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Cães são treinados para detectar câncer silencioso em outros cães

Pesquisadores da Filadélfia usam o olfato canino para identificar precocemente o hemangiossarcoma, um dos cânceres mais letais em cães

Cães são treinados para detectar câncer silencioso em outros cães
Por Equipe Cães&Gatos
2 de fevereiro de 2026

Pesquisadores do Penn Vet Working Dog Center, localizado no sul da Filadélfia, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma abordagem inovadora no combate a um dos cânceres mais agressivos que afetam os cães: o hemangiossarcoma. 

Utilizando o olfato altamente sensível dos cães, o projeto busca detectar a doença ainda em estágios iniciais, quando as chances de tratamento são maiores.

Conhecido como um “assassino silencioso”, o hemangiossarcoma costuma se desenvolver sem apresentar sinais clínicos evidentes. 

Em muitos casos, o diagnóstico só ocorre após uma ruptura interna do tumor, quando o quadro já é grave e as opções terapêuticas são limitadas.

O que é o hemangiossarcoma canino

O hemangiossarcoma é um tumor maligno originado nos vasos sanguíneos. Ele pode se desenvolver em diferentes órgãos, sendo o baço, o coração e o fígado os locais mais frequentemente afetados. 

Por crescer de forma silenciosa, o câncer pode evoluir por meses sem que o responsável perceba qualquer alteração no animal.

Quando os sintomas surgem, geralmente incluem fraqueza, apatia, dificuldade respiratória ou colapso súbito — sinais que indicam emergência e exigem atendimento veterinário imediato. 

Por isso, métodos de detecção precoce são considerados uma prioridade na pesquisa oncológica veterinária.

Como funciona o treinamento dos cães

No estudo, os cães são treinados para identificar amostras de sangue com presença de hemangiossarcoma. 

Durante os testes, eles são apresentados a três caixas, sendo que apenas uma contém uma pequena amostra de soro sanguíneo maligno.

De acordo com a pesquisadora Clara Wilson, do Working Dog Center, a quantidade de material utilizada é mínima — imperceptível para humanos. 

Ainda assim, os cães conseguem identificar padrões olfativos associados à doença. Na fase inicial da pesquisa, os cães acertaram a identificação do câncer em cerca de 70% dos testes. 

Sempre que fazem a escolha correta, recebem uma recompensa, reforçando o comportamento desejado.

Do faro canino aos testes diagnósticos

O objetivo do projeto vai além do uso direto dos cães como ferramenta diagnóstica. Após a identificação das amostras positivas, os pesquisadores analisam os componentes do sangue para localizar marcadores específicos associados ao câncer.

A ideia é que, se os cães conseguem detectar algo pelo cheiro, existe um sinal químico mensurável que pode ser transformado, no futuro, em um teste diagnóstico acessível e precoce. 

Esse tipo de exame poderia revolucionar o rastreamento do hemangiossarcoma, permitindo intervenções antes que a doença atinja estágios críticos.

Pesquisas anteriores e aplicações futuras

Embora o foco atual esteja no câncer canino, o uso do olfato dos cães em pesquisas médicas não é novidade. 

Estudos anteriores já demonstraram a capacidade desses animais de identificar cânceres humanos, como os de ovário e pâncreas.

Segundo os pesquisadores, o diferencial dos cães está na extraordinária sensibilidade olfativa, capaz de perceber variações químicas imperceptíveis aos equipamentos convencionais. 

Essa habilidade tem despertado interesse tanto na Medicina Veterinária quanto na medicina humana.

Muito além da detecção de câncer

O Penn Vet Working Dog Center também atua no treinamento de cães para outras funções especializadas. 

Entre elas, a detecção de drogas, explosivos e o alerta precoce para condições médicas em humanos, como crises epilépticas e alterações metabólicas.

No caso do hemangiossarcoma, os pesquisadores acreditam que o trabalho desses cães pode abrir caminho para salvar vidas, oferecendo novas possibilidades de diagnóstico precoce e ampliando o entendimento sobre a doença.

Fonte: CBS, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre cães treinados para detectar câncer

O hemangiossarcoma tem cura?

Depende do estágio. Quando detectado precocemente, o tratamento pode aumentar a sobrevida.

Os cães substituem exames veterinários?

Não. Eles auxiliam a pesquisa, mas não substituem exames clínicos e laboratoriais.

Esse tipo de teste já está disponível no Brasil?

Ainda não. A pesquisa está em fase experimental e em desenvolvimento.