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Dificuldade em medicar gatos ainda compromete tratamentos veterinários

Estudo mostra que quase 40% dos responsáveis por gatos não seguem corretamente a medicação prescrita, o que pode afetar a recuperação e a eficácia dos antibióticos

Dificuldade em medicar gatos ainda compromete tratamentos veterinários
Por Equipe Cães&Gatos
6 de fevereiro de 2026

Administrar medicamentos a gatos continua sendo um desafio frequente no atendimento veterinário. 

Um estudo realizado na Nova Zelândia revelou que 39% dos responsáveis por felinos não cumprem adequadamente as orientações de medicação prescritas por médicos-veterinários, o que pode comprometer a recuperação dos animais e a eficácia dos tratamentos.

A pesquisa foi conduzida por especialistas da Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade Massey e analisou a adesão aos tratamentos em situações de rotina clínica, trazendo dados relevantes para a prática veterinária e para a orientação dos responsáveis.

Pesquisa acompanhou responsáveis após consultas veterinárias

O levantamento teve caráter transversal e foi realizado entre janeiro de 2019 e julho de 2020. 

Ao todo, participaram 66 responsáveis por gatos cujos animais receberam prescrições médicas durante ou após consultas veterinárias eletivas.

Os pesquisadores acompanharam os casos para verificar se os tratamentos foram concluídos conforme indicado e analisaram os dados de forma estatística, avaliando fatores associados à interrupção ou falha na administração dos medicamentos.

Resistência dos gatos é o principal obstáculo

Entre os participantes, um em cada quatro responsáveis admitiu ter dificuldade para administrar medicamentos aos gatos. 

A principal justificativa apontada foi a resistência dos próprios animais.

Segundo os pesquisadores, os gatos apresentam características comportamentais que tornam essa tarefa mais complexa: são seletivos, toleram pouco a contenção física e podem reagir com medo ou comportamento defensivo. 

Estudos anteriores citados pela pesquisa indicam que até 45% dos gatos tentam morder ou arranhar durante a administração da medicação.

Experiência do responsável influencia a adesão ao tratamento

Um dado que chamou atenção foi a relação entre a experiência prévia com gatos e o cumprimento das recomendações veterinárias. 

De acordo com a análise, quanto maior a experiência do responsável, menor a adesão ao tratamento prescrito.

Os autores sugerem que responsáveis de primeira viagem podem estar mais receptivos às orientações clínicas, enquanto aqueles com mais experiência tendem a adaptar ou interromper o tratamento com base em vivências anteriores ou na dinâmica de lares com vários animais.

Antibióticos orais apresentam maior risco de falha

A administração oral de antibióticos foi identificada como um dos principais fatores associados à não adesão. 

Cerca de 21% dos responsáveis interromperam ou deixaram de administrar medicamentos orais quando essa era a via indicada.

Esse resultado reforça uma percepção comum na rotina clínica: muitos responsáveis têm dificuldade ou evitam medicar gatos por via oral, seja por receio de machucar o animal ou por experiências negativas anteriores.

Riscos do uso inadequado de antimicrobianos

Os pesquisadores alertam que a não adesão aos tratamentos, especialmente com antibióticos, pode ter consequências importantes. 

Doses insuficientes, falhas na administração ou interrupção precoce do tratamento podem reduzir a eficácia terapêutica.

Além disso, essas práticas favorecem o uso inadequado de antimicrobianos, contribuindo para variações na concentração do medicamento no organismo do animal e aumentando o risco de insucesso no tratamento.

Estratégias para melhorar a adesão ao tratamento em gatos

Os autores defendem a adoção urgente de estratégias para melhorar a adesão aos tratamentos em felinos. Entre as recomendações estão:

  • Treinamento de toda a equipe veterinária para comunicação clara e objetiva;
  • Demonstração prática de como administrar os medicamentos;
  • Adaptação das prescrições ao perfil e à experiência do responsável;
  • Avaliação da palatabilidade e da viabilidade da medicação antes da alta.

Garantir que o responsável se sinta seguro e capaz de administrar o tratamento em casa é apontado como um passo essencial para o sucesso terapêutico.

Dificuldade em medicar gatos ainda compromete tratamentos veterinários
Falhas no tratamento podem comprometer a resposta clínica (Foto: Reprodução)

Fonte: Veterinaria Atual, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre medicar gatos

Por que é tão difícil medicar gatos?

Os gatos são mais sensíveis à contenção, podem se estressar facilmente e reagir de forma defensiva durante a administração de medicamentos.

Interromper antibióticos pode causar problemas?

Sim. A interrupção ou administração incorreta pode reduzir a eficácia do tratamento e favorecer falhas terapêuticas.

O que pode ajudar a melhorar a adesão ao tratamento?

Orientação clara do médico-veterinário, demonstração prática, medicamentos palatáveis e adaptação da prescrição à rotina do responsável.