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Aumento das doenças respiratórias chega junto com o outono

Mudanças climáticas da estação favorecem infecções, alergias e agravamento de problemas crônicos em cães e gatos

Aumento das doenças respiratórias chega junto com o outono
Por Rebecca Vettore
20 de março de 2026

Quem é veterinário sabe que o outono é a estação do ano em que mais vai atender pacientes com doenças respiratórias. 

Devido ao tempo seco e frio, o ressecamento das vias aéreas aumenta ao mesmo tempo em que a imunidade diminui, facilitando assim o aparecimento de infecções virais e bacterianas. 

“Com a baixa umidade relativa do ar cresce a dispersão de poeira e alérgenos, enquanto as oscilações térmicas e o acúmulo de animais, principalmente em ambientes fechados para se protegerem do frio, favorecem a transmissão e a disseminação dos agentes infecciosos”, explica Khadine Kazue Kanayama, médica-veterinária e chefe da diretoria técnica do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ USP).

Entre as doenças respiratórias mais frequentes desta época do ano, de acordo com Khadine, estão: complexo respiratório felino, caracterizado por manifestações clínicas de secreção nasal e ocular mucopurulenta, espirros, prostração e febre; e a traqueobronquite infecciosa canina, caracterizada por tosse seca e intensa, podendo acometer locais com muitos animais, por ser altamente contagiosa. 

“Posso ainda destacar o aparecimento maior da pneumonia, caracterizada por apatia, inapetência, secreção nasal, tosse, eventualmente espirros e febre; além do agravamento de doenças crônicas preexistentes como bronquite, intensificadas pelo ar seco e frio”, diz a médica-veterinária. 

Aumento das doenças respiratórias chega junto com o outono
Tempo seco e a proximidade entre animais, em razão do frio, ajudam na proliferação de doenças no outono (Foto: Reprodução)

Outras afecções comuns 

Além das enfermidades respiratórias, as dermatológicas também podem estar associadas às características sazonais do outono, como a maior presença de pólen, poeira e ácaros. 

As manifestações clínicas associadas a elas, incluem prurido, eritema, descamação, lambedura excessiva das extremidades dos membros, rarefação pilosa, ressecamento da pele e otites.

Nessa época do ano, cães e gatos, em especial os idosos, podem ser acometidos, ainda, por problemas osteoarticulares, principalmente as discopatias e doenças articulares (artrite/artrose), nas quais os pacientes apresentam dificuldade para se levantar e/ou deambular, restrição de movimento por dor (permanecem a maior parte do tempo deitados) e ataxia/claudicação.

Para melhorar essa situação, é importante manter o paciente em local confortável e aquecido, controlar a dor e a inflamação e, em alguns casos, indicar tratamentos como fisioterapia e acupuntura.

“De qualquer forma, o tratamento de todas as doenças deve ser sempre individualizado e prescrito pelo médico-veterinário de acordo com a avaliação do paciente, mas pode envolver inalação com solução fisiológica, mucolíticos, broncodilatadores, antibióticos, uso de ‘bombinhas’ (broncodilatadores ou corticoides), manter o paciente em ambiente ventilado e limpo e evitar que permaneça molhado ou em local frio”, explica a chefe da diretoria técnica do Hospital Veterinário da FMVZ USP.

Além disso, os responsáveis podem usar produtos específicos para cães e gatos, como loções, shampoos e sprays recomendados por um veterinário para fortalecer a barreira cutânea e manter a hidratação da pele. 

Como diferenciar um quadro alérgico de uma infecção respiratória?

As manifestações clínicas associadas aos quadros respiratórios, como tosse, secreção nasal e/ou ocular, febre, espirros, falta de apetite e prostração, podem ser similares às de uma infecção respiratória. 

Por isso, para diferenciar os quadros, Khadine destaca a importância de considerar a identificação do paciente, dados da anamnese e exame físico, além dos resultados de exames laboratoriais e de imagem (radiografias). 

Na hora de orientar os responsáveis, é essencial informá-los sobre a importância de manter o programa de vacinação e o controle de ectoparasitas atualizados, focar em uma nutrição adequada com ração de boa qualidade e deixar os animais abrigados.

“O ambiente também deve ser ventilado. Para isso, o cuidador pode utilizar umidificadores e deixar os pets com a pele limpa e hidratada”, conclui a médica-veterinária. 

Aumento das doenças respiratórias chega junto com o outono
A prevenção pode ser o melhor caminho na hora de cuidar dos pets no outono (Foto: Reprodução)

FAQ sobre as doenças respiratórias do outono

Por que essas essas enfermidades ocorrem com maior nesta época do ano?

Isso acontece porque o clima mais seco e frio provoca ressecamento das vias aéreas e redução da imunidade dos animais, favorecendo o surgimento de infecções virais e bacterianas. 

Quais são as doenças respiratórias mais comuns no outono?

Entre as enfermidades mais frequentes estão o complexo respiratório felino, a traqueobronquite infecciosa canina, a pneumonia e o agravamento de doenças respiratórias crônicas, como a bronquite.

Como os responsáveis podem ajudar a prevenir esses problemas?

Eles devem manter os pets com o programa de vacinação e o controle de ectoparasitas atualizados, oferecer alimentação de boa qualidade e garantir que os animais permaneçam abrigados e aquecidos