A Associação Mundial de Veterinária de Pequenos Animais (WSAVA) lançou a atualização de suas diretrizes globais de odontologia veterinária para cães e gatos.
Por serem as afecções mais frequentes na rotina clínica, as doenças dentárias, orais e maxilofaciais não tratadas ou conduzidas de maneira inadequada são apontadas pela entidade como uma das maiores ameaças ao bem-estar e à qualidade de vida dos pacientes de pequeno porte.
O guia foi estruturado para nivelar o conhecimento e combater mitos frequentes na especialidade. Utilizando a metodologia de três níveis de educação continuada da WSAVA, o documento estabelece desde o padrão-ouro de atendimento até protocolos mínimos realistas de cuidado, englobando recomendações de infraestrutura, terapias, segurança anestésica e manejo da dor.
Atualizações técnicas e inclusão de novos tópicos
A versão revisada das diretrizes incorpora avanços recentes em diagnósticos e tratamentos do setor odontológico.
Entre as novidades, destacam-se seções inéditas dedicadas ao manejo de traumas maxilofaciais, o papel do enfermeiro veterinário na equipe odontológica, além de abordagens específicas para patologias em animais jovens, boas práticas de ergonomia profissional e um capítulo ampliado para interpretação radiográfica.
O documento dedica ainda atenção especial aos cuidados domiciliares e à nutrição, enfatizando a relevância das diretrizes curriculares nas faculdades de Medicina Veterinária.
A entidade reforça que o ensino estruturado na graduação é a ferramenta mais eficaz para elevar os padrões globais da especialidade e prevenir a progressão de afecções orais severas.

Riscos da odontologia sem anestesia
Um dos pontos de maior alerta no documento diz respeito à condenação expressa da prática de procedimentos odontológicos em pets sem o uso de anestesia geral.
A WSAVA enfatiza que a remoção do tártaro ou limpezas superficiais realizadas a seco ou sob contenção física são ineficazes do ponto de vista terapêutico, além de causarem dor, estresse e potenciais acidentes estruturais nas peças dentárias.
A anestesia geral com intubação permanece como requisito indispensável para permitir o exame completo da cavidade oral, a sondagem periodontal e a realização de radiografias intraorais sem risco de aspiração de resíduos e bactérias.
Segundo a associação, o diagnóstico precoce e a intervenção técnica adequada sob protocolo anestésico seguro constituem os pilares fundamentais para mitigar dores crônicas e complicações sistêmicas decorrentes de patologias orais.
Fonte: WSAVA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.