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Coreia do Sul atravessa último verão com comercialização legal de carne de cachorro

Consumo da tradicional sopa de carne canina despenca no país asiático antes da aplicação plena da lei que criminaliza o abate e a comercialização de cães

Coreia do Sul atravessa último verão com comercialização legal de carne de cachorro
Por Equipe Cães&Gatos
2 de setembro de 2026

A Coreia do Sul encerra nesta estação o último verão da história em que restaurantes podem comercializar legalmente pratos com carne de cachorro.

O período de tolerância da lei aprovada em 2024 expira em fevereiro de 2027, momento a partir do qual ficarão proibidos a criação, o abate, a distribuição e a venda de cães para consumo humano em todo o território sul-coreano.

A legislação estabelece punições severas para quem descumprir as novas regras. Infratores que abaterem cães para consumo estarão sujeitos a penas de até três anos de prisão ou multas de até 30 milhões de won (cerca de R$ 120 mil).

Migração e fechamento em massa de restaurantes tradicionais

O prato central dessa tradição secular — documentada desde a dinastia Joseon (1392-1910) — é a sopa bosintang (“sopa nutritiva para o corpo”), consumida historicamente durante o boknal, que marca os três dias mais quentes do verão local.

Com o avanço da nova lei, a presença do prato reduziu drasticamente. No famoso beco de bosintang do mercado de Sinjin, no centro de Seul, restam apenas dois estabelecimentos em funcionamento.

Levantamento da Administração de Alimentos e Medicamentos da Coreia do Sul apontou a existência de 2.352 restaurantes dedicados à venda de carne canina no país. Deste total:

  • 1.902 estabelecimentos anunciaram a alteração de cardápio ou mudança de ramo de atividade;

  • 450 estabelecimentos optaram pelo encerramento definitivo das operações.

Cachorro carne
Queda no consumo e aprovação de legislação definitiva encerram o comércio de cães para consumo humano na Coreia do Sul (Foto: Reprodução)

Condições dos canis clandestinos e debate sobre o destino dos animais

Além do comércio final, a pressão contra a prática intensificou-se devido às denúncias de ONGs sobre as condições de maus-tratos em explorações clandestinas, onde os cães viviam confinados em gaiolas de arame, sem assistência médica para infecções e expostos a temperaturas extremas.

Segundo o Ministério da Agricultura, o número desses canis caiu 82% entre 2014 e 2026, restando 272 unidades ativas em maio.

Apesar da vitória legislativa, ativistas de proteção animal criticam a condução da transição pelo governo. Dados locais indicam que, dos quase 394 mil cães contabilizados nas fazendas desativadas durante a fase de transição, cerca de 97% acabaram enviados para o abate por falta de programas estatais estruturados de resgate, reabilitação e adoção.

Fonte: Exame, adaptado pela equipe Cães&Gatos.