados mais de 1.000 procedimentos, entre quimioterapias e cirurgias, com média atual de cerca de 80 intervenções mensais.

Envelhecimento e diagnóstico mais preciso

Segundo a rede, o crescimento não significa necessariamente que os pets estejam adoecendo mais, mas que vivem mais e contam com acesso ampliado a exames e protocolos especializados.

“O câncer é uma doença mais frequente em pets idosos, e o avanço da medicina veterinária, com maior acesso a exames laboratoriais, exames de imagem e protocolos especializados, têm permitido identificar neoplasias de forma mais precoce”, comenta a médica-veterinária Bianca Montalto, head de Oncologia da WeVets.

Entre os tumores mais frequentes estão as neoplasias de pele, seguidas por tumores de mama e do sistema reprodutor. 

Os diagnósticos mais comuns incluem mastocitoma, adenocarcinoma mamário, tumor venéreo transmissível, hemangiossarcoma e osteossarcoma.

Diferenças entre espécies e fatores de risco

Há distinções importantes entre cães e gatos. Em felinos, cerca de 90% dos tumores diagnosticados são malignos. 

Em cães, o índice é de aproximadamente 70%, o que exige abordagens clínicas diferenciadas.

A análise também aponta relação entre idade, raça e incidência de determinados cânceres. Animais idosos são mais acometidos, e raças como Boxer e Pastor Alemão apresentam maior predisposição a mastocitomas, conforme descrito na literatura científica.

“Outro fator de risco relevante é a exposição solar excessiva, especialmente em pets de pele clara. A falta de informação dos tutores sobre os efeitos da radiação solar contribui para o surgimento de neoplasias cutâneas, uma das mais frequentes na rotina hospitalar”, completa Bianca.

Diagnóstico precoce e abordagem multidisciplinar

Para a rede, a detecção precoce é um dos principais aliados no enfrentamento da doença. A recomendação é realizar check-up preventivo anual, com exames hematológicos e de imagem capazes de identificar alterações ainda em estágios iniciais.

O tratamento é conduzido por equipes multidisciplinares, envolvendo clínicos, oncologistas, cirurgiões, fisioterapeutas, nutricionistas e especialistas em controle da dor e cuidados paliativos.

“Os cuidados paliativos podem ser indicados desde o diagnóstico, não apenas em fases avançadas da doença, com foco na qualidade de vida, no alívio do sofrimento físico e no suporte contínuo ao pet e à sua família, inclusive durante o período de luto”, afirma a médica-veterinária.

Segundo a WeVets, o acompanhamento próximo dos responsáveis é parte essencial do modelo assistencial, permitindo ajustes na conduta clínica e oferecendo suporte emocional ao longo de todas as etapas do tratamento.

Fonte: Focal 3, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre alta de atendimentos oncológicos

O aumento dos atendimentos significa que há mais casos de câncer?

Não necessariamente. O crescimento está associado ao envelhecimento dos pets e ao diagnóstico mais precoce.

Quais são os tumores mais comuns?

Neoplasias de pele, tumores mamários e do sistema reprodutor estão entre os mais frequentes.

O diagnóstico precoce faz diferença?

Sim. Identificar a doença em fases iniciais amplia as possibilidades terapêuticas e melhora a qualidade de vida.