Uma pesquisa conduzida pelo Programa de Carnívoros da Zâmbia e pela Universidade Estadual de Montana, sob liderança de Scott Creel e publicada na revista Ecology, registrou a maior jornada já documentada para um mamífero terrestre africano.
Três mabecos — também conhecidos como cães selvagens africanos — percorreram 4.126 quilômetros pelo país em busca de um novo lar.
A dispersão ocorre naturalmente quando os animais atingem a fase adulta jovem e deixam suas matilhas nativas para buscar parceiros e estabelecer novos territórios.
Contudo, ao longo do percurso, a espécie ameaçada enfrenta sérios obstáculos, como rodovias movimentadas, expansão de assentamentos humanos e armadilhas de arame colocadas por caçadores.
Jornada recorde expõe riscos de caça e fragmentação
Para analisar a movimentação da espécie em ambientes modificados pela ação humana, os cientistas utilizaram coleiras de rastreamento para acompanhar rotas, velocidades e a formação de novos grupos. O monitoramento revelou cenários distintos e desfechos dramáticos para os indivíduos acompanhados.
Em 2021, três fêmeas viajaram mais de 2.300 quilômetros durante 11 meses sem conseguir formar uma nova matilha. Uma delas morreu presa em uma armadilha e o paradeiro das demais permanece desconhecido. Em 2025, uma nova tentativa partindo do Parque Nacional de Kafue resultou na morte de outras fêmeas pelo mesmo motivo.
Por outro lado, três machos do grupo mantiveram o avanço e conseguiram se estabelecer na Área de Manejo de Caça de Luano, no Ecossistema do Vale do Luangwa, consolidando o percurso recorde.

Importância da conexão entre áreas protegidas
Os dados obtidos reforçam a urgência de criar e manter corredores ecológicos seguros entre as unidades de conservação da região.
A capacidade de percorrer longas distâncias demonstra que a sobrevivência dos mabecos depende da preservação da conectividade entre as áreas protegidas para mitigar os riscos de captura e atropelamentos.
Fonte: Tribuna de Minas, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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