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Esporotricose é detectada em animais silvestres atropelados na Mata Atlântica brasileira

Estudo inédito acha fungo da esporotricose em aves, répteis e mamíferos da Mata Atlântica

Esporotricose é detectada em animais silvestres atropelados na Mata Atlântica brasileira
Por Equipe Cães&Gatos
23 de junho de 2026
Última atualização: 24/06/2026 - 14:05

O fungo do gênero Sporothrix, amplamente conhecido por causar a esporotricose, está circulando além das áreas urbanas e rurais. Um estudo inédito apoiado pela Fapesp revelou, pela primeira vez, a presença do DNA desse agente infeccioso nos órgãos internos de animais selvagens nativos da Mata Atlântica brasileira.

A descoberta indica que a fauna silvestre pode estar atuando como reservatório natural do fungo, o que redefine as estratégias de vigilância epidemiológica. Em humanos e animais domésticos, a esporotricose causa graves lesões na pele, podendo avançar para o sistema linfático e órgãos internos em quadros mais severos.

Como o fungo foi parar na fauna silvestre

Os pesquisadores analisaram amostras de tecidos internos (como fígado e coração) de animais silvestres vítimas de atropelamento em rodovias. A análise molecular detectou o material genético de três espécies clinicamente relevantes do fungo: Sporothrix schenckii, Sporothrix globosa e o temido Sporothrix brasiliensis, que é a variante mais agressiva e predominante em surtos no Brasil.

O patógeno foi encontrado em uma ampla variedade de hospedeiros inesperados:

  • Mamíferos: Incluindo a cutia e o gato-do-mato-do-sul, uma espécie nativa ameaçada de extinção.

  • Aves: Diferentes espécies de pássaros apresentaram traços do fungo, incluindo o S. brasiliensis.

  • Répteis: O DNA do micro-organismo foi identificado até mesmo em uma cobra-coral-falsa.

A presença do material genético em órgãos internos e protegidos do ambiente externo reforça a tese de que o fungo estava, de fato, circulando na corrente sanguínea desses animais de vida livre, e não apenas colonizando a superfície da pele de forma superficial.

O impacto da expansão da esporotricose

Tradicionalmente, o avanço da esporotricose no Brasil esteve associado a ambientes urbanos de alta densidade populacional e à falta de controle sanitário. Contudo, o avanço imobiliário, o desmatamento e a fragmentação florestal têm estreitado os limites entre as cidades e as reservas naturais.

De acordo com os cientistas coordenadores do estudo, essa proximidade facilita o contato direto e indireto entre animais domésticos e a fauna nativa. Como espécies silvestres locais fazem parte de uma cadeia de interação constante nas bordas das matas, o ciclo de transmissão acabou atingindo as florestas, criando um cenário de dispersão ecológica complexo que exige ações integradas de medicina veterinária, conservação e saúde humana.

Fonte: Agência FAPESP, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

FAQ sobre esporotricose e animais silvestres

O que é a esporotricose e como ela é transmitida?

A esporotricose é uma micose profunda provocada por fungos do gênero Sporothrix. Nos ambientes urbanos, a infecção ocorre principalmente pelo contato direto com lesões, mordeduras ou arranhaduras de animais domésticos contaminados. Humanos também podem contrair o fungo de forma ambiental, ao manipular terra, espinhos ou plantas infectadas sem a proteção adequada.

Animais selvagens também transmitem a doença para humanos?

A pesquisa identificou o DNA do fungo circulando nos órgãos internos de animais nativos, o que mostra que eles podem atuar como reservatórios na natureza. No entanto, o risco direto de transmissão para as pessoas continua associado majoritariamente ao convívio próximo com animais domésticos infectados e ao manejo do solo. O alerta principal do estudo é ecológico e sanitário, indicando uma dispersão do fungo para o ecossistema silvestre.

Qual é o risco do fungo Sporothrix brasiliensis?

O Sporothrix brasiliensis é a espécie mais preocupante por apresentar alto potencial epidêmico, grande agressividade clínica e rápida capacidade de propagação. Até então fortemente ligada ao ambiente urbano e a animais domésticos no Brasil, essa variante agora acende um sinal de alerta ao ser documentada também em animais de vida livre e em espécies silvestres nativas.

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