O bem-estar animal tem se mostrado um fator mais determinante do que a sustentabilidade nas decisões de compra de alimentos para pets.
É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Colorado State University e publicado na revista Frontiers in Veterinary Science.
Segundo a análise, embora consumidores considerem ambos os aspectos importantes, o tratamento dado aos animais utilizados na produção dos alimentos exerce maior influência no momento da escolha.
Bem-estar animal tem maior peso na decisão de compra
De acordo com o estudo, 81,1% dos entrevistados consideram o bem-estar animal “muito” ou “extremamente” importante ao escolher um alimento para seus pets.
Já a sustentabilidade ambiental aparece logo atrás, com 70,1%.
Apesar da proximidade, o impacto do bem-estar animal é significativamente maior na decisão final de compra.
Esse comportamento está relacionado ao vínculo emocional que responsáveis têm com seus animais, o que tende a ampliar a empatia também em relação a outros animais.
Conexão emocional amplia impacto do tema
Durante discussões do setor, como no Pet Summit 2026, especialistas destacaram que a percepção dos consumidores vai além da distinção entre animais de companhia e de produção.
A representante da American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, Maral Cavner, e a diretora de serviços veterinários da entidade, Ashley Eisenback, reforçaram que essa conexão emocional explica o maior peso do bem-estar animal.
“Não há muita diferença quando você olha nos olhos de cada um desses animais”, afirmou Eisenback, ao comparar animais de companhia e aqueles utilizados na cadeia produtiva.
Sustentabilidade segue relevante, mas enfrenta barreiras
Apesar de importante, a sustentabilidade ambiental tende a ser impactada por fatores práticos no momento da compra, como preço, preferência do animal e necessidades médicas.
Ainda assim, especialistas destacam que bem-estar animal e sustentabilidade estão diretamente conectados, especialmente considerando o impacto da indústria de alimentos para pets.
Segundo Cavner, cães e gatos representam uma parcela significativa do consumo dentro do sistema alimentar global.
Consumidores demonstram intenção de mudança
O estudo também aponta que há disposição dos consumidores em mudar de marca com base em critérios éticos.
Dados apresentados no Pet Summit indicam que 90% dos entrevistados afirmam que considerariam trocar de marca caso soubessem que outra empresa utiliza práticas mais responsáveis no tratamento animal.
Por outro lado, a falta de informação ainda é um obstáculo: mais de 60% dos participantes desconhecem certificações relacionadas a bem-estar animal ou sustentabilidade.
Entre aqueles que conhecem, no entanto, esses selos têm influência direta na decisão de compra.
Comunicação pode ser diferencial competitivo
Os resultados reforçam que comunicar práticas relacionadas ao bem-estar animal pode ser uma estratégia relevante para empresas do setor, não apenas do ponto de vista ético, mas também comercial.
A combinação entre informação, transparência e conexão emocional tende a ser um fator-chave para influenciar o comportamento do consumidor.
Fonte: Petfood Industry, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre escolha de pet food
O que pesa mais na escolha de pet food?
Segundo o estudo, o bem-estar animal tem maior influência do que a sustentabilidade.
A sustentabilidade não é importante?
É relevante, mas pode ser impactada por fatores como preço e preferência do animal.
Consumidores mudariam de marca por esse motivo?
Sim. A maioria afirma que consideraria trocar por produtos com melhores práticas de bem-estar animal.
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